SENADO – A disputa sai do jogo de compadre e ganha novo tom

EDUARDO GOMES
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Em Mato Grosso até recentemente a corrida ao Senado – oficialmente pré-campanha – era um verdadeiro jogo de compadres. Ninguém apontava o dedo para o outro, pois na realidade, de modo geral, praticamente todos navegaram no mesmo barco, ainda que em siglas diferentes e até mesmo adotado um discursinho crítico jogando para a plateia. Porém, Pedro Taques (PSB) entrou em cena e criou o verdadeiro clima de disputa apontando dedo para o hoje e o ontem do governador Mauro Mendes (União) e  da deputada estadual Janaína Riva (MDB).

Taques bate na tecla de que a telefônica OI e o governo de Mauro Mendes fizeram um ‘negócio tenebroso’, que teria resultado num prejuízo de 308 milhões para os cofres públicos. Ele cita Mauro Mendes, Fábio Garcia, Berinho Garcia (pai de Fábio Garcia), Luiz Antônio Mendes (filho do governador), Cidinho Santos e outros como articuladores e beneficiários da suposta negociata. Nenhum dos mencionados retrucou, mas a Procuradoria-Geral do Estado PGE) o interpelou judicialmente; Taques disse que aguarda a citação, para apresentar provas do que afirma em vídeos gravados nas redes sociais.

Janaína Riva sempre se manifesta quando ocorrem feminicídios e defende prisão perpétua e pena de morte para os criminosos. Taques não a poupou. Em mensagens nas redes sociais ele alfineta a parlamentar dizendo que a Constituição não prevê nenhuma das condenações sugeridas por Janaína Riva, mas que se for eleito senador e havendo proposta de mudança constitucional ele votará pela prisão perpétua e pena de morte para os corruptos e contrabandistas de mercúrio. Ao se referir à aplicação da pena capital, Taques cita o pai de Janaína Riva, o ex-deputado estadual José Riva, que durante 20 anos controlou a Assembleia; menciona também o ex-governador Silval Barbosa, que o antecedeu no governo mato-grossense. Sobre mercúrio Taques mira Luiz Antônio Mendes.

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Com sua fala dura e direta, Taques tenta mostrar ao eleitor que Janaína Riva critica um crime que é abominado pela maioria, mas que não toca na questão da corrupção, para não expor o pai, que é corrupto confesso em delação premiada homologada pelo desembargador do TJ Marcos Machado; essa delação reduziu a pena amplicada a José Riva, que foi de 2 anos em prisão domiciliar e a devolver 92 milhões dos 175 milhões que ele confessou ter desviado dos cofres públicos.

Tomara que não somente Taques, mas que todos os pré-candidatos ao Senado revelem fatos sobre seus concorrentes. Quanto mais luz for lançada sobre eles, melhor será para o eleitor decidir sobre seus dois votos para a Câmara Alta. No entanto, é preciso que não haja exagero nem invencione para que o período eleitoral e as eleições aconteçam em clima democrático sem ataques pessoais – citar fatos desabonadores de candidatos e dos grupos que os apoiam não pode ser considerado ataque – ao contrário, pois ao apresentar a figura tal qual ela foi, é algo digno de elogios. Caso haja excessos a Justiça tratará de julgar e que ninguém se sinta ofendido, pois a vida pública não é casta que deixa seus integrantes acima da crítica nem lhes permite apresentar somente aquilo que lhes interessa.

Fala Pedro Taques! Fala Mauro Mendes! Fala Janaína Riva! Fala Antônio Galvan! Fala José Medeiros! Fala Carlos Fávaro! Vê-los calados ou dizendo algo seletivamente não é o que queremos.

 

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