É tempo de sair do banco

 

EDUARDO GOMES

@andradeeduardogomes

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Creio que Otaviano Pivetta esteja elétrico, querendo entrar em campo depois de sete anos no banco de reserva da vice-governadoria. Minha crença metafórica ganha contornos de realidade nesta terra onde o futebol é referência para quase tudo:

– A área equivale e mil campos de futebol (sobre desmatamento).

– Bola pro mato que o jogo é de campeonato (sobre medidas para evitar o pior).

– Foi gol contra (sobre burrada).

– Bola murcha (alguém sem serventia).

– Aos 45 do segundo tempo (de última hora conseguir reverter algo que parecia irreversível).

– Driblar a crise (sair de situação financeira embaraçosa).

– Suar a camisa (dar duro).

– Correr para o abraço (uma conquista com sabor de gol).

– Tirar de letra ou matar no peito (dominar uma situação, como o craque faz com a bola).

– Ganhar no apito (uma sentença injusta ou comprada).

– Reserva de ouro (melhor que o titular).

Portanto, o que imagino sobre Pivetta, pré-candidato ao governo, é absolutamente normal. Depois de sete anos na reserva do governador Mauro Mendes, claro que o vice-governador tem toda razão em sonhar com a titularidade neste ano que começa.

Avalio que a vice-governadoria engessa Pivetta, por mais liberdade que tenha no governo dirigido por Mauro Mendes – e por maior que seja sua articulação nos bastidores e sua participação. Sua visão é exatamente o que Mato Grosso precisa para o grande salto que o levará ao topo do sistema federativo brasileiro. A experiência empresarial e o acúmulo de conhecimento na vida pública conferem a ele um protagonismo que nem mesmo a soma da capacidade dos demais pré-candidatos ao governo tem.

Mato Grosso ao longo dos últimos 35 anos construiu uma sólida posição no contexto da política de segurança alimentar mundial. Essa condição resulta em alguns benefícios sociais, mas precisa de capilarização para alcançar o maior número possível de mato-grossenses não somente nos polos da agroindústria em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Tangará da Serra, Sorriso, Rondonópolis, Mirassol D’Oeste e Água Boa, mas, também em Araguainha, Reserva do Cabaçal, Carlinda, Tesouro, Alto Paraguai, São Pedro da Cipa, Barão de Melgaço e outros pequenos municípios. Pivetta, com seu perfil é a figura indicada para liderar esse processo.

Por que vejo a liderança de Pivetta para liderar o passo decisivo? Vejo, pois ao longo de sua trajetória ele sempre avançou decididamente rumo à capilarização citada. Prefeito de Lucas, Pivetta foi audacioso, pavimentou a cidade inteira, teve o olhar voltado para o meio ambiente, fez da Educação exemplo para Mato Grosso – e na sua ousadia criou as agroestradas, pavimentadas como as estradinhas rurais da Alemanha e da Bélgica.

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Penso que 2026 será um ano de guerra de foices no escuro, com Natasha Slhessarenko sendo tudo menos herdeira de seu sobrenome; que Wellington Fagundes terá amnésia sobre o Dnit e a indicação de secretários no governo de Silval Barbosa, e que não se sentirá confortável caso tenha que prestar contas de seu longo período parlamentar; que Jayme Campos se apresentará na pele de um jovem disposto a concorrer ao Paiaguás para corrigir falhas de antecessores – dentre os quais as de seu governo (1991/94); e que nesse contexto Max Russi de roupagem partidária nova possivelmente se faça presente sem saber qual vela apagará, pois acendeu tantas para tantos. É nesse mar revolto que Pivetta  partirá em busca da titularidade louco para ouvir o treinador lhe dizer: Vai, garoto, entra e arrebenta – nesse caso o técnico é o eleitorado, dentre os quais me incluo.

Portanto, Pivetta, saia do banco. Mato Grosso precisa de sua ousadia, igual aquela que Lucas do Rio Verde demonstrou quando por pirraça Dante de Oliveira não instalou naquela cidade uma estação de rebaixamento do linhão Cuiabá-Alta Floresta, e dois atos de indignação e defesa local derrubaram torres de transmissão, o que levou o governo a entender que estava errado.

Mato Grosso tem que correr contra o tempo e em busca do mix de desenvolvimento com crescimento; para tanto precisa de Pivetta, com a maturidade, de quem conhece o caminho das pedras para a justiça social, o desenvolvimento uniforme, os cuidados ambientais e o mercado internacional antes que alguma aventura o leve ao retrocesso ou à estagnação por conta de descompasso eleitoral.

Que venha logo Pivetta, pois 2026 é tempo de sair do banco.

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