Candidata ao Senado defende pauta estadual para inchar o governo

EDUARDO GOMES
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Em Sinop Janaína Riva fala sobre a Seaf

Candidata ao Senado, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) defendeu em Sinop a criação de uma secretaria estadual para o agro. “A nossa galinha dos ovos de ouro é o agronegócio mato-grossense”, citou a candidata. Segundo ela,  “Hoje nós temos uma Secretaria de Agricultura Familiar, mas ela está longe de ser uma secretaria que represente efetivamente os anseios dos produtores de Mato Grosso. Quem faz isso são a Famato, a Aprosoja e o Fórum Agro. Nós queremos trazer essa representatividade para o governo do Estado e para os grandes debates”. A pauta defendida pela parlamentar não é atribuição do Senado, ao qual concorre, e além disso, ao longo de 12 anos na Assembleia ela nunca criticou a Secretaria de Agricultura Familiar (Seaf) e até indicou secretário de porteira fechada para ela.

O discurso em Sinop da candidata não é tema para quem disputa o Senado e pode ser visto como proposta para inchar a estrutura do governo. Ela, nunca defendeu a criação de outra secretaria para a área do agro e por um período teve o controle da Seaf, pois no fatiamento do poder estadual o então governador Mauro Mendes (UP) nomeou Luluca Ribeiro secretário da Seaf, e Lula levou consigo vários assessores, todos, a exemplo dele, lotados no gabinete de Janaína Riva na Assembleia ou em outras funções comissionadas naquele Legislativo.

Em 2024, Mauro Mendes passou o rodo na cúpula da Seaf demitindo numa só canetada o secretário Luluca Ribeiro; o secretário-adjunto Clóvis Figueiredo Cardoso; o secretário-adjunto de Administração Sistêmica, Talvanny Neivert; a chefe de Gabinete, Aline Emmanuelle Rozendo; e o assessor Jurídico, Ricardo Antônio de Lamonica Pereira. As demissões aconteceram após a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil deflagrar a Operação Suserano, com alvo na Seaf, cumprindo 50 ordens judiciais, das quais 28 mandados de busca e apreensão, e decretou o bloqueio de bens dos investigados até o montante de 28 milhões. Esse escândalo teria acontecido com a compra superfaturada de kits para a agricultura familiar, com recursos de emendas parlamentares de mais de uma dezena de deputados.

O escândalo está abafado. Luluca Ribeiro e os demais voltaram para seus cargos comissionados na Assembleia.

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