Dois dedos de prosa sobre Alessandra Ferreira

EDUARDO GOMES
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Alessandra Ferreira

Na entrevista que concedeu ao Jornal A Tribuna, no dia 27 deste mês, o prefeito Cláudio Ferreira botou o dedo na ferida sobre a realidade administrativa e a relação institucional da Prefeitura de Rondonópolis com a bancada rondonopolitana na Assembleia e o governo estadual. Em meio ao chororô, o repórter lhe perguntou, em outras palavras, se a eventual candidatura de sua mulher, a secretária municipal de Promoção e Assistência Social, Alessandra Ferreira – e claro, sua eleição – não seria importante para abrir portas e canalizar recursos ao município. Cláudio Ferreira respondeu que “sim”, mas não se aprofundou no assunto. Gostei da sugestão, por defender mais protagonismo para Rondonópolis e consequentemente melhor qualidade de vida para sua gente, não somente em sua base territorial, mas em seu entorno.

Não temos o voto distrital, mas os políticos e os eleitores precisam se agrupar pela representação regionalizada geograficamente, como faz o deputado estadual Dr. Eugênio (PSB) que concentra seu mandato no Vale do Araguaia, onde reside na cidade de Água Boa. Rondonópolis sempre marca presença na Assembleia, mas os deputados rondonopolitanos capilarizam seus mandatos.

Em 2001 vi Zé Carlos do Pátio (à época bezerrista no PMDB) entregando o serviço de água em Santo Antônio do Fontoura (de São José do Xingu), numa época em que a água não era universalizada em Rondonópolis. Presenciei  Thiago Silva (MDB) levando em avião cantores para o aniversário de Vila Bela da Santíssima Trindade, município administrado por seu correligionário André Bringsken. Na recente visita de Mauro Mendes a Alto Taquari, Nininho (Republicanos) distribuiu nota comemorando a inauguração da pavimentação de 26 quilômetros da MT-465, obra de 30,6 milhões, canalizada por ele. Na maioria dos municípios há obras destinadas por Sebastião Rezende. Essa atuação Mato Grosso afora é boa para o fortalecimento político de Rondonópolis na esfera estadual, mas na prática não contribui em nada com a Cidade de Daniel Moura.

Rondonópolis é um polo muito grande, mas para efeito de composição de poder político – avalio – deveria ser enxugado para seu entorno em Pedra Preta, Itiquira, São José do Povo, Guiratinga, Tesouro e Poxoréu, numa área com 34.058 km² formada por sete municípios e habitada por 336.247 cidadãos. Esse território representa 3,77% dos 903.208 km² de Mato Grosso e 9,19% de sua população de 3.658.649 residentes.

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Imagino um bolsão assim, porque sei que a família sai de São José do Povo para fazer a compra do mês nos supermercados rondonopolitanos; que o paciente do SUS em Tesouro é transportado de ambulância para o Hospital Regional de Rondonópolis ou para a Santa Casa; que a juventude universitária de Pedra Preta faz o percurso diário cruzando o Lourencinho nos dois sentidos em busca da UFR; que o pecuarista guiratinguense negocia seu gado na vizinha mais importante; que os laços com Poxoréu sempre foram, são e continuarão muito sólidos em todos os aspectos; e que o produtor rural de Itiquira permanecerá comprando sementes de seus antigos fornecedores rondonopolitanos.

Recursos extraorçamentários, quer sejam de emendas parlamentares, convênios ou outras fontes para Rondonópolis refletem no bolsão formado por aquele e os seis municípios vizinhos, e vice-versa.

Nem penso em incluir Jaciara, Juscimeira, São Pedro da Cipa e Dom Aquino, todos no Vale do São Lourenço, ao bolsão, pois aquela região forma um núcleo no polo de Rondonópolis e tem a liderança política do presidente da Assembleia, Max Russi. De igual modo excluo Alto Garças, Alto Taquari, Araguainha, Ponte Branca e Ribeirãozinho, que convergem para Alto Araguaia, à margem da BR-364 e tendo um terminal da Rumo Logística ao lado. Também isolo Campo Verde, Nova Brasilândia, Planalto da Serra, Novo Santo Antônio e Paranatinga, que gravitam no entorno da bela Primavera do Leste a um passo dos 100 mil habitantes.

Nada pelo isolacionismo em relação a Mato Grosso, nem pensar que na Assembleia Alessandra Ferreira não fiscalizaria os atos do governo nem defenderia as bandeiras da territorialidade mato-grossense. Longe disso. Defendo somente que tenhamos voz em plenário, nas articulações de bastidores e junto a todas as esferas dos governos estadual e federal.

Diante disso, torço para que Alessandra Ferreira seja candidata à Assembleia. Sua sensibilidade feminina que tantas vezes demonstrou no exercício de seu cargo de secretária, o apoio do marido Cláudio Ferreira e uma grande convergência que espero seja formada em torno de seu nome, certamente nos darão uma parlamentar combativa em defesa da terra onde ela, seus filhos e Cláudio Ferreira nasceram.

Candidatura implica em filiação partidária. Alessandra Ferreira recebeu convite para o Podemos que a partir de março será dirigido por Max Russi, e do Novo, do vereador rondonopolitano Wesley Cláudio, que era cotado para concorrer à Assembleia, e que abriu mão para apoiar Alessandra Ferreira. Que se defina a bandeira partidária, que certamente será de perfil conservador de direita, que é a ideologia de Cláudio Ferreira.

Poder é para ser exercido. Não pode ser delegado. Rondonópolis deve abraçar o nome de Alessandra Ferreira. Por força da legislação Cláudio Ferreira deixou sua cadeira na Assembleia para Chico Guarnieri (PRD), que nunca ouviu falar em Brocodoro, Bajara, Marajá, Beroaba, Jarudore, Naboreiro, Paulista, Ponto Chic, Petrovina, Nova Galileia, Vale Rico, Vila Mamed, Paraíso do Leste, Cassununga, Jardim das Flores, Coreia, Jurigue, Vila Cardoso e Mineirinho e não sabe quem foi o Cabo Marciano, Terezinha da Conceição Vilela Costa, Dom Camilo Faresin, Irmã Luiza, Francelino Pedro da Silva Filho – o Francinha, Marinho Franco,  pastor Juvêncio Cunha, Lídio Magalhães, professora Edith Pereira Barbosa, sensei Manao Ninomiya, Nelson Orlato, Djalma Pimenta, Rozendo Ferreira, Hélio Garcia, Dr. Muniz, Aroldo Marmo de Souza, Bruna Paes, Afro Stefanini, Antônio Ribeiro Torres, Artêmio Capellotto, Zé Turquinho, Noda Guenko, Gilberto Lopes, André Maggi, Anfilófio de Souza Campos, Herculano Muniz, Elza Lima, Ananias Martins de Souza, Dario Hiromoto, Celso Jardim Rodrigues da Cunha, William Rodrigues Dias, Arolda Dueti, Antônio Estolano, Toninho Medeiros, Sátiro Castilho, Candinho Borges Leal, Luthero Silva, Antônio Abóbora, Lauro Mendes,  B. Cunha, Gilson Lira, Ailon do Carmo, João Antônio Fagundes, Celina Bezerra, Fausto Faria, frei Milton, Eutímio de Matos, Valdivino Alves, Alarico de Barros, Marcos Reis, João Batista Ferreira Borges, Antônio Luiz de Castro, Adolpho Tadeu Vieira, Ricardo Leão Cambraia, Lamartine da Nóbrega, professor Tati, Jupia Oliveira, Otacílio Fontoura, Rosalvo Faria, William Cândido Moraes, Soraiha Miranda de Lima, Ildon Peres, Lucas Pacheco de Camargo, Dom Osório, João Marinho Falcão, Jacinto Silva, Rosalvo Faria, professora Elby Milhomem, Dr. Braz Simões Nogueira, Carlos Daltro, Luiz Montanha, Walter  Ulysséa, Aguinaldo Lucena, Beda Moraes, Getúlio Balbino Guimarães, Isidoro Abílio de Moraes Filho, Miguel Ramos, Messias Magalhães, Dr. Mário Perrone, Lena Mello,  William Drosghic, Hermínio Barreto, Ana Matielli, Nelson Pereira Lopes, José Pinto, José Carlos Pfeifer, Cláudio Xavier de Lima e tantos outros vultos da nossa região.

Que o questionamento de A Tribuna seja o ponto de partida para a arrancada de Alessandra Ferreira. Rondonópolis, o município superlativo econômica e socialmente, também é uma terra de demandas reprimidas que para serem solucionadas depende do Palácio Paiaguás, que independentemente de quem o ocupe, somente age quando uma voz se levanta na Assembleia para sacudi-lo.

Espero que essa voz tenha a força feminina de Alessandra Ferreira, para que o silêncio de agora não continue criando embaraços ao desenvolvimento que teima em buscar Rondonópolis para seu endereço.

Foto: blogdoeduardogomes

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