BR-163 – Odebrecht à parte a duplicação avança para Sinop (X)

EDUARDO GOMES

@andradeeduardogomes

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Celebrando os 50 anos da inauguração da BR-163, em 20 de outubro de 1976, o blog publica esta série. Neste capítulo o texto aborda a concessão da rodovia no Nortão e narra a alegria em Santarém quando dos preparativos para o começo da obra.

Em novembro de 2013 o senador Wellington Fagundes (PL) conduziu uma reunião em Rondonópolis que resultou na concessão da BR-163 para a Construtora Odebrecht explorá-la por 30 anos, no trecho de 850,9 km em Mato grosso, da divisa com Mato Grosso do Sul ao trevo com a MT-220, em Sinop, devendo no período investir 4,6 bilhões em dua duplicação e melhoria. A concessão não teve outorga e a felizarda Odebrecht oficialmente foi contemplada pela sua tarifa de pedágio, considerada de baixo custo.

 

BR-163 em Lucas do Rio Verde

A Odebrech a entregou para sua empresa Odebrecht Trasport, com o nome de fantasia Rota do Oeste, que até 2022 explorou suas praças de pedágio, sem botar a mão no bolso para duplicá-la. Detalhe: O trecho de Rondonópolis a Cuiabá estava em obra de duplicação, e o Ministério dos Transportes o concluiu e entregou na bacia das almas para a concessionária – tendo caprichado na obra, na qual utilizou o pavimento rígido ao invés do manjado CBUQ.

BR-163 em Sorriso

Em 2022, amigavelmente, a Odebrecht devolveu a concessão e o Governo de Mato Grosso a assumiu, para tanto criando a MT Participações e Projetos (MT-Par), que está em campo com o nome de fachada Nova Rota do Oeste, duplicando o trecho de Cuiabá a Sinop e anuncia que o entregará nos próximos meses.

 

Santarém, ponto mais ao Norte da pavimentação

De Sinop ao porto de Miritituba, no Pará, o trecho é de 1.009 km e quem o explora em concessão é a Via Brasil BR-163 do Grupo Conasa. Por essa rota Mato Grosso escoa commodities agrícolas para o porto de Miritituba )de Itaituba), no rio Tapajós, com calado de 16 metros e sua navegação é considerada marítima.

Eles chegaram, eles chegaram…

 

Sábado carrancudo do dia 14 de novembro de 1970. Às águas altas do azul Tapajós empurram o barrento Amazonas. Não se misturam e correm juntas rumo ao mar, mas a cada metro ganham intimidade, cumplicidade e se juntam. Sobre elas, em sentido oposto, os cascos das embarcações carregando militares do recém-criado 8º Batalhão de Engenharia e Construção (8º BEC) e máquinas para a abertura da Rodovia Santarém-Cuiabá (BR-163) – é assim que a chamam por lá. Santarém, isolada na Amazônia e circundada pelo Amazonas e o Tapajós, está no cais, de braços abertos no melhor dos mundos para o santareno. Um orgasmo cívico toma conta da cidade: aquele momento significava o ponto de partida para sua integração ao Brasil, dentro do princípio do Integrar para não Entregar. Meninas órfãs do namoro – havia esvaziamento da juventude masculina que deixava o lugar em busca de emprego e ensino – deliravam e algumas mais ousadas, em grupo, abriram as blusas e tiraram os sutiãs.

Tomo esse fato por empréstimo de Joel Barata, que estava no cais quando os militares desembarcaram em sua cidade. Hoje, as remanescentes das blusas abertas são respeitáveis bisavós sexagenárias ou septuagenárias. Talvez nenhuma delas saiba o simbolismo de seu gesto. Santarém, com seus 364.298 habitantes e suas universidades, se fecha num estranho moralismo numa terra caracterizada pela liberdade sexual e não toca nesse passado.

Busquei o exemplo santareno por se tratar de uma cidade plenamente identificada com Mato Grosso e principalmente com  a BR-163, que é o tema desta série.

Aquele episódio distante foi um inconsciente e ousado gesto comemorando a conquista de uma logística de transporte que teria profundo reflexo no Pará e no vizinho Mato Grosso ao longo do percurso da Santarém-Cuiabá ou Cuiabá-Santarém.

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