Segundo a ONG Transparency International, que publica todo ano o Índice de Percepção da Corrupção (a mais duradoura e abrangente ferramenta de medição da corrupção no mundo) com 180 países e territórios, o Brasil aparece como o 105º menos corrupto. Em números, uma estimativa do Ministério Público Federal indica que o país perde, anualmente, cerca de R$ 200 bilhões para a corrupção.
Em 2018, o Brasil caiu 9 posições no índice. A pontuação passou de 37 para 35. Este é o pior resultado desde 2012, quando os dados passaram a ser comparáveis ano a ano, e representa a 3ª queda anual seguida. Para se ter uma ideia, o Brasil é considerado mais corrupto que países como Colômbia, Argentina, Índia, África do Sul, Cuba, Costa Rica, Chile, Bahamas e Uruguai.
Uma das alternativas para mudar esse cenário é a implementação de Compliance nas organizações, que tem a função de monitorar e assegurar que todos estejam de acordo com as práticas de comportamento, que devem ser orientadas pelo Código de Conduta e pelas políticas da companhia. Seja para normas internas, com código de ética, manual de conduta, políticas e procedimentos; ou para normas externas, na contratação de terceiros para executar serviços financeiros, administrativos, contratuais, trabalhistas, ambientais, entre outros, inserir essa cultura dentro de uma companhia é essencial.
A inclusão do Compliance dentro da cultura empresarial pode trazer uma série de impactos e benefícios, como a atração de investimentos, pois profissionais deste ramo querem aplicar em empresas sólidas, com chances mínimas de envolvimento em escândalos. Entre uma companhia que adota um programa de Compliance efetivo e outra que não, as chances de a primeira receber um investimento são maiores.
O fortalecimento da empresa perante o mercado é outra vantagem, uma vez que empresas com Compliance implementado tendem a querer se relacionar somente com outras que também contem com programas semelhantes. Essa prática passa a ser um dos critérios das companhias para selecionar parceiros de negócios, como fornecedores, empresas subcontratadas ou prestadores de serviço.
Outro benefício se relaciona aos colaboradores: em empresas que fazem capacitação em Compliance, os funcionários passam a compreender melhor os riscos e mitigar atos que não estejam em conformidade com as políticas estabelecidas dentro e fora da companhia. Eles enxergam más condutas de fornecedores e prestadores de serviços, por exemplo. Assim, além da criação de um ambiente ético, o treinamento é decisivo na contribuição para a diminuição de riscos de exposição.
Por fim, uma companhia em conformidade com a legislação, com os princípios éticos e com as melhores práticas de mercado, além de beneficiar a todos os envolvidos dentro e fora dela, também contribui com a diminuição da corrupção e, consequentemente, com a economia de todo o país.
Luis Otávio Matias é vice-presidente de Negócios da Tecnobank.