Série Verso e reverso de Mato Grosso (23)

Eduardo Gomes

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Vigésimo terceiro capítulo da Série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente

Adir Sodré era a extensão humana da arte. Pintava como nenhum outro. Único. Encantava com suas cores e traços. Reinou humilde, bem ao seu estilo, nas incontáveis exposições individuais e coletivas em Cuiabá, Mato Grosso, no Brasil e mundo afora.

Com passos lentos, em paz, o artista caminhava para casa, no Centro Histórico de Cuiabá, quando seu coração parou de bater. Era a segunda-feira, 10 de agosto de 2020. Um acidente vascular cerebral fechou para sempre os olhos de um gênio inquieto, nascido em Rondonópolis no dia 9 de outubro de 1962 e que não cansava de se cobrar em busca da perfeição.

Mato Grosso perdeu o convívio com a expressão maior da geração artística de 1980, que revolucionou as artes plásticas na Terra de Rondon e naquele instante ganhou um acervo artístico que hoje, amanhã e daqui a décadas e séculos permanecerá como patrimônio cultural inigualável.

Um artista com a dimensão de Adir Sodré não pode ser apresentado por texto. Somente sua arte é capaz de mostrar quem ele foi, o quanto representa. A série não é de ilustração e, assim se curva reverente ao mestre da pintura, o senhor dos traços, a imagem da criação: Adir Sodré de Souza, o adolescente que deixou Rondonópolis por Cuiabá, onde em 1973 cruzou a porta do Atelier Livre da Fundação Cultural de Mato Grosso, e essa lhe abriu passagem ao mundo, com as bênçãos de seus orientadores Humberto Espíndola e Dalva Maria de Barros.

Sua arte saltava aos olhos pela exuberância de sus cores e por sua ótica sobre a temática social, mas com sua irreverência.

O mundo ficou pequeno para a arte de Adir Sodré, que sempre teve o sopro de incentivo do Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso.

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Adir Sodré nasceu, viveu e partiu em alardes, muito embora sempre mantivesse acesa a luz de sua genialidade e a explosão de sua arte. Na vida quase não teve tempo para mais nada que não fosse criar, pintar. A fechar os olhos estava acompanhado somente pela solidão de um ermitão famoso caminhando pela área com maior densidade histórica e cultural da tricentenária Cuiabá. Em vida dispensou pompas. Ao partir tinha nada menos do que o mundo por testemunha: o mesmo mundo que conquistou com a mistura de sua simplicidade com genialidade.

PS – Continuem lendo a série. Na quinta-feira (19), o vigésimo quarto capítulo.

Foto: Acervo MINSC

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