25 anos do adeus de André Maggi
EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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O empresário, colonizador e político André Antônio Maggi morreu em 22 de abril de 2001, portanto há 25 anos. O blog reconhece sua memória e sua importância para o desenvolvimento mato-grossense
Sempre à frente de seu tempo, o empresário e colonizador André Antônio Maggi transferiu a sede de seus negócios do Paraná para Rondonópolis e os expandiu por Mato Grosso, outros estados e o exterior. Nos anos 1980 fundou Sapezal. O Grupo André Maggi (Amaggi), seu legado à família, é um dos maiores do agronegócio mundial. Nascido em Torres (RS), filho de Antônio Maggi, italiano, e Carolina Lumertz, alemã, André Maggi morreu de acidente vascular cerebral, no Hospital do Coração, em São Paulo, no dia 22 de abril de 2001, aos 73 anos. Deixou a viúva Lúcia Borges Maggi e os filhos Blairo, Fátima, Vera, Marli e Rosângela, genros e netos. Seu corpo foi sepultado em São Miguel do Iguaçu (PR) após velório em Sapezal e Rondonópolis. Blairo foi suplente de senador, governador por dois mandatos, senador e ministro da Agricultura e Pecuária.
Homem íntegro e acostumado a cumprir os compromissos feitos ao fio do bigode, André Maggi renunciou ao cargo de prefeito de Sapezal depois que seu vice, Aldir Schneider e os vereadores decidiram receber salários para o exercício de seus cargos.
André Maggi se elegeu para a prefeitura de Sapezal em 1996, com 869 votos, pelo PDT, em candidatura única. Antes da posse combinou com Schneider e os vereadores que todos abririam mão de seus salários em benefício do município. Vítima de acidente o prefeito licenciou-se para tratamento médico fora de Mato Grosso. Ao retornar ao cargo se deparou com a quebra de palavra empenhada pelo vice e a vereança. Desgostoso, renunciou e o vice assumiu seu lugar. Em 2000, Schneider conquistou mandato de prefeito e se manteve na função por mais quatro anos.
PS – Sobre o colonizador André Maggi escrevi em 24 de abril de 2001, no Jornal Diário de Cuiabá, o texto abaixo:
Arado em outras mãos
A saga de André Antônio Maggi em Mato Grosso não terminou com a doença que o vitimou no domingo passado, em São Paulo. A cada safra, a cada novo habitante em Sapezal, a cada resultado de melhoramento genético conquistado pela Fundação de Amparo à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), a cada comboio carregado de soja que singrar os rios Madeira e Amazonas rumo a Europa e Ásia, a cada fardo de algodão descaroçado seu tino empresarial se fará presente.
A visão empresarial de André Maggi encontrou o campo ideal para ser posta em prática no cerrado mato-grossense, onde revolucionou os conceitos da economia agrícola. E nenhum título lhe cairia melhor do que “O último bandeirante do século XX”, que lhe foi outorgado pela Fundação MT através de seu ex-presidente Gilberto Goellner.
Bandeirante que nos anos 1980 fundou Sapezal e arrastou grandes produtores para a maior área agricultável contínua do mundo, o Chapadão do Parecis. Que estimulou a pesquisa através da Fundação MT, em Rondonópolis, para assegurar produtividade de grãos e plumas. Que estabeleceu relação de confiança entre produtor e comprador de soja. Que lançou novos cultivares de soja no mercado. Que inovou em sistema de transporte utilizando hidrovia para escoar safra em larga escala.
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André Maggi foi exemplo também fora da área da iniciativa privada, onde sempre se pautou pela pontualidade nos pagamentos, pelo respeito e valorização de seus incontáveis funcionários. Na vida pública, na condição de primeiro prefeito de Sapezal, demonstrou lisura e honradez no trato das finanças de seu município, a tal ponto que se viu obrigado a renunciar ao cargo por não compactuar com o subterrâneo do poder que lamentavelmente insiste em destruir ou corromper o político avesso à corrupção.
Ao setor produtivo primário André Maggi deixa um legado ímpar, que seguramente inspirará e motivará aqueles que entoam a canção da produção lavrando a terra de Itiquira a Guarantã do Norte, de Aripuanã a Barra do Garças, de Alto Taquari a Vila Rica, de Comodoro a São Félix do Araguaia.
À classe política deixa o exemplo do respeito ao erário público, algo que ao mesmo tempo é tão irreal por parte de mandatários quanto é intensamente desejado pelo povo brasileiro.
Mato Grosso despede-se de uma das figuras mais importantes de sua economia, de um dos principais agentes de seu desenvolvimento. Sapezal perde seu fundador e patrono. Rondonópolis fica sem sua referência no agronegócio. André Maggi entra para a história e ocupa lugar de destaque na galeria dos grandes colonizadores do Estado.
O colonizador, agricultor e empresário deixa o arado com os herdeiros e seus funcionários e seu corpo volta ao pó depois de cumprir sua missão na Terra. A viúva Lúcia Borges Maggi, filhos Blairo, Fátima, Rosângela, Marli e Vera, genros e netos perdem o convívio do patriarca. Mato Grosso ganha uma lenda, aquela que narra a vida de um filho de imigrantes pobres do Rio Grande do Sul e que se tornou o maior produtor de soja do mundo: André Antônio Maggi.