Mauro Mendes acredita que vence Jayme Campos na convenção da União Progressista. Crê, mas não tem certeza. O que lhe falta em crença sobra em articulação. Tanto assim, que mandou Eduardo Botelho para o MDB, abortou a ida de Fábio Garcia para o Podemos e não permitiu a filiação de Nelson Barbudo (PL). A razão: garantir maioria no diretório para a eventual disputa sobre o direcionamento do partido quanto à eleição para governador.
Portanto, Botelho não foi para o MDB por conta de projeto político dele ou de alguém. Mauro Mendes o convenceu a aderir, talvez com algum tipo de compromisso de mobilizar lideranças municipais para sua campanha à reeleição. Nenhum partido seria inocente a tal ponto: enxotar um político que conquistou 51.998 votos sendo o terceiro deputado estadual mais votado na legislatura em curso, como é o caso de Botelho, que além das urnas cheias Mato Grosso afora, foi presidente da Assembleia, onde costurou apoio de prefeitos pela força de Oração de São Francisco.
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A Imprensa Amiga não analisa o vaivém partidário, para evitar ferir seus compromissos. Mas, a verdade é que Mauro Mendes não consegue transferir alguns votos no diretório ao “não” à candidatura ao governo, para seu partido ao invés de disputar o cargo apoiar Pivetta no Republicanos. Botelho estava entre os irredutíveis, pela consanguinidade com Jayme, amizade e a grande relação de negócios que sua família tem com Jayme. Daí funcionou a habilidade de Mauro Mendes, o que levou Botelho para o velho Manda Brasa, com o qual não tem nenhuma afinidade política.
Mauro Mendes ficou livre de Botelho no ambiente interno de seu partido, mas o terá entre seus fortes cabos eleitorais, para o Senado. O ex-governador que acaba de deixar a cadeira para Pivetta, também teria articulado com Max Russi (Podemos) para que esse tirasse Júlio Campos da União Progressista e o lançasse candidato a deputado federal. Nem é preciso dizer que Júlio é irmão de Jayme e praticamente a única figura que o divulga na mídia. Seria o melhor dos mundos para Mauro Mendes – na esfera do diretório – se ver livre de Botelho e Júlio.
A isso é preciso somar que Fábio Garcia queria se filiar ao Podemos, na expectativa de ser companheiro de chapa de Pivetta. A vontade de Fábio era incentivada por Mauro Mendes, para que o nome mais votado para a Câmara em sua federação fosse sua mulher Virgínia Mendes. Porém, Mauro Mendes acendeu a luz amarela e entendeu que o voto de Fábio na convenção é importante para o eventual confronto com Jayme. Daí que o projeto Virgínia Mendes tem menor peso para o futuro do grupo de Mauro Mendes do que a eleição de Pivetta. Assim, com Fábio a um passo de cruzar a linha de chegada, Mauro Mendes o segurou pela camisa, e mais: barrou a filiação do deputado federal Nelson Barbudo, ao qual enviou para Max no Podemos, pois Nelson Barbudo não tem o umbigo grudado no Palácio Paiaguás.
Para se compreender o que acontece não é preciso muito. Basta entender que os deputados federais e os deputados estaduais são membros natos dos diretórios regionais. Observem: Botelho foi jogado para escanteio e Fábio mantido, o que terá reflexos em caso de disputa na convenção. E se Deus não tiver pena de Jayme, Júlio embarca na canoa de Mauro Mendes e o quadro ainda fica melhor para Pivetta. Isso sem falar que a pajelança prepara o bote para expurgar o deputado estadual Sebastião Rezende com seus 36.919 votos.
Assim age Mauro Mendes e a Imprensa Amiga simplesmente reproduz o que ouve, como se jogar pela janela dois deputados que juntos somaram 88.917 votos não fosse uma temeridade eleitoral digna de ir para as manchetes.
Resumo: o mundo de Mauro Mendes é bom, mas pode ficar melhor, pois Valmir Moretto (Republicanos) está sendo puxado para a federação do ex-governador, o que reforçaria sua liderança sobre o diretório. Para quem não identificou Moretto, ele é aquele deputado que recentemente dançou, deu socos no ar e cantou comemorando uma licitação de quase 200 milhões que generosamente o governo Mauro Mendes o contemplou.
Enquanto isso, Botelho estufa o peito e diz que apoiará Jayme na campanha. Pela analogia popular Botelho imita o indivíduo que atira na vítima e chora sobre seu caixão no velório