Sonho com o governo e quizomba na filiação de Max

Eduardo Gomes

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Max com Andreia Wagner e Renata Abreu

Não tenho dúvidas que a filiação de Max Russi ao Podemos neste sábado (7) foi o maior ato político em Mato Grosso neste ano. Teve tanta gente que o boi no rolete oferecido por Max foi preparado para duas mil bocas, e teve cabo eleitoral que saiu resmungando porque não conseguiu chegar ao atendimento. Vi a movimentação procurando entendê-la com amplitude: tenho certeza que se não houvesse maciça participação de abnegados assessores e de incontáveis filiados a outras siglas, o “Agora, Podemos” não passaria de uma reunião cujos participantes caberiam num ônibus. Por sorte, a presidente nacional do partido, a deputada federal Renata Abreu (SP), não conhece Mato Grosso e viu o mar de cabeças como se fosse uma multidão de correligionários e não uma quizomba. Imagino que assim, Renata voltou para São Paulo acreditando não somente na expansão de seu partido entre os xomanos, mas, também apostando todas as fichas na eleição de Max para governador, como ele sonha acordado e mexe com os pauzinhos nesse sentido. Dois detalhes chamaram a atenção.

O primeiro detalhe é que a classe política não tem desconfiômetro. A cortesia partidária ensina que o representante de partido vá a evento de outra sigla, cumprimente o organizador, lhe deseje sorte e se retire. Aqui, não. O Hotel Fazenda Mato Grosso, onde o circo pegou fogo, virou uma reunião suprapartidária.

Vejamos: O deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) comprimentava Deus, mundo e Raimundo tentando atrair filiados para seu moribundo PSDB. O vice-presidente da Assembleia, Júlio Campos (União) foi extremamente descortês: convidou a prefeita Andréia Wagner (Podemos), mulher de Max, para ser candidata a vice-governadora na chapa que seu irmão, o senador Jayme Campos (União) tenta construir, apesar da resistência de seu partido. O prefeito de Vila Bela da Santíssima Trindade, André Bringsken (MDB), entregava convites para o aniversário de seu município, que acontecerá no próximo dia 19. O suplente de deputado estadual Hugo Garcia (Republicanos) estava atento à espera de conversar com o União, MDB e PP, para se filiar a algum desses partidos. A deputada estadual Janaína Riva (MDB) ajoelhou-se para abraçar duas crianças no corredor de acesso ao ato e posou para fotos com elas. O deputado federal e pré-candidato ao Senado, José Medeiros (PL), permaneceu atrás de Max, para aparecer nas imagens e vídeos. A médica pediatra, presidente do PL em Canarana e pré-candidata a deputada estadual Cláudia Gervazoni, fez da festa um ponto de encontro com bolsonaristas Mato Grosso afora.

O segundo detalhe é que o ato não pode ser visto como demonstração de força política por parte de Max. Ninguém da esquerda aderiu ao Podemos. O que houve foi troca-troca, como acontecerá em relação a outros partidos, mas com o pessoal pulverizado nas siglas de direita.

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Sinceramente não fiquei para ouvir o discurso de Max, porque não faria sentido. Vejamos:

O novo líder do Podemos deixou o PSB por aquele partido, para não ter seu nome associado a Lula, nesta terra bolsonarista. Max criticar os seguidores de Lula soaria estranho. Alguém poderia perguntar: somente agora, às vésperas das eleições, ele viu que estava na canoa errada?

Todos sabem que governador é dono do poder e presidente da Assembleia seu sócio. É assim com Mauro Mendes (União) e Max. Não faria sentido ouvi-lo criticar – não sei se o fez – o pré-candidato ao governo Otaviano Pivetta (Republicanos), pois até hoje (amanhã e muito mais) eles são carne e unha, juntos com Mauro Mendes.

Criticar Wellington Fagundes seria um tiro no pé, por ingratidão. Quem conhece a trajetória de Max sabe que ele era funcionário de um posto de combustível, jovem, vibrante, com interesse político, e que Wellington o levou para o PL, o lançou candidato a vereador por Jaciara, e que ninguém mais o segurou.

Levantar a voz contra Natasha Slhessarenko, na véspera do Dia das Mulheres, por sua opção pela esquerda de Lula, não soaria bem, ainda mais para ele que até ontem era filiado ao PSB de Geraldo Alckmin, o vice-presidente.

Portanto, enfrentei engarrafamento no acesso ao evento, não ouvi o discurso de Max e notei que trânsito e política têm muito em comum: tão intensa quanto a movimentação da ida foi a da volta.

Foto midianews.com.br

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