MT; Verso e reverso (119) – O golpe elesiástico de Dom Vunibaldo

Eduardo Gomes

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Capítulo 119 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o golpe eclesiástico que Dom Vunibaldo Talleur deu em Chapada dos Guimarães.

Em 1940 não existia o neopentecostalismo e o protestantismo tinha pouca presença em Mato Grosso. Em 13 de julho daquele ano a igreja católica criou a Prelazia da Chapada dos Guimarães e pela carência de bispos, o frei franciscano alemão Vunibaldo Talleur foi nomeado seu administrador até que em 1948 foi sagrado bispo no Rio de Janeiro.

Rondonópolis pertencia à prelazia da Chapada e Dom Vunibaldo mantinha sólidos laços de amizades com professores, religiosos e a colônia baiana rondonopolitana, e passou a viver mais em Rondonópolis do que na Chapada. Essa relação resultou na criação de escolas pelo prelado, com destaque para a Escola Sagrado Coração de Jesus, em 1949.


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Dom Vunibaldo queria morar em Rondonópolis e lutou para conseguir autorização, uma vez que a sede da prelazia era Chapada. A Nunciatura Apostólica é sediada em Salvador e ele foi até lá. O núncio era o italiano Dom Armando Lombardi, mas seus auxiliares eram quase todos da Boa Terra. O bispo da Chapada apelou ao bairrismo e pediu que os religiosos o ajudassem a convencer Dom Armando da necessidade da transferência de sua residência para Rondonópolis para que pudesse cuidar melhor das famílias baianas que deixavam seus municípios em busca de vida nova em Mato Grosso. Oxente! A força baiana conseguiu o OK do representante do papa no Brasil.

A Prelazia da Chapada ficou atípica. A sede numa cidade e o bispo em outra. Dom Vunibaldo expôs a situação à Sagrada Congregação Consistorial, que sem pestanejar disse amém ao seu pedido.

Chapada sofreu um golpe de estado eclesiástico com Dom Vunibaldo. Rondonópolis, por sua vez, tornou-se sede regional da igreja que ditava o tom teocrático do poder, sobretudo nas pequenas localidades.

O saudoso radialista e deputado estadual Clóvis Roberto Balsalobre de Queiroz dizia que Dom Vunibaldo era o alemão mais rondonopolitano do mundo.

Em 7 de março de 1971 o bispo franciscano Dom Osório Willibaldo Stoffel substituiu o alemão mais rondonopolitano do mundo. A prelazia foi elevada à diocese em 15 de fevereiro de 1986 e Dom Osório permaneceu evangelizando até 22 de março de 1998, quando foi substituído pelo bispo Dom Juventino Kestering.

Dom Juventino Kestering era o titular da Diocese de Rondonópolis, quando em 25 de março de 2014 o Papa Francisco desmobilizou a Diocese de Guiratinga dando lugar à Diocese de Rondonópolis-Guiratinga, com sede na primeira. O bispo em Guiratinga era o irlandês Dom Derek John Christopher Byrne, que assumiu a Diocese de Primavera do Leste-Paranatinga.

Dom Juventino Kestering morreu em Rondonópolis no dia 28 de março de 2021, vítima da covid-19, no período mais crítico daquela pandemia mundial.

Em 23 de outubro de 2022, Dom Maurício Silva Jardim foi empossado canonicamente na Diocese de Rondonópolis- Guiratinga, após percorrer ruas numa carreata, ser agraciado com o Título de Cidadão Rondonopolitano e receber a chave simbólica da cidade, que lhe foi entregue pelo vice-prefeito Aylon Arruda e o presidente da Câmara, Roni Magnani

A Diocese de Guiratinga nasceu como prelazia em Araguaiana, com o nome de Prelazia do Registro do Araguaia, em 12 de maio de 1914. Porém, em 27 de maio de 1969 o Papa João Paulo II a transferiu para Guiratinga e Dom Camilo Faresin foi seu titular, permanecendo à sua frente até 1992.

Em Guiratinga, Dom Camilo Faresin foi o grande líder da população durante a maior parte do ciclo do diamante, que se estendeu da criação do lugar até meados dos anos 1990. Tanto quanto Poxoréu, Guiratinga extraiu muito diamante e suas pedras sempre estiveram entre as melhores do mundo para fins gemológicos.

Guiratinga, além da efervescência do garimpo, era polo referencial de saúde recebendo pacientes do município e entorno, que recorriam ao Hospital Santa Maria Bertilla, fundado por Dom Camilo Faresin, e que ao longo de 40 anos acolheu a todos, indistintamente, sendo que o médico Odoni Grhös, no período realizou cinco mil partos.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (9), o capítulo 120.

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