Vigésimo sexto capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente.
O cerrado e a mata de transição, no Nortão, viraram cenário econômico e ganharam função social com o cultivo da soja e com a rotação da cultura com o milho safrinha e o algodão. Até 1978 ambos os biomas deixavam com o pé atrás os produtores de soja interessados na região, pois até então não havia nenhum indicativo de que a leguminosa se adaptaria bem naquela área abaixo do Paralelo 13.
Em Mato Grosso, abaixo do Paralelo 13, o arroz de sequeiro era a única cultura em escala. Em meio às dúvidas e incertezas o sonhador nissei Munefumi Matsubara botava a mão na massa – e no bolso – amansando o solo para a chegada da soja, que hoje é o carro-chefe da economia mato-grossense.
Pioneiro do cultivo da soja abaixo do Paralelo 13 em Mato Grosso, Matsubara acreditou na viabilidade desse projeto na região. Na fazenda Progresso, de 10 mil hectares, no município de Sorriso e perto de Lucas do Rio Verde Matsubara desenvolveu pesquisas agronômicas que lhe deram uma facada de US$ 1 milhão, entre 1972, quando arroz, e safra 77/78, quando cultivou a leguminosa em campos experimentais e em lavouras, senado a maior, de 3.600 hectares, com a cultivar UFV-1 da qual colheu 15 sacas por hectare.
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O dinheiro que saiu do bolso de Matsubara resultou na pesquisa que abriu a porteira para a soja no eixo de influência da Rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163) no Nortão.
Paulista de Vera Cruz e ex-morador no Paraná, Matsubara residiu em Sinop, onde militou nos meios empresariais.
Discreto, Matsubara não se preocupava em alardear seu feito e até desconversava sobre ele. Sua obra fala mais alto sobre a soja do que todas as vozes.
Seu ciclo de amizades lhe dispensava o carinhoso tratamento de seo Muni. Entre os produtores rurais era tratado com deferência e muitas foram as homenagens que o setor lhe rendeu. Da Assembleia Legislativa recebeu o Título de Cidadão Mato-grossense.
Vítima de um câncer, Matsubara morreu na madrugada do sábado, 7 de setembro de 2019, em Sinop, aos 81 anos. Seu corpo foi velado no Memorial Luz e Vida naquela cidade e em seguida transladado para Maringá (PR), onde foi sepultado.
A morte não separou Matsubara do Nortão. Lá, enquanto houver uma lavoura de soja sendo semeada, cultiva, colhida e transportada, ele estará ali representado por sua visão, ousadia e seus sonhos que ajudaram transformar o cerrado daquela região num dos sustentáculos da política de segurança alimentar mundial
PS – Continuem lendo a série. Na segunda-feira (23) o capítulo vigésimo sétimo.