Mesmo com uma lupa e os examinando por todos os ângulos, não é possível notar diferença entre Wellington Fagundes (PL), Jayme Campos (União) e Otaviano Pivetta (Republicanos) se o enfoque for político ou até mesmo ideológico. Com a classe política é assim, mas, no período eleitoral (incluindo o pré-eleitoral) eles tentam se mostrar diferentes dos demais, mas não convencem nem mesmo suas madrinhas de batismo. Porém, a cada eleição surge um fiel da balança, alguém capaz de definir a disputa para o lado em que pender. Pivetta, Jayme e Wellinton querem o governo e, nesse contexto, avalio que o mais fortalecido será aquele que tiver apoio de Max Russi (PSB, mas no dia 7, Podemos), que inclusive poderá influenciar para decidir a eleição em primeiro turno. Acontece, que Max sabe que é a cereja do bolo e para abraçar o felizardo exigirá que sua mulher, Andreia Wagner, prefeita de Jaciara pelo segundo mandato consecutivo, seja vice na chapa que levará sua chancela. Não é preciso dizer mais nada para deixar claro que Andreia somente poderá fazer dobradinha com Jayme, por razões regionais.
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A sabedoria política nos ensina que vice bom é aquele que não espanta votos. Porém, com Andreia, via Max, Jayme não poderia encontrar melhor nome. Ou alguém duvida que Mato Grosso governista como é, deixaria de ficar junto ao mandachuva na Assembleia, por um motivo qualquer?
A prefeita Andreia
Jayme e Andreia formariam uma chapa que contemplaria a Baixada Cuiabana, com ele, e o Polo de Rondonópolis, com ela. Com Wellington, de Rondonópolis, isso seria impossível, pois os dois são vizinhos de municípios; com Pivetta, também, não, pois ele é de Lucas do Rio Verde, no Nortão.
Pivetta já bateu asas para formar chapa com a vereadora por Cuiabá, Samantha Iris (PL), mas seu marido, o prefeito Abílio Brunini, exige atestado ideológico até para cumprimentar alguém. Ele somente não pede atestado de idoneidade para nomear secretários, tanto assim, que acaba de botar em seu secretariado o famoso Japonês da Federal, que foi preso e condenado por envolvimento com contrabando na fronteira com o Paraguai e que conhece tanto de Cuiabá quanto chinês de samba.
Wellington não fala, mas o círculo que gravita em seu entorno sonha numa chapa com ele a sua nora, a deputada estadual Janaína Riva (MDB), para vice, embora nenhum deles tenha identidade com a Baixada Cuiabana (ela nasceu em Juara, onde seu pai, José Riva, foi prefeito antes de ser deputado estadual e dominar a Assembleia por duas décadas). De modo geral o eleitor tem motivos de sobras para descontentamento com a classe política, ainda mais quando ela ganha contornos de familiocracia. Botar o sogrão e a nora no mesmo palanque pode ser tremendo tiro no pé.
Nem cito a médica e empresária da Saúde, Natasha Slhessarenko (PSD), porque seu perfil é de esquerda declarada e ela defenderá Lula 4 e não compartilha o poder com os outros três que brigam pela cadeira de Mauro Mendes.
Uma composição assim, com Jayme e Andreia, aparentemente não é difícil, no primeiro momento, que é aquele de atravessar o atoleiro. Mas, mesmo antes da votação e sem certeza de vitória – pois eleitorado, sentença judicial e bunda de bebê são imprevisíveis – Jayme sentiria urticária somente em pensar que em 2030 a vice-governadora Andreia defenderia o nome do maridão Max para governador.
No sábado, 7, no ato de filiação de Max com centenas de cabos eleitorais com e sem mandato, certamente a claque oferecida – e não remunerada para tanto – poderá ensaiar coro de ‘Max governador’, mas creio que ele manterá seu projeto em busca da reeleição e do continuísmo à frente da mesa diretora que durante 20 anos José Riva comandou e pintou o sete.
Max é escovado. De vereador por Jaciara, na sombra de Wellington Fagundes, a todo-poderoso nos governos de Pedro Taques e Mauro Mendes, e mandachuva na Assembleia, ele jamais entrará em bola dividida. Pela lógica, indicará Andreia vice de Jayme; continuará controlando a Prefeitura de Jaciara, com a vice de Andreia, Maria Zilá Bruschetta, a Zilá, no cargo, e com o mano caçula Alexandre Russi, administrando a vizinha Juscimeira, de um lado, e o leal Eduardo Português à frente de São Pedro da Cipa, do outro lado da vizinhança. Isso, porque ele enxerga chance de vitória na chapa com sua mulher, e tem entendimento suficiente para avaliar que em 2030, Jayme terá 79 anos – e nem mesmo o lado Matusalém dos Campos garante que o Pedra 90 estará em condições de brigar por mais quatro aninhos nos braços do poder.