Alto lá, valentões americanoides!

EDUARDO GOMES

@andradeeduardogomes

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A insanidade do mundo virtual que polariza o país entre o nada Bolsonaro e o coisa nenhuma Lula avança inconsequentemente sobre a soberania nacional, com os ditos de direita urrando orgasmicamente para Trump invadir o Brasil, sequestrar Lula e levá-lo para uma prisão nos Estados Unidos, exatamente como acaba de acontecer com o presidente Nicolás Maduro, na vizinha Venezuela.

Não compartilho a insensatez que na internet arrasta valentões no plano nacional e internacional – mas silenciosos sobre os escândalos em Mato Grosso – ao antipatriotismo que pede a bandeira americana sobre a nossa. Tenho muitos defeitos, mas a eles não somarei jamais a traição ao princípio da brasilidade.

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Cresci vendo exemplos de responsabilidade cívica de meu pai Agenor Vieira de Andrade. Na vida escolar cantava com emoção e de modo respeitoso, dentre outros, o Hino da Independência:

Brava gente brasileira! /

Longe vá temor servil /

Ou ficar a Pátria livre /

Ou morrer pelo Brasil /

Ou ficar a Pátria livre /

Ou morrer pelo Brasil /

Presenciei e busco na história a obra democrática e a administração do progressista Juscelino Kubitschek que nos mostrou a importância do Brasil para os brasileiros, como fica claro com a construção de Brasília, que interiorizou o país e tanto bem fez ao nosso abençoado e ensolarado Mato Grosso. Também vi o espírito de estadista de JK indultando oficiais da FAB por levantes contra seu governo eleito democraticamente.

Quando o Brasil estava no centro das atenções da polarização da Guerra Fria, vi as tropas do general Mourão Filho saírem de Juiz de Fora, subirem e descerem serras rumo ao Rio de Janeiro, para sufocarem a tentativa do presidente Jango Goulart de alinhar o Brasil ao Kremlin de modo a subjugá-lo a Moscou, como acontecia com as repúblicas da União Soviética que gravitavam em torno de Rússia. Prevaleu 31 de Março.

Vibrei com o movimento das Diretas-Já do cuiabano esquerdista Dante de Oliveira, que aplainou o caminho pacífico para a redemocratização.

De fragmentos em fragmentos, ao longo do tempo, vi e estive ao lado dos que defendiam o Brasil. Em 2018, motivado pela fala de Jair Bolsonaro em montar um ministério competente, técnico e de viés de direita, fui seu eleitor. Em 2022, não compareci ao segundo turno, pois não votaria em nenhum dos candidatos.

Na minha consciência não há espaço sequer para imaginar a possibilidade de invasão ao meu país. O Brasil não é somente o hoje; nas veias da nacionalidade corre a Inconfidência Mineira de Tiradentes. Uma terra assim é intocável por sua gente e por tantos exemplos de brasilidade:

O heroísmo do mato-grossense tenente-coronel Antônio Maria Coelho, ao libertar Corumbá, quando da guerra com o Paraguai; e a estratégia do almirante João Augusto Leverger, o Barão de Melgaço, também naquele conflito, ao desviar o curso do rio Cuiabá diante de Barão de Melgaço, para forçar a eventual navegação próxima a um morro, no topo de qual instalou canhões, o que levou o almirantado em Assunção a abortar o plano de invadir a capital mato-grossense.

A missão patriótica do xomano Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon na integração dos nossos indivíduos urbanos e aldeados e a definição de fronteira onde ninguém sabia onde um país começava e o outro terminava.

A bravura dos nossos 118 febeanos e dentre eles, Feliciano Moreira da Costa, Mário Pinho de Arruda, Gabriel de Souza Guimarães, Joaquim Sérgio dos Santos, Gabriel Ferreira de Jesus, Lício Gomes Ferreira Mendes, Samuel Infantino, Davino Leopoldino de França, Armindo Santana Dias, Rafael Fortunato de Campos, Aleixo Marcelo Campos, Luiz Geraldo da Silva, que saíram do calorão cuiabano, poconeano, cacerense, livramentense, rosariense e de outras localidades para enfrentarem o poderoso Exército da Alemanha nas neves italianas.

A atuação estratégica dos nossos Soldados da Borracha nos vales do Teles Pires, Verde, Lira, Arinos, Renato e outros extraindo látex de seringueiras nativas para garantir a movimentação das viaturas aliadas na Segunda Guerra.

A trato diplomático dos irmãos Márcio e José Lacerda com a Bolívia, para que Mato Grosso e La Paz não continuassem de costas um para o outro ao longo dos 983 km de fronteira que os une nos municípios de Poconé, Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro. A política de integração continental desenvolvida por Zeca D’Ávila, então presidente da Famato, distribuindo gratuitamente vacinas contra a aftosa para o rebanho bovino do outro lado da fronteira.

Lula no poder é reflexo da irresponsabilidade eleitoral e cidadã do brasileiro – no caso, o mato-grossense – que se acovarda, não protesta, não critica e engole tudo em seu quintal.

Os valentões que pedem Trump subjugando o Brasil são os mesmos que não abrem a boca para consertarem Mato Grosso, onde em 2026 serão eleitos dois senadores e oito deputados federais para a bancada mato-grossense no Congresso, que é onde tudo se decide.

Não! Aqui não se esmiuça os nomes que se oferecem (na verdade ninguém os pede; eles é que tentam impor suas candidaturas) para o Senado e a Câmara dos Deputados.

Vocês viram nas redes sociais, onde a cuíca ronca nacionalmente, alguém discutir sobre a tentativa de Neri Geller em ser deputado novamente? Sobre Pedro Taques? Janaína Riva? Virgínia Mendes? Rosa Neide? Nilson Leitão? Valtenir Pereira? Juarez Costa? Carlos Fávaro? Leonardo Albuquerque? Procurador Mauro? Wagner Ramos? Ezequiel Fonseca e sobre tantos outros?  A resposta é simples: claro que não, salvo uma ou outra ponderação cautelosa. É desse silêncio que nasce o descompasso brasileiro, que os valentões da internet tentam debitar exclusivamente a Lula.

Mato Grosso das redes sociais é terreno de amnésia. Não se toca no passado, ao contrário, tentam sepultá-lo por todos os meios. Quantos pré-candidatos estiveram envolvidos em escândalos? Foram presos? Processados? Apadrinharam figuras que estiveram ou estão atoladas até o pescoço com a corrupção? Quantos se beneficiaram do dinheiro sujo da corrupção praticada por alguém da família? Quantos se envolveram em maior ou menor escala com a corrupção? Quantos se promovem às custas da máquina pública que banca seus rostinhos e melosas declarações nos sites? Sobre essa gente, nada. É mais cômodo desopilar o fígado mandando Tio Sam invadir o Brasil.

O silêncio é ainda maior, pois a boca fechada impede comentários sobre os pré-candidatos ao governo e a Assembleia Legislativa. No entanto, para não fugir do foco do artigo, sobre a direção nacional do Brasil, não entrarei em detalhes sobre os que querem governar e tentarão se reeleger para a Assembleia Legislativa, tão submissa ao Palácio Paiaguás.

Vejo na dualidade do falar pelos cotovelos e o silêncio menor a identidade e o DNA dos valentões da internet. Fico com meu Brasil, independentemente de quem seja o presidente e, sem petulância ou falso nacionalismo, disposto a permanecer com o país e seu povo, em todos os cenários.

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