Convenção e o que resta do PSDB em Mato Grosso
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Machucado, mas não vencido. Assim está o tucanato em Mato Grosso. Na manhã desta terça-feira (28) fui à convenção do PSDB e a imagem que ficou é esta do começo desta parágrafo. Ouvi o deputado estadual e presidente regional da sigla, Carlos Avallone anunciar que o partido terá candidatos a deputado federal e a deputado estadual, que apoiará Otaviano Pivetta (Republicanos) e Mauro Mendes (UB) ao Senado, e quanto aos demais cargos, entregou nas mãos de Deus.
A matéria seria basicamente esta, acrescentando que Thelma de Oliveira compareceu e que o local da convenção é o velho ninho do tucanato no charmoso bairro Santa Rosa, na tricentenária Cuiabá. Poderia ainda dizer que dentre os pré-candidatos à Assembleia está o ex-prefeito de Poxoréu, Nelson Paim, que na minha avaliação brigará com Avallone pela única vaga que o PSDB deverá conquistar para deputado estadual, Porém, vou além.
Nos anos 1990 e 2000 o PSDB foi o grande partido de Mato Grosso refletindo seu desempenho nacional que o fez brigar cabeça contra cabeça com o PT de Lula. No entanto, em 2002, o deputado estadual José Riva, que controlava a Assembleia, deu uma rasteira nos tucanos, que nunca mais ocuparam a posição em que estava.
Em 1994 José Riva foi eleito deputado estadual pelo PMN, mas ao longo do mandato aderiu ao PSDB seguindo os passos do então governador Dante de Oliveira, que deu uma banana para o PDT e tucanou. Em 1998 José Riva e Dante foram reeleitos pelo PSDB e foram juntos para as eleições de 2002.
Em 2002 José Riva lançou sua mulher, Janete Riva candidata a vice-governadora na chapa tucana encabeçada pelo então senador Antero Paes de Barros. No entanto, Antero e Janete foram derrotados por Blairo Maggi com a vice Iraci França, ambos do PPS. Naquele ano, o à época poderoso Dante se candidatou ao Senado disputando uma das vagas, mas os eleitos foram Jonas Pinheiro (PFL) e Serys Slhessarenko (PT).
Blairo assumiu o governo em janeiro de 2003 e José Riva liderou uma debandada do PSDB, que elegeu a maior bancada para a Assembleia, considerando-se seus partidos aliados, o PSB, PMBD e PMN. José Riva correu para o colo político do novo governador e arrastou consigo os deputados tucanos Chico Daltro, Dilceu Dal’Bosco, Pedro Satélite, Renê Barbour e Alencar Soares; e Sérgio Ricardo (PMN), Mauro Savi e Eliene Lima (ambos do PSB) e Natanael de Jesus (PMDB) – esse grupo se dividiu entre os partidos da base de sustentação de Blairo.
Quando da debandada perguntei a José Riva a razão para a rasteira em Dante e o desmonte do PSDB. Ele disse que tinha perfil administrativo e não poderia ser oposição.
Com Dante derrotado e a debandada liderada por José Riva, o PSDB ficou com o pé na cova e restaram poucos históricos: Thelma de Oliveira, Rogério Salles, Carlos Avallone, Antônio Domingos Debastiani, Nilson Leitão (que mais tarde também se escafedeu) e poucos mais.
Com o rescaldo de 2002, Avallone tenta reunir forças para levar adiante a bandeira que de Dante – acho difícil.