CPIs superficiais para blindar investigação do caso Oi

EDUARDO GOMES
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Na verdade, o cidadão está de saco cheio com a classe política. Assunto sobre CPI entra por um de seus ouvidos e sai pelo outro. No entanto, a instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso – por mais que aquele legislativo tenha a tradição do engavetamento e esvaziamento – pode resultar em complicações para os alvos das mesmas. Por isso, o governador Mauro Mendes (União) movimentou céus e terra pela criação de três CPIs insossas e – seguramente – inconstitucionais para barrar a possível – ainda que remota CPI para investigar o escândalo da telefônica Oi amplamente divulgado pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), dando conta do sumiço de 308 milhões e que segundo o denunciante atingirá o governante em cheio. Em suma, CPIS superficiais para blindar investigação do caso Oi.

Na quarta-feira (11), a mesa diretora da Assembleia  recebeu três pedidos de instalação de CPI, cada um mais sem sentido do que o outro, por se tratar de assuntos afetos ao Congresso Nacional. Porém, a enxurrada de CPIs fechou o caminho para a passagem do suposto pedido de uma CPI para o caso Oi, isso, porque o regimento do Parlamento estabelece que podem ser instaladas simultaneamente três CPIs, com um terço da assinaturas dos deputados (oito), e nessa condição, para se instalar a quarta é preciso a adesão de 16 parlamentares (dois terço da legislatura).

Max Russi, presidente da Assembleia, encaminhou os pedidos para a Procuradoria Geral analisar. A Assembleia está em recesso informal e somente voltará a se reunir na quarta-feira (25). Até lá, o banho-maria dita a regra.

 

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As três CPTs propostas são:

Para apurar a atuação das facções criminosas em Mato Grosso. Autor Elizeu Nascimento (PL).

Para apurar a demarcação de áreas indígenas em Mato Grosso. Autor Nininho (Republicanos).

Para apurar a falta de política de Segurança Pública na faixa de fronteira. Autor Chico Guarnieri.

MISTÉRIO – Além das três CPIs propostas, existe outra, que nem mesmo seu autor, Wilson Santos (PSD) consegue explicar e sobre a qual faz mistério. Wilson Santos apresentou um pedido com base em coletas de assinaturas em 2023, para instalar uma CPI para investigar supostos esquemas na Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia de Covid-19. Deputados chiaram alegando que o assunto é requentado – nenhum quer trombar com Mauro Mendes.

A CPI da Saúde de Wilson Santos é um fato atípico. A investigação sobre a SES durante a pandemia e agora, seria importante, mas tudo indica que trata-se de uma CPI Viúva Porcina, de tão inconsistente não pode nem mesmo se juntar às três atípicas. Coisas da Assembleia. Daí, o saco cheio do cidadão.

 

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