Riva e Mauro Mendes contra o servidor público

EDUARDO GOMES
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Mauro, hoje; Riva, ontem: contra o servidor

Um grande escândalo abafado por um pequeno número de deputados estaduais. Assim é o caso dos consignados, que tantos danos causaram (e causam) ao funcionalismo público mato-grossense. Na Assembleia, os deputados Wilson Santos (PSD), Janaína Riva (MDB) e outros tentam instalar uma CPI para passar o caso a limpo, mas a base governista trava qualquer iniciativa nesse sentido. Essa não é a primeira vez que políticos lesam servidores. No começo dos anos 2000, quando o deputado José Riva controlava a Assembleia, seu funcionalismo também foi vítima de uma perversa manobra orquestrada por Riva. Sobre os fatos de agora, Janaína Riva e Wilson Santos falam, mas sobre ontem ficam calados.

O abuso que teria sido praticado pela empresa Capital Consig é de dominínio público desde que o advogado e pré-candidato ao Senado, Pedro Taques (PSB) passou a denunciá-lo nas redes sociais, mas com pouco espaço na mídia, fortemente governista. A manobra de Riva sequer é mancionada por alto. Para quem não sabe sobre ela:

Nos anos 1990 e 2000, havia verdadeira farra com o dinheiro público na Assembleia. Riva era citado pela mídia nacional como o maior ficha suja do Brasil. Dentre os escândalos da época, um virou motivo de chacota: o Escândalo das Calcinhas, que foi como se tornou conhecido o pagamento de notas fiscais pela Assembleia a uma loja de sex shop. Naquele período não havia controle sobre o duodécimo do Legislativo e, durante algum tempo, para que o servidor recebesse seu salário ele fazia um Crédito Direto ao Consumidor (CDC), no montante exato de seu recebimento, na agência 2363-1 do Banco do Brasil. A orientação da Assembleia era para que o servidor simplesmente assinasse os papéis bancários, que a Casa (é assim que a chamam) o quitaria. O banco, que é uma secular instituição bancária do governo federal, simples e estranhamente aceitava as operações. O movimento sindical subjugado, o Ministério Público distante e a Imprensa que é a mesma de hoje, não tomavam providência.

Em suma: o servidor pagava juros do CDC para receber seu salário na Assembleia, enquanto seus cofres eram saqueados, como Riva afirmou em delação premiada homologada pelo desembargador Marcos Machado (TJ), onde assumiu que esteve à frente de um rombo de 175 milhões.

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Resumo: Mato Grosso não pode ser passado a limpo apenas do segundo andar para cima. É preciso tornar público o primeiro andar. Para melhor entendimento: parte da classe política militante hoje, estava no poder á época dos CDC do Riva: Na esferas estadual e federal são eles: Wilson Santos, que era deputado federal pelo PMDB; Wellington Fagundes, que era deputado federal pelo PL; o pré-candidato a deputado federal Antero Paes de Barros (PSD), que era senador pelo PSDB; o pré-candidato a deputado estadual Zé Carlos do Pátio (PV), que era deputado estadual pelo PMDB; e Emanuel Pinheiro (PSD), que era deputado estadual pelo PFL e tenta assumir a pré-candidatura ao governo por seu partido.

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