CATTANI – A direita e a esquerda que se merecem

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

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Em Mato Grosso nenhum político ataca mais a esquerda do que o deputado estadual Gilberto Cattani (PL). O parlamentar faz duras acusações contra o presidente Lula e outras figuras de destaque não somente do PT, mas da esquerda nacional. Nesse contexto, Cattani teria obrigatoriamente que ser alvo preferencial do revide e de acusações pelos políticos petistas e das siglas que apoiam aquele partido. O parlamentar tão ácido e crítico está naquilo que se chama beco sem saída, sem que nenhuma voz esquerdista o critique, cobre medidas policiais e judiciais contra ele, e mostre a Mato Grosso o escândalo das diárias recebidas por uma servidora do gabinete de Cattani, para viajar e permanecer em Lucas do Rio Verde, durante a  Show Safra, período em que vendeu queijos produzidos pelo parlamentar naquela feira do agronegócio nacional.

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Política é a arte do debate, o exercício do contraditório, terreno fértil para exposição de ideias e para criticar adversários. Cattani, de modo quase sempre agressivo, ocupa todos os espaços possíveis na militância política, diante de silenciosos opositores em plenário, no caso os deputados Lúdio Cabral e Valdir Barranco, ambos petistas. A agressividade do deputado é manifestada em paralelo a acusações contra ele, jamais exploradas, como deveriam ser, não somente por razão política, mas em nome da ética política, da moralidade e do decoro parlamentar.

Cattani é investigado pela Delegacia de Polícia Especializada em Crimes  contra a Administração Pública, com autorização do desembargador Marcos Machado (TJ), que recebeu denúncia contra ele por parte do Ministério Público, para que o caso das emendas à servidora seja apurado. Lúdio e Barranco fingem não enxergar o prato cheio para ser explorado contra Cattani;  preferem o silêncio submisso que cheira a cumplicidade. Esse não é o primeiro escândalo que envolve o deputado de discurso agressivo. Pelo menos em outras duas ocasiões ele também passou ileso pela omissão de seus pares na Assembleia.

Certa vez, Cattani comparou a prenhez de suas vacas com a gravidez. À época acreditava-se que a deputada Janaína Riva (MDB) única voz feminina na Assembleia e que assume a bandeira em defesa da mulher, pedisse sua cassação por quebra de decoro parlamentar, mas ao invés disso, Janaína Riva botou panos quentes e o caso foi sepultado. Mais recentemente o nome de Cattani figurou numa relação de 14 deputados estaduais que estariam envolvidos num esquema de compra superfaturadas de kits para a agricultura familiar, pela Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf), com recursos de emendas parlamentares. O caso está abafado, e o que se sabe é que o então secretário da Seaf, Luluca Ribeiro, indicado ao cargo por Janaína Riva, foi exonerado pelo então governador Mauro Mendes e que permanece lotado na Assembleia, de onde saiu para ocupar a Seaf. Quando daquele escândalo, perguntei a Lúdio, qual providência ele havia tomado. Lúdio respondeu tucanamente que o caso estava judicializado.

Cattani é uma voz ácida contra Lula e tem uma capa de proteção – pelo que se vê e se deduz – da bancada petista. Tomara que a Polícia Civil passe o caso a limpo.

Lamentavelmente não se pode esperar nada da direita agressiva e da esquerda passiva. Eles se merecem nesta abençoada e ensolarada terra de gritaria nas redes sociais contra escândalos nacionais e de silêncio sepulcral quando a sujeira acontece entre vacas, gravidez, queijos e que um dia foi palco do maior ciclo corrupto brasileiro, quando na Assembleia aconteciam coisas que até Deus duvida: escândalo das calcinhas, dinheiro caía do bolso do paletó, mensalinho era amoitado em caixa de sapatos e os rebentos dourados dos que promoviam aquela farra com o dinheiro público aguardavam na fila para a sucessão familiar no cenário político.

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