Rupturas de Cláudio Ferreira e seu amanhã político

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes 

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Altemar e Cláudio no tempo dos bons ventos

Em Rondonópolis, o prefeito Cláudio Ferreira (PL) para um lado e o vice-prefeito Altemar Lopes (Podemos) para o outro. Não se trata de uma mera suposição ou citação aleatória. Os dois estão rompidos politicamente, mal começou o segundo ano da administração  que conquistaram graças aos 56.356 votos que receberam. Independentemente do que realmente tenha os empurrado ao rompimento, Cláudio precisa fazer correção de rumo, de imediato, sob pena de comprometer seu futuro político, o que inclui o projeto de eleição de sua mulher, Alessandra Ferreira (Podemos) para deputada estadual.

Política e mandato não podem ser entendidos como propriedade. O político tem que ser grande suficientemente para entender que sua vontade não tem prevalência e que oposição – tanto nascida em seu grupo ou aquela chamada de natural – é imprescindível.

Juscelino Kubitschek, o maior estadista da América Latina nos mostrou o caminho que o político deve seguir quando enfrenta oposição e até mesmo o golpismo. Por duas vezes oficiais aviadores da Aeronáutica ensaiaram golpes de estado e eles os indultou. Um desses foi o major Haroldo Veloso, que em 1956, no primeiro mês do governo de JK, liderou um levante na Base Aérea da Serra do Cachimbo (PA) e durante 19 dias conspirou em armas contra a democracia, até ser rendido. JK pediu ao Congresso que o indultasse, os parlamentares o atenderam, Veloso chegou à patente de tenente-brigadeiro e seu nome foi dado à base, que foi rebatizada de Campo de Provas Brigadeiro Veloso. Cito esse episódio, pela proximidade da base com Mato Grosso, sobretudo com Guarantã do Norte, em sua divisa.

Ruptura não é trilha por onde passa o líder. Cláudio está rompido com Altemar, que se abriga com Neles Farias (PRD) e juntos podem formar uma dobradinha parlamentar com ele para deputado federal e Neles para estadual. O empresário e dirigente classista Neles foi fiel escudeiro de Cláudio, e há mais tempo saiu de seu grupo.

A bajulação e a hipócrita submissão nos círculos políticos do poder não permitem que seus comensais alertem o líder sobre seus tropeços. Falando francamente, Cláudio perdeu Altemar e Neles, e ainda, a vereadora Luciana Horta (PL), que simplesmente foi o nome mais votados para o cargo em 2024.

Política se faz com obras e sorrisos. Isso, Cláudio faz muito bem. Mas, nem somente a construção e a boca escancarada garantem vitória eleitoral. Pensando no amanhã político e, de modo muito especial, numa boa administração para nossa cidade, o prefeito tem que mudar a rota. Ao invés de desagregar tem que agregar. Quem de peso eleitoral passou a apoiar Cláudio nesse período marcado para debandada de antigos aliados? Não vale responder que esse ou aquele vereador vota favorável aos seus projetos. Sem ofensa ao cargo, mas via de regra, o vereador bate palma para prefeito – Luciana Horta não está incluída nesta citação.

Alessandra Ferreira terá um palanque pesado para somar votos, mas ao mesmo tempo terá que disputar um dos primeiros lugares porque os eleitos não serão somente os filiados ao Podemos. Sua disputa direta será com Max Russi, Beto Dois a Um, Fábio Tardin, Adelcino Lopo, Gustavo Bang, Rafael Machado e Janailza Taveira. Num horizonte ampliado para o universo rondonopolitano ela concorrerá com os deputados Nininho, Sebastião Rezende e Thiago Silva – os dois últimos evangélicos iguais a ela; com Zé do Pátio, Luciana Horta, Neles Farias, Wendell Girotto e Paulo Schuh.

Blogs que não recebem recursos públicos aceitam colaboração. Este blog, também, pelo PIX 13831054134 do editor Eduardo Gomes de Andrade

Política tem desfechos imprevisíveis e é onde tudo acontece. Altemar não é um líder nem figura entre os principais políticos rondonopolitanos. Porém, na ruptura com Cláudio ele poderá ser beneficiado. Senão vejamos: Os três prováveis candidatos a deputado federal pelo município são: Júnior Mendonça, Rodrigo da Zaelli e Kalynka Meirelles. Nenhum convence nem mesmo a madrinha de batismo quanto à sua possibilidade de eleição. O eleitor observará isso e, quem sabe, não descarregará seu voto em Altemar em protesto contra Cláudio e, também, em defesa do chamado voto útil?

Comentários (0)
Add Comentário