O caso Oi e o amanhã de Mauro Mendes e Taques

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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Quem está com a verdade: Mauro Mendes ou Taques?

Uma denúncia robusta, didática sobre os fatos e os indícios apurados é o que apresenta Pedro Taques (PSB) contra o governador Mauro Mendes (União), seu filho Luiz Antônio Taveira Mendes, o deputado federal licenciado Fábio Garcia (União), o ex-suplente de senador Cidinho dos Santos (PP), o empresário Berinho (pai de Fábio Garcia), o desembargador do TJ Ricardo Gomes de Almeida, a operadora de telefonia Oi e uma vasta arraia-miúda que não é tão miúda assim. Num vídeo, como se estivesse em sala de aula, Taques mostra aquilo que seria o bê-á-bá de um esquemão entre os citados, que teria lesado o Estado de Mato Grosso em 308 milhões. A gravidade do fato denunciado não permite que ele fique restrito à irreverência popular por conta do Melô da Oi – marchinha de carnaval com fundo crítico, que povoa a internet questionando Mauro Mendes sobre o caso Oi. Imagino, que em nome da institucionalidade ou o governante processa o denunciante e venha a público apresentar defesa consistente ou assume a culpa e renuncia ao cargo para aguardar fora do poder a definição judicial com trânsito em julgado.

Em curtas entrevistas Mauro Mendes desqualificou a denúncia, mas não se aprofundou sobre o caso. O governo estadual questiona Taques judicialmente. Porém, não há vigor nem disponibilização de informações, o que não permite clareza sobre o fato.

Repetir a denúncia de Taques é acrescentar texto desnecessariamente. A partir dela, em respeito a quem a apresenta e dos que são citados, somente uma medida radical será suficientemente forte para impedir que Mato Grosso seja mantido – como está – no limbo pelo caso Oi.

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Taques denunciou o caso ao MP, PGR, TCE e a Assembleia Legislativa.

Não sei se o MP teria tempo para analisar a denúncia de Taques.

Não acredito que o TCE faça algo, porque sua trajetória é marcada pela aprovação dos balancetes mais absurdos, a exemplos dos apresentados por José Riva na Assembleia e Silval Barbosa no governo.

Não creio na independência da Assembleia para esse caso, como independente para outros tantos ela não foi, como o recente episódio das emendas parlamentares para compras pela Seaf de kits para a agricultura familiar.

Espero que a PGR aja com a celeridade que o momento requer e que bote tudo em pratos limpos.

Avalio que o escopo da denúncia de Taques, que faz o rastreio do entendimento entre o governo estadual e a Oi, poderá ser esmiuçado em curto tempo pela PGR – se já não o foi. Assim que a PGR se manifestar, saberemos se Taques mente ou se a mentira é de Mauro Mendes, como arma de defesa protelatória.

Prefiro aguardar. A paciência é aliada da presunção da inocência, que nesse caso está apenas de um dos lados da questão.

Se Taques mente, o lugar dele é na cadeia, pela gravidade da acusação abrangente que faz.

Se Taques diz a verdade e a PGR fizer tal constatação, imagino que o único caminho que restará a Mauro Mendes é renunciar ao cargo e aguardar em casa pela sentença que nesse caso fatalmente lhe será aplicada; assim, com o governante, também cairiam Fábio Garcia e Cidinho, que são políticos; ainda nesse caso, se confirmado o rombo, o desembargador Ricardo Gomes de Almeida deverá se aposentar amparado pela Lei da  Loman, contra a qual não há remédio em nossa frágil democracia de fortes leis para amparar os poderosos.

Dispensável é apresentar Pedro Taques, mas ele foi promotor de Justiça, procurador da República, senador e governador de Mato Grosso; é professor universitário, constitucionalista e pré-candidato ao Senado.

Em suma: não estamos diante de uma mera denúncia politiqueira tão comum em ano eleitoral. Os ventos que sopram dão conta de que algo muito grave aconteceu entre quatro paredes no Palácio Paiaguás e que o mesmo não pode permanecer fora do noticiário dos sites mato-grossenses, tão generosos no silêncio que protege os donos do poder, nem das redes sociais onde Lula, Bolsonaro e os ministros do Supremo Tribunal Federal recebem tratamento que não deve ser dado nem aos piores bandidos, mas em compensação as bocas que os achincalham não se abrem sobre as questões locais.

Que venha logo o desfecho para essa denúncia e que o silêncio cúmplice, menor e ultrajante de Mato Grosso não consiga desqualificá-la.

 

Foto: Secom em 1° de janeiro de 2019

 

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