Quanto custou o faniquito sobre o contestado com o Pará?
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
A verdade sobre o antigo Contestado com o Pará
O título acima foi postado neste blog no dia 1º deste mês, dedicado aos colegas jornalistas que naquela data celebravam o Dia da Imprensa.
Recomendo que leiam esse material no qual mostrava a pirotecnia verbal e nas redes sociais de figurinhas políticas esbravejando que haveria uma audiência de conciliação com o ministro Flávio Dino (STF) para rediscutir uma ação com trânsito em julgado que pacificou a questão de um contestado dando a posse de uma área de 22 mil km² ao Pará. No texto sublinhei que “Em 36 anos o governo sediado em Cuiabá nada fez por aquela região, e nenhum deputado ou deputada apresentou projeto em sua defesa ou destinou emenda parlamentar a ela”. Pena que Mato Grosso leia pouco e pior ainda é que não comenta absolutamente nada – por mais inconsequente seja o que alguém diz, desde que a figurinha esteja no poder. Enquanto a Imprensa reproduzia os faniquitos mantive meu texto realista.
Ouvi dizer que o tempo é saca-rolhas da verdade. O discurso de ontem, de reaver a área, mudou para o questionamento sobre a assistência que Mato Grosso dá aos que vivem na região que foi contestado. Que vergonha! O discurso que sacudia a Assembleia e agora está descartado levou a bancada federal e o governador Otaviano Pivetta à citada audiência conciliatória – essas autoridades não poderiam deixar de comparecer, face aquilo que foi dito no plenário da Assembleia e nas incontáveis aparições angelicais nas redes sociais.
Mato Grosso é muito grande para ser medido com a régua do faniquito eleitoral. Antes de tecer considerações sobre o que penso sobre a assistência mato-grossense na extraterritorialidade paraense, gostaria de saber quanto a Assembleia gastou nessa aventura e quem recebeu para prestar assessoramento jurídico ao Legislativo Mato-grossense? Saber sem rodeios.
Você sabia que Comodoro não tem centro de hemodiálise e que os pacientes que fazem sessão de hemodiálise são encaminhados para Vilhena, em Rondônia? Você sabia que nunca nenhum deputado estadual ou deputada estadual tocou nessa ferida?
Você sabia que a população de Rondolândia é atendida pela saúde de média e alta complexidade em Ji-Paraná (RO), onde também busca faculdade? Você sabia que a Assembleia permanece calada quanto a isso?
Você sabia que a Base Aérea do Cachimbo (PA) mantém uma escola na vila Gaúcho, de Guarantã do Norte, e que a Assembleia finge não ver?
Você sabia que moradores em Torixoréu atravessam a ponte sobre o Araguaia e buscam atendimento de saúde em Baliza (GO), que forma uma conurbação com Torixoréu? Você nunca ouviu sobre isso na Assembleia!
Você sabia que Alto Araguaia e Santa Rita do Araguaia (GO) são irmanadas, e que o mesmo acontece com Barra do Garças e Pontal do Araguaia em relação a Aragarças (GO)? A Assembleia também não fala sobre isso.
Mato Grosso não tem autoridade para criticar o vizinho Pará pelos fatos citados pelo faniquito na audiência de conciliação com Flávio Dino, por receber atendimento federativo oriundo do outro lado de sua divisa que se estende em linha imaginária entre os rios Teles Pires e Araguaia.
Mato Grosso precisa gritar internamente contra as desigualdades sociais e a incompetência política que prejudica os municípios. José Riva durante 20 anos controlou a Assembleia e no período não conseguiu a pavimentação da pista do aeroporto de Juara, sua cidade, que pela dimensão do município – do tamanho de Israel – depende da aviação executiva. Carlos Bezerra foi governador e não pavimentou a MT-130 entre Primavera do Leste e Paranatinga, sua cidade. Jonas Pinheiro foi o maioral do agronegócio e não levou nenhum benefício para Santo Antônio de Leverger, seu berço. A cobrança pela incompetência política contra o faniquito poderia continuar com mais exemplos, mas prefiro encerrar o texto perguntando: quanto o faniquito custou aos cofres irrigados pelo contribuinte?