Eraí quer apenas o governo e o Senado

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Eraí Maggi Scheffer tem dinheiro e não economiza nas articulações políticas em defesa de seus interesses econômicos. Nas últimas eleições ele foi poderosa figura na penumbra, onde mexia os pauzinhos nos comitês mais nobres, como o de Mauro Mendes em 2018 e 2022. Eraí não se cansa de ganhar dinheiro e quanto mais tem, mas entende que sua fortuna precisa de forte blindagem política. Com esse entendimento ele quer montar um chapa ao governo com Otaviano Pivetta (Republicanos) e Janaína Riva (MDB), além de concorrer com outros nomes àquele cargo e ao Senado. Isso, sem falar na Presidência pois independentemente de quem conquiste a faixa presidencial, a vitória também será dele tanto com Lula 4 quanto com o Bolsonaro Substituto.

Eraí navega em águas de calmaria. Ao anunciar que quer Janaína Riva vice de Pivetta, a dócil Imprensa noticiou o fato com a ternura de mãe para o filho que amamenta, e as redes sociais não deram um pio crítico sequer – faço a ressalva da exceção, mas não a vi – pois a regra em Mato Grosso é desancar Brasília e bailar ao ritmo do poder nesta terra abençoada, ensolarada, de oposição confiável, de produção superlativa e produtividade invejável.

A chapa de Eraí

Eraí é ambidestro politicamente, e nisso parece muito com a classe política. Ele não busca mandato, mas precisa do poder entre as lavouras mato-grossenses de perder de vista, que se fossem um país seria o terceiro maior produtor mundial de soja, e conservaria o segundo lugar no mundo, entre os produtores de algodão.

Eraí é habilidoso. Imaginemos que ele consiga plantar a chapa Pivetta e Janaína Riva. Com ela, a safra de poder talvez seja abundante. No entendimento dele, o segundo colocado para governador seria Wellington Fagundes (PL), sogro de Janaína Riva, que ainda teria mais quatro anos de mandato no Senado – de gabinete aberto para atendê-lo, e na visão dele, Eraí, remanejando Janaína Riva – facilitaria a eleição de Mauro Mendes (União) para o Senado e a reeleição do senador Carlos Fávaro (PSD), que ele indicou a Lula para ser ministro da Agricultura.

A imagem diz tudo

Eraí não brinca em serviço. Com um plano assim ele teria nas mãos o governador, a vice-governadora e os três senadores, sem necessidade de justificativa ideológica, partidária ou grupal. Eraí é obstinado e deverá semear esse projeto. Creio que nenhum eleitor questionará ideologicamente essa composição. Vejamos: Mauro Mendes, Pivetta, Janaína Riva, Wellington e Fávaro não podem ser avaliados por ideologia, pois transitam bem entre a direita e à esquerda. Senão vejamos:

Mauro Mendes, filiado ao PSB e com Verinha Araújo, do PT, disputou a Prefeitura de Cuiabá.

Pivetta até recentemente era brizolista de pilcha e cuia de chimarrão, com um sotaque gauchesco tão forte, que se pronunciado rapidamente precisava de intérprete para ser compreendido.

Wellington também foi do PDT,  para ser secretário de Dante de Oliveira, filiou-se ao PSDB e de Lula e Dilma recebeu carta branca para controlar o Dnit.

Fávaro, segundo analistas, tem um pé numa canoa e outro, noutra, com o detalhe que ambas são de Eraí, desde a época em que presidiu a Aprosoja.

Janaína Riva entre eles é quem tem menos tempo de política – em 2014, seu pai, o então deputado estadual José Riva, foi alcançado pela Lei Ficha Limpa, depois de quase duas décadas de luta do Ministério Público; ficou inelegível e em delação premiada homologada pelo desembargador Marcos Machado (TJ) assumiu que liderou uma roubalheira de 175 milhões na Assembleia; Riva foi condenado a uma pena de quatro anos em prisão domiciliar e a devolver 92 milhões. Fora da disputa, de última hora Riva lançou a filha Janaína Riva para deputada estadual, lhe deu apoio e mobilizou sua base, que não era nem de direita nem de esquerda, e mais tarde, levada por Carlos Bezerra, ela foi para o MDB.

Hoje, vi num site de Cuiabá que em razão do plano de Eraí, Janaína Riva estaria evitando os repórteres. Isso, no entanto, não altera o que está em jogo.

Blogs que não recebem recursos públicos aceitam colaboração. Este blog, pelo PIX 13831054134 do editor Eduardo Gomes de Andrade

Eraí – avalio – imagina que está com a plantadeira e a semente na mão – e o tempo é bom. Porém, para seu plano avançar será preciso derrotar Jayme Campos (União) e Natasha Slhessarenko (PSD) ao governo; e José Medeiros (PL), Pedro Taques (PSB) e Antônio Galvan, bolsonarista sem partido, para o Senado.

Eraí terá oportunidade de mostrar força nas urnas. Creio que quando nada ele embaralhará as cartas. Se, porém, houver frustração de plano, ele terá a alternativa de trocar de cidade: mudar para Gilmarândia onde já cultiva e, assim, poderá repetir Moreira Cabral, ao fundar Cuiabá. Só que ao invés de ouro, ele garimpará soja, e disso ele entende desde a lavoura ao burburinho da Bolsa de Chicago, passando pelo arrendamento de terra no Chapadão do Parecis, por cooperativas, pelas trades e pelos políticos do agronegócio que gravitam ao redor do reino da soja, onde o rei é ele.

Fotos:

1 – Veja

2 – hipernoticias.com.br

3 – Rogério Florentino

Comentários (0)
Add Comentário