Otaviano Pivetta não respondeu. Maurício Tonhá enviou uma frase de positivismo, mas sem nada a ver com a pergunta que fiz aos dois. Esse silêncio pode ser entendido como a máxima: onde há fumaça há fogo. Enviei mensagem a ambos perguntando se realmente estava costurada a chapa Piveta-Maurício Tonhá para o governo.
Meu questionamento foi ontem (2) à tarde. Esperei até a manhã de hoje na expectativa de alguma resposta, mas nada. O silêncio continuou. Minhas mensagens aos dois foi motivada por uma informação que recebi de uma fonte com poder de mando no Palácio Paiaguás, que revelou a composição para o governo, de modo não somente a escolher um vice de peso, mas, também, para incluir o União Brasil na chapa, uma vez que Maurício Tonhá é filiado histórico daquele partido.
Negar a existência da proposta para a chapa seria a coisa mais natural. Porém, nenhum dos dois negou a costura. Confirmá-la numa mensagem de WhatsApp não seria o recomendável, por sua relevância, que requer uma coletiva para tanto. Nesse contexto, cumpri apenas meu papel de jornalista.
Formação de chapa tanto quanto sua dissolução acontecem e nomes costumam ser mudados até nas convenções. Porém nesse caso, parece-me que a possibilidade de que essa dobradinha seja levada adiante é palpável.
Pivetta é filiado ao Republicanos e vice-governador de Mauro Mendes (União) pelo segundo mandato consecutivo; seu nome tem o apoio do governante, do deputado federal Fábio Garcia, de outras figuras dos meios políticos e da base municipalista do União Brasil montada por Mauro Mendes e Garcia, que é a maior entre os partidos. Porém, o senador Jayme Campos quer disputar o governo, o que retira a unanimidade partidária em torno de Pivetta. Neste cenário, o melhor antídoto – contra o sonho de Jayme – é seu partido apresentar um nome de peso para completar a chapa de Pivetta. Não somente por esse contexto, Maurício Tonhá surge na curva da estrada.
A eventual dobradinha Pivetta-Maurício Tonhá não será a reinvenção da roda, mas dará outro rumo à pré-campanha, ora em ritmo de tartaruga, morna. Líder ruralista ligado à pecuária e de direita, Maurício Tonhá é a figura mato-grossense residente entre nós, que é a mais conhecida nacionalmente, por sua presença constante na televisão à frente de seus leilões, dentre os quais o Mega, que é o maior do mundo. Sua eventual entrada em cena – avalio – sacudirá o pessoal da economia rural fechando um círculo de apoio que reunirá produtores rurais ligados a Pivetta e pecuaristas a ele.
Capacidade administrativa Maurício Tonhá demonstrou nos oito anos em que foi prefeito de Água Boa, onde realizou uma verdadeira transformação urbanística e social. Na chapa, não haverá necessidade de apresentá-lo, a exemplo do que Jonas Pinheiro fez durante a campanha de Blairo Maggi ao governo em 2002. Ao contrário, mesmo com toda a evidência que o cargo lhe confere, em alguns casos Pivetta é quem poderá ser apresentado por Maurício Tonhá.
Resumindo, mesmo ainda à espera de que muita água passe sob a ponte, acho que essa chapa é um verdadeiro sonho de consumo mato-grossense, pela visão de seus componentes e o espírito público que os move.
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Caso alguém questione a ausência de um nome cuiabano direi que Cuiabá não é a cidade somente dos que nascem em seu solo, a exemplo de minhas netas Ana Júlia e Mariana, mas de todos os que a habitam, como é o caso de ambos.
É bom observar que Mato Grosso fechou 2025 com 2.533.640 eleitores, dos quais 439.830 cuiabanos, o que representa 17,22% dos aptos ao voto. Mais: em 2006, Blairo Maggi residindo em Rondonópolis e Silval Barbosa em Matupá, venceram a eleição para governador e vice, respectivamente. Mais ainda: o presidente da Assembleia é Max Russi (PSB), domiciliado em Jaciara, onde foi prefeito; também a presidiram Renê Barbour, Antônio Amaral, Roberto Cruz, Moisés Feltrin, Gilmar Fabris, José Riva, Humberto Bosaipo, Silval Barbosa, Mauro Savi e Romoaldo Júnior que não são vizinhos do xomano que mora ao lado. O que estará em disputa são cargos estaduais, cujas escolhas não passam pelo bairrismo que alguns teimam em defender.
Espero que venha essa chapa para que tenhamos um governo com a cara e o jeito deste Mato Grosso abençoado, ensolarado, plural, eclético e que cumprindo a legislação ambiental, gerando empregos e renda, luta para assumir a liderança mundial na produção daquilo que até mesmo o radicalismo reconhece como fator de vida: o pão nosso de cada dia.
Essa chapa parece que teria aceitação.