Xavantes protestam contra a falta de água em São Marcos
Os xavantes da Terra Indígena São Marcos experimentam a grave situação da falta de água para beber. Isso, porque nem todas as aldeias contam com poços artesianos ou a vazão deles é insuficiente. Acostumados à liberdade no cerrado intocável de seu território com 188 mil hectares, os indígenas daquele território se viram de uma hora para distantes do rio das Mortes embora ele banhe vários de seus aldeamentos. O rio está severamente poluído e a alternativa dos poços a cada dia é mais e mais abstrata porque o Distrito Sanitário Especial Xavante (DSEI) de Barra do Garças não perfura mais poços nem anuncia política para garantir o abastecimento de água nas 60 aldeias dos xavantes.
A reclamação é do líder xavante da ala jovem, Vanderlei Burure Wadi Wadzerepruwe, o Vanderlei Xavante, da aldeia Nossa Senhora de Guadalupe em São Marcos. Segundo Vanderlei Xavante, desde 2013 o DSEI não perfura poços em São Marcos, e naquele ano, o cacique Domício Xavante, da aldeia João Paulo II, solicitou um poço, mas que até agora, “sequer resposta ele teve”, lamenta o indígena.
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Em São Marcos estão aldeados cerca de 5.200 xavantes, e que entre elas há muitas doenças de veiculação hídrica, porque nem todos conseguem evitar de beber água do rio das Mortes e de seus afluentes que nascem fora do território dos xavantes. Vanderlei Xavante observa que o rio das Mortes é ladeado por imensas lavouras de algodão, soja e milho, desde sua nascente na Serra São Vicente, no município de Santo Antônio de Leverger. O agrotóxico arrastado pelas enchentes cai no leito do rio. O líder Xavante lamenta não somente a falta de poços artesianos, mas, também a inexistência de uma zona de amortecimento ambiental para barrar a chegada do agrotóxico às águas que banham seu território. Segundo ele, a situação é a mesma nas demais terras de seu povo em Chão Preto, Parabubure, Pimentel Barbosa, Sangradouro-Volta Grande (compartilhada com os bororos), Ubawawe, Marechal Rondon, Marãiwatsédé e Areões, todas no Vale do Araguaia e banhadas pelos principais rios da região.
O blog tentou contato com o DSEI em Barra do Garças, mas os órgãos públicos deixaram de funcionar na véspera do Natal e somente retomaram às atividades na próxima semana.