Em Mato Grosso, o MDB não é mais aquele. Não é mais o partido de esquerda. Não é mais o partido que o povo carinhosamente chamava de Manda Brasa. Pela primeira vez a legenda do Dr. Ulysses Guimarães e de Carlos Bezerra não lançou candidaturas para deputado federal, sob a estranha alegação de que centrará forças para o Senado e o Legislativo Estadual. Em meio a isso, a chapa para a Assembleia sofreu dois revezes: desistiram de suas candidaturas o suplente de deputado estadual Damiani da TV e a vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia. Com a naturalidade da criança que bebe um copo d’água, a cúpula partidária permanece calada enquanto a legenda se afasta do embate político e avança para o berço familiocrata.
A meta do MDB demonstrada na prática é a eleição de sua presidente regional e deputada estadual Janaína Riva para o Senado; a vitória do senador Wellington Fagundes (PL) para o governo – Wellington é sogro de Janaína Riva; e marcar presença na próxima legislatura na Assembleia com Jéssica Riva, irmã de Janaína Riva, e de um ou dois deputados do partido – pela avaliação de analistas estes nomes seriam de Dr. João e Eduardo Botelho.
MDB perdeu Damiani que teve mais de 27 mil votos
A implosão da chapa do MDB para deputado federal atingiu os ex-prefeitos Kalil Baracat, de Várzea Grande, e Rosana Martinelli, de Sinop, que eram pré-candidatos; Rosana é segunda suplente de senadora na chapa de Wellington Fagundes. A decisão de tirar o corpo fora da disputa deixa o partido sem grandes nomes capazes de puxar votos para a legenda em duas das principais cidades de Mato Grosso; em Sinop resta a candidatura a deputado estadual do suplente de deputado estadual Silvano Amaral, mas em Várzea Grande, não há nenhum nome.
MDB perdeu a vice de Cuiabá, Coronel Vânia
As desistências de Damiani da TV e da Coronel Vânia esvaziam a legenda para a Assembleia. Damiani foi vereador por Sorriso, e em 2022, pelo PSDB, recebeu 24.793 votos ficando na suplência, mas foi mais votado do que os deputados eleitos Paulo Araújo (PP), Wilson Santos (PSD) e Elizeu Nascimento (PL). A Coronel Vânia é estreante em política, mas segundo avaliações de jornalistas que cobrem caderno de Política, ela teria uma votação expressiva para a Assembleia.
MDB perdeu a ex-prefeita de Sinop, Rosana Martinelli
Com o palanque esvaziado pelas ausências de Kalil Baracat, Rosana Martinelli, Damiani da TV e da Coronal Vânia, além daqueles que deixaram o partido, a exemplo dos deputados federais Emanuel Pinheiro e Juarez Costa, dos suplentes de deputado federal Valtenir Pereira e Juliana Kolankiewicz, e do deputado estadual Juca do Guaraná, o MDB fica próximo de ser rotulado partido familiocrata pelos laços de Janaína Riva com Jéssica Riva e Wellington Fagundes.
MDB perdeu o deputado Juca do Guaraná
Essa pecha ainda não pegou graças à filiação do deputado estadual Eduardo Botelho, que em 2024 foi massacrado nas urnas na disputa para prefeito de Cuiabá, e que agora, em tese, é o terceiro nome na lista do partido para a Assembleia, o que poderá lhe render uma primeira suplência.