TAQUES: Olá Mauro!
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Pedro Taques disputou três eleições e nunca fui seu eleitor. O vejo à distância. Creio que tenho isenção suficiente para elogiá-lo por seu depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, na manhã desta quarta-feira (25).
Com firmeza, mas sem agressividade. Exalando saber jurídico, mas sem se gabar por essa condição. Pautado pela verdade e demonstrando números e fatos altamente comprometedores do governador Mauro Mendes (União), Taques mexeu com a alma e o sentimento de todos os que defendem os interesses públicos a começar pelo erário. Pena – como sempre acontece – que a Imprensa não dará o devido destaque nem pontuará o que foi dito na CPI pela voz do advogado José Pedro Gonçalves de Taques, que foi promotor de Justiça, procurador da República, senador e governador, e que advoga e leciona em faculdade.
Na CPI as falas são objetivas, curtas. Taques soube muito bem sintetizar as denúncias que apresentou para demonstrar a ligação do Banco Master com o escândalo dos precatórios dos servidores públicos estaduais mato-grossenses, e da ligação do Master com o PCC e consequentemente com a MT Par, que administra a concessão da BR-163 no trecho da divisa de Mato Grosso com Mato Grosso do Sul, em Itiquira, e Sinop.
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A audiência que ouviu Taques foi presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT/ES), que é delegado de polícia, com a presença de seu relator, senador Alessandro Vieira (MDB/SE), que também é delegado de polícia. Os três mantiveram o nível da conversação, sem que para tanto tivessem que ceder ou conceder. A todos sobrava saber. Quisera Deus que todos os atos parlamentares tivessem a dimensão daquele proporcionado por Taques, Contarato e Alessandro Vieira.
Em suma, Taques demonstrou em gráficos que os 308 milhões do acordo entre a operadora Oi e o governo estadual percorreram alguns caminhos financeiros e que acabaram irrigando fundos ligados ao filho de Mauro Mendes, Luis Antônio e a Berinho Garcia, pai do deputado federal e chefe da Casa Civil do governo estadual, Fábio Garcia. Sua fala joga por terra a argumentação do governante, de que após o dinheiro sair do governo, sua destinação nada tem a ver com os cofres públicos. Ele ainda deu verdadeira aula sobre lavagem de dinheiro por facção, mostrando que elas atuam não somente no tráfico de drogas, mas na economia formal – e ao associar o Banco Master ao PCC, Taques se baseou na Polícia Federal quando a mesma desencadeou a Operação Carbono Oculto.
Sem rodeios e sem tripudiar, Taques disse que não tem culpa de ter encontrado o CPF de Berinho num dos fundos beneficiados com a dinheirama que nasceu no caso Oi.
Por mais que se queira sintetizar o depoimento de Taques não é possível fazê-lo sem omitir algumas de suas partes. Seguramente Mato Grosso nunca tomará conhecimento do mesmo e continuará sendo bombardeado jornalisticamente por sites que recebem polpudas mídias do governo estadual. Pena que seja assim. Tenho certeza que a burocracia e a protelação empurrarão o relatório final da CPI para além da curva do horizonte. Não vejo o Ministério Público de Mato Grosso (MP) agindo após essa audiência no Senado. Sequer imagino o TCE e a Assembleia se movendo no sentido da apuração do caso.
Creio que hoje, amanhã e muito mais o leitor continuará comentando que o MP e o TCE inocentaram Mauro Mendes e que a Justiça proibiu Taques de falar sobre o filho de Mauro Mendes e o caso Oi.
Apesar da gravidade do assunto, a teia de proteção montada para abafar a fala na CPI me arrasta a um pedido de vênia ao irreverente Barão de Itararé para reproduzir uma frase – pouco mais que um verbete – de Taques sobre o cerco montado sobre ele – Olá Mauro!
Foto:
Pedro França/Agência Senado