ÁGUA BOA – Mega Leilão nasceu de um sonho ousado

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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Neste sábado, 25 de abril, Água Boa foi palco da 26ª edição do Mega Leilão de Água Boa, promovido anualmente pela Estância Bahia. Os números superlativos do evento são de domínio público. Afinal, trata-se do maior leilão de bovinos no mundo. O que nem todos têm conhecimento é como uma pequena leiloeira num período de turbulência econômica nacional revolucionou o mercado bovino brasileiro com milhares de cabeças em seu tatersal, graças ao sonho visionário de seu fundador e presidente, Maurício Cardoso Tonhá.

Ao criar o Mega, Maurício Tonhá mostrou o Vale do Araguaia, onde se situa Água Boa, ao Brasil, pela transmissão de seus leilões pela televisão. Ano a ano, mais e mais pecuaristas voltam o olhar para o grande evento que além de uma praça de negócios se tornou um ponto de encontro de pecuaristas.

O tatersal não tem mais a movimentação de antigamente. O leilão presencial foi substituído pelo virtual, com o animal na propriedade que o coloca à venda, evitando-se assim o transporte de milhares de cabeças, o que resulta em economia, ganho de tempo e zera o impacto ambiental. Independentemente do sistema de venda, o Mega permanece na condição de grande elo entre as pontas do negócio e da ampla cadeia pecuária.

O blog convida os leitores a conhecerem a origem do Mega, que é uma das marcas de Maurício Tonhá na pecuária nacional, da qual é uma das figuras centrais e um de seus maiores divulgadores.

 

Nasce o Mega

Maurício Tonhá, o criador do Mega

Em 2000, os ventos sopravam favoráveis. Tudo ia muito bem para a Estância Bahia, criada em 1991,  mas faltava o lance diferenciado, o salto definitivo para celebrar seus 10 anos em 2001. A intuição de Maurício Tonhá mexeu com a boa incredulidade de seu círculo de amizade. Ele queria realizar um grande e diferenciado leilão. “Será que ele consegue?” – Questionavam seus amigos.

Dez é referencial. Quem é nota 10 é o melhor. Com esse número na mente, Maurício Tonhá reuniu-se com a família no final de 2000 para anunciar algo muito ousado, mas viável. Na sala de sua casa, disse a sua mulher, dona Jane Cristina, e do cunhado César Friedrichs, que em 2001 a Estância Bahia faria um leilão diferenciado em Água Boa, para vender 10 mil cabeças de bovinos a campo em comemoração ao seu décimo aniversário.

Dona Jane Cristina e César se assustaram. Os dois conheciam bem a empresa, porque desde o primeiro momento compartilharam sua gerência e administração. Ambos sabiam que não seria fácil montar estrutura para o manejo de tantos animais assim e, que não menos difícil seria encontrar tal quantidade de animais para levá-los à pista.

Maurício Tonhá procurou tranquilizá-los apresentando uma lista com cinco mil cabeças que iriam ao leilão. Ao leilão, não, ao Megaleilão. No dia seguinte à reunião os três se encontraram no escritório do grupo empresarial. Antes que o cunhado dissesse algo, César tirou do bolso uma lista com outros cinco mil animais que poderiam completar os 10 mil. Os dois se abraçaram diante do olhar de felicidade de dona Jane Cristina.

O projeto do Megaleilão ou simplesmente Mega. despertou interesse jornalístico. Ouvido pelo Canal do Boi Maurício Tonhá falou sobre a quantidade de animais que pretendia vender. Sua entrevista criou expectativas, mas levantou desconfiança a ponto de um assinante da TV no Rio Grande do Sul ligar para ele, no escritório da Estância Bahia.

No telefonema, o telespectador tentou ridicularizá-lo dizendo que “Nenhum vivente na face da ‘tera’ seria capaz de tamanha proeza”. Maurício Tonhá retrucou, mas do outro lado da linha o gaúcho aumentava o tom da crítica, a ponto de chamar a proposta de picaretagem. O fundador da leiloeira não engoliu o atrevimento e, além de se defender à altura, gritou a frase que serviu de logomarca ao seu grande leilão, “Olha seu fulano, vou vender não apenas 10 mil cabeças. Vou vender 10.001”.

Não em resposta ao crítico telespectador, mas em nome do projeto e vitalização de seu grupo empresarial, Mauricio Tonhá realizou com sucesso o Mega 10001 em Água Boa. À batida do martelo sua equipe vendeu os 12.861 animais em pista. Nos anos seguintes os números se tornaram ainda mais expressivos superando 40 mil cabeças.

Da resposta de Maurício Tonhá ao telespectador nasceu o nome Mega 10001, que nos anos subsequentes virou 10.002, 10.003…  Ou seja, a empresa se prepara para vender 10 mil cabeças mais a dezena que representa o ano da realização do evento.

Desde sua criação o Mega é o maior leilão da pecuária mundial. Sua realização aquece a economia de Água Boa e região e desperta interesse nacional. Para atender melhor à demanda dos pecuaristas mato-grossenses esse grande evento precisava de mais de uma praça. Essa realidade novamente resultou numa reunião em família para sua pluralização. Novamente reunido com a mulher e o cunhado, Maurício Tonhá falou de seus planos de expansão para Cuiabá. Ao invés de ouvir duas aprovações, escutou quatro, porque a direção da Estância Bahia tinha dois novos integrantes: seus filhos Guilherme e Gabriela. Assim, num ambiente de otimismo, em 2007 ganhou forma o projeto do Mega 10.007 de Cuiabá.

À estrutura do Mega de Água Boa, numa fazenda do grupo empresarial à margem da rodovia BR-158, se juntou o Centro de Eventos da Estância Bahia, numa área rural também do grupo, ao lado da rodovia BR-364 (Km 394), na saída da capital para Rondonópolis e Campo Grande, onde desde 2007, anualmente se realiza o Mega de Cuiabá.

O Mega foi a porta de entrada do Grupo Estância Bahia em Cuiabá, onde gera empregos e recolhe impostos. Perfeitamente integrado à economia e aos meios sociais cuiabanos, Maurício Tonhá destina boa parte de sua agenda à capital.

Em Cuiabá, todos os anos, a Estância Bahia promove leilões presenciais e virtuais de bovinos a campo, de touros, matrizes, cavalos de raça e, enfim, da cadeia pecuária. Além deles, realiza anualmente em parceria com a Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC) um leilão abrangente e beneficente para arrecadar fundos ao Hospital de Câncer de Mato Grosso.

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