O poder curativo da música é a aposta da maestrina Miriam Blos para transformar a dura vida de 113 crianças venezuelanas, de 4 a 16 anos, no projeto Canarinhos da Amazônia. Em uma casa em Pacaraima (RR), cidade brasileira que faz fronteira com a Venezuela, os meninos e meninas recebem refeições diárias, participam de atividades complementares à escola e formam o coral Canarinhos da Amazônia. No repertório, canções em português e espanhol.
“Eles chegam bem destruídos, sem esperança, como se ‘e agora?’. Para a criança é mais fácil fingir, mas quando começa a fome, bate o desespero na mãe, e ela não sabe o que fazer. Havia muitas crianças na rua e isso nos levou a abrir a Casa da Música”, conta Miriam. Ela já desenvolvia o projeto desde a década de 90, em Boa Vista. Mas quando teve início a crise migratória dedicou-se a atender apenas crianças venezuelanas. Todos os dias cerca de 500 pessoas, em média, atravessam a fronteira para o Brasil.
“A gente está muito preocupado com o futuro das crianças porque é a geração futura. É muito importante essa integração Brasil-Venezuela porque nós sempre fomos irmãos”, diz Miriam. No coral há ainda crianças indígenas venezuelanas de três etnias diferentes.
As músicas são escolhidas a dedo: mensagens positivas e melodias que acalmam são pré-requisito. “A criança começa a mudar os pensamentos. A fome já não é mais a mesma, eu já tenho o amor, alguém me acolheu. A música é esse instrumento lindo, esse instrumento de harmonia que conduz esse processo. Agora você vê o resultado de crianças que estão estudando, bem alimentadas e que já podem voltar a sonhar com um futuro para o nosso planeta”, relata Miriam.
Amanda Cieglinski – Repórter da TV Brasil Pacaraima (RR)
FOTO: TV Brasil