MEU VOTO – Por uma nova Assembleia Legislativa
Por
Eduardo on 13 de setembro de 2026
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com
Em todas as eleições publico artigo revelando meus votos. Nesta não seria diferente, mas escrevo um artigo para cada voto, aleatoriamente. A primeira publicação foi sobre uma das vagas ao Senado; na segunda focalizei a disputa para a Câmara dos Deputados; na sequência minha escolha para a Presidência da República; depois ponderei sobre o segundo voto para o Senado; posteriormente falei sobre o voto para o governo. Com este texto concluo a postagem abordando a eleição para a Assembleia Legislativa.
Sem referência estatística feita por instituto, sabedor que o desempenho do partido ou da coligação define seu número de vagas e que surpresa eleitoral é marca tradicional nas eleições, enumero 24 nomes que se eleitos representarão bem o pensamento mato-grossense. Não podemos desconsiderar a força do bolsonarismo e do lulismo, que polariza o pleito por aqui. Ao mencionar uma candidatura não significa que ela terá meu voto, mas o revelo para que o texto não seja visto como algo interesseiro, tentando bajular os mencionados.
A intenção do texto é mostrar que a Assembleia precisa de oxigenação e ao mesmo tempo alertar que haverá mudança, mas não profunda. Assim avalio que a próxima legislatura será de transição, para que nas futuras o Legislativo tenha mais cara de povo e posicionamento de cabeça erguida, sem a submissão palaciana que ao longo das décadas é a sua cara.
Tomara que esta seja a última legislatura onde candidato chega ao poder nos braços de igrejas ‘fechadas’ com ele por decisão de seus pastores. Tomara, também, que nas próximas, jovens sejam eleitos, ao contrário de agora, onde o coronelato politiqueiro mantenha a porta fechada à renovação, que deve ser parcial para conciliar o saber adquirido com a maturidade com o ímpeto dos que ainda carregam o cheiro de fraldas.
Seria utópico sonhar com a Assembleia puritana, derramando virtudes. Porém acredito que democraticamente avançaremos muito se os 24 eleitos fossem os citados aleatoriamente a seguir:
Deputado estadual no segundo mandato consecutivo, Lúdio Cabral (Fé Brasil-PT) tem a cara do servidor público e melhor do que os demais, está preparado para defendê-lo, como sempre fez. Médico sanitarista e servidor público estadual e municipal, Lúdio também atua na área da Saúde Pública por sua formação acadêmica e vivência profissional, mas onde pode melhor cumprir seu mandato é na defesa do funcionalismo. Goiano, Lúdio residiu em Cáceres, é domiciliado em Cuiabá, mas tem presença política e parlamentar em todos os municípios.
Henrique Lopes (Fé Brasil-PT) é professor e presidente do Sintep estadual. De modo geral o servidor da Educação é defendido na Assembleia, mas vagamente. Henrique Lopes é suplente de deputado estadual e por um curto período, pelo rodízio parlamentar, esteve no plenário. Sua eleição seria importante para os profissionais da Educação, que convivem com a anomalia de milhares de colegas contratados temporariamente sem que o governo realize concurso para o preenchimento de todos os cargos. Henrique é paranaense, residiu em Alta Floresta e seu domicílio é Cuiabá, mas ele percorre Mato Grosso defendendo o Sintep.
Cuiabá tem um ranço político que dificulta a renovação das lideranças que exercem mandato. Gostaria de ver Rafaela Fávaro (PSD) na Assembleia.
Com Rafaela seria um importante passo para a renovação. Sei que ela é parte da familiocracia política, mas sua geração é mais evoluída do que aquela que a antecedeu. Seu discurso é prático, vibrante e coerente. Ouvi que Rafaela é jornalista e que assessorava o deputado estadual Paulo Araújo (Republicanos), mas nunca li uma linha sequer escrita por ela. Tomara que se eleja, que seja peça da renovação que se espera, que derrame sua garra e espalhe sua beleza no Parlamento, falando a língua da juventude e não o linguajar do clã Fávaro. Rafaela é paranaense, residiu em Lucas do Rio Verde e a exemplo de milhares de outros jovens de todos os cantos de Mato Grosso trocou seu município pela capital. Que sua voz seja em defesa de princípios éticos, de espaço para as novas gerações e por Lucas, que é modelo internacional de cidade.
O Nortão em breve será o xodó do Brasil. Aquela região teve sua ocupação urbana antecipada com a abertura da Cuiabá-Santarém (BR-163) idealizada por JK e executada pelo governo militar, é um dos pilares da política de segurança alimentar mundial. Seu povo precisa de bons representantes na Assembleia em defesa de suas causas, dentre as quais a Ferrogrão, o saneamento básico, regularização fundiária rural, a emancipação do campus da UFMT em Sinop e de uma política para incrementar a geração de energia solar. Gostaria de ver em plenário (e na mesa diretora, também) Scheila Pedroso, Carlos Sirena e Ari Lafin .
Scheila Pedroso (Podemos) é uma jovem arquiteta e urbanista residente em Sinop, onde foi secretária municipal. Nascida em Terra Nova do Norte, distante 150 km de Sinop, pela BR-163, Scheila Pedroso escolheu Sinop para viver e trabalhar, e na sua área ajuda a moldar os traços arquitetônicos da cidade que em breve será capital de Mato Grosso do Norte.
O Nortão tem que se fazer ouvir na Assembleia. Não pode ficar preso a antigos representantes com a trajetória política respingada por escândalos. Torço pela eleição de Scheila Pedroso e tenho certeza que ela tem todos os predicados para cumprir bem seu mandato em defesa da terra de José Almir da Silva, Carmen Martines, Dr. Jorge Yanai, Irmã Adelis, Cacheado, Arnóbio Andrade, Ênio Pipino, Ariosto da Riva, Zé Paraná, Raquel Roll, Padre João Salarini, Agenor Evangelista da Silva, Otaviano Pivetta, Jair Mariano, Ana Tiemi, Jorge Abreu, Cleuza Navarini, Silda Kochemborger, Henrique Oleinik, Raoni Metuktire, Aparecido Cardozo da Roza, Guilherme Meyer, Maria Izaura, José Vieira, Roberto Dorner, Alcindo Uggeri, Jair Duarte, José Aparecido Ribeiro, José Humberto Macedo, Ilson Matschinske, Antônio Debastiani, Rogério Ceni, Ivo Bedin, Beatriz de Fátima Sueck Lemes, Daniel Meneghel, Roque Carrara, Toninho Tijolinho, Manoel Salles, Olídio Pedro Bortolas, Ângelo Maronezzi, Alberto Cesário, Sílvio Fávero, Aréssio Paquer, Roseno Barros, Helmute Lawisch, Orcival Guimarães, Josiane Kruliskoski, Solange Kreidloro, Ascânio Baptista de Carvalho, Rosalina de Jesus Maciel – Baiana, José Antônio Tobias, Boleslau Dziachan, Cabeça, José Domingos Nunes – Biro Biro, Xuxu Dal Molin, Mauro Savi, José Domingos Fraga Neto, Marcos Azevedo, Terezinha Carrara, Dr. Mário Nishikawa, Irmãos Metralha, Eurydes Ceni, Arlindo Bellincanta, Aarão Avelino Pereira, Kelly Duarte, Alceu Mognon, José Roberto Morandini, Ricarte de Freitas, Argino Bedin, Sinéia Abreu, Reinaldo Tirloni, Manezinho da Coban, Naildo da Silva Lopes, Biro Curado, Joaninha, Nilson Leitão, Milton Geller, Mário Bagini, João do Carmo Cerqueira, Valdenir José dos Santos, Lutero Silveira, Pedro Hideyo Miyazima, Sinvaldo Brito, Pedro Porta Aberta, Silval Barbosa, Chico Gamba, Dilceu Dal’Bosco, Sandra Martins, Osmar Mandacaru, Carlos Alberto Capeletti, Baiana Heller, Romoaldo Júnior, Orlei Grasseli, Egon Egon Hoepers, Adriano Pivetta, Toni Dubiella, Dilmar Dal Bosco, Ilbert Effting, Pedro Ferronatto, Luiz Umberto Eickhoff, Lirio Lautenschlager, Edu Pascoski, Iraldo Ebertz, Claudino Francio, Vera Terezinha Faccin Carpenedo, Miguel Vaz, Marino Franz, Calebe Francio, Joci Piccini, Maria Destri, Francisco de Assis Tenório, Plínio Callegaro e tantos outros.
Juara em diversas ocasiões foi citada como sendo cidade da corrupção, por conta de maus políticos ali domiciliados; José Riva, ex-prefeito daquele município, controlou a Assembleia por 20 anos e ganhou o noticiário nacional na condição de maior ficha suja do Brasil, fez delação premiada e assumiu que liderou um rombo de 175 milhões nos cofres públicos. Felizmente de sua população surgiu um nome para apagar essa pecha: o zootecnista paranaense Carlos Sirena (PSDB/Cidadania), que foi vice-prefeito e assumiu a prefeitura em meio de um escândalo de corrupção, e depois foi eleito prefeito.
O município de Juara territorialmente equivale a Israel ou Sergipe. É um mundo dentro do universo chamado Mato Grosso. Sua economia é superlativa tanto na pecuária quanto na agricultura. Sua reserva de ferro de alto teor é tão grande, que merece a construção de uma ferrovia para seu escoamento ao porto.
Seria bom para Juara, o Vale do Arinos, o Nortão de Mato Grosso, que Carlos Sirena (PSDB) fosse deputado estadual, por sua competência, comprometimento com a causa pública e também para reforçar perante a consciência coletiva que o ciclo dos políticos corruptos de Juara pode ser sepultado definitivamente nas urnas de onde viera.
Ari Lafin (Republicanos) por duas vezes consecutivas foi prefeito de Sorriso, onde exerceu dois mandatos de vereador. Em sua militância política e no exercício de sua função de contador ele acompanhou e contribuiu para o desenvolvimento de seu município, que simplesmente é campeão mundial na produção de soja e um dos principais polo da cadeia do agronegócio mundial. Emancipado em 1986, Sorriso tem 128.727 habitantes e sua estrutura urbana é californiana, sua qualidade de vida é invejável e não falta serviço para quem quer trabalhar. Lafin tem experiência administrativa e conhece a realidade de sua região, o Nortão, que considero a melhor de Mato Grosso.
Na Assembleia Lafin seria muito importante para o Nortão ganhar fôlego parlamentar e se faz respeitar junto ao governo. Sorriso com todo seu superlativo não conseguiu levar para a política a grandeza de sua economia. Ao longo de sua história o município elegeu José Domingos Fraga Filho, Mauro Savi e Xuxu Dal Molin para a Assembleia. Está na hora de acertar na mosca, fazer boa colheita nas urnas, pois as safras eleitorais do passado deixaram a desejar.
Ari Genézio Lafin nasceu no Paraná e tem domicílio na região mais paranaense fora daquele Estado. Sorriso, sua cidade, nasceu sobre os rastros das esteiras dos tratores do 9º BEC que construíam a Cuiabá-Santarém. Quem lhe deu o sopro de vida foi o visionário colonizador Claudino Francio, em 2 de fevereiro de 1977.
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Zé do Pátio (PV – Fé Brasil) foi vereador por três mandatos em Rondonópolis, quatro vezes deputado estadual e três vezes prefeito de Rondonópolis. Com tamanha intensidade política, ele não encontra tempo para ser engenheiro civil, matemático e professor universitário na Unemat.
Apelidado de Menino Maluquinho pela rapidez e altura como fala, Zé do Pátio conseguiu a proeza de universalizar a coleta e o tratamento do esgoto em Rondonópolis e o município cresceu muito em suas administrações.
O paranaense José Carlos Junqueira de Araújo ganhou o apelido de Zé do Pátio, quando foi nomeado pelo então prefeito e seu padrinho político Carlos Bezerra, chefe do pátio das máquinas da prefeitura. Temperamental, Zé do Pátio não preserva amizades e tem um grupo tão fechado que disputa a Assembleia fazendo dobradinha com sua mulher, Dona Neuma (PV – Fé Brasil) para deputada federal.
Um dos maiores líderes políticos da região de Rondonópolis em todos os tempos, Zé do Pátio deverá receber uma votação expressiva. Na Assembleia, independentemente de quem vença o prefeito ele poderá desempenhar um papel importante: liderar o debate oposicionista quer o governador seja Otaviano Pivetta ou Wellington Fagundes, pois ele não tem afinidade com nenhum deles; e em Rondonópolis trava uma disputa à parte com Wellington.
Zé do Pátio foi um dos poucos deputados que o então mandachuva na Assembleia, José Riva, não conseguiu cooptar na Assembleia, conforme o mesmo José Riva disse certa vez.
Além de retirar a Assembleia do silêncio que é sua marca característica, Zé do Pátio conhece bem a realidade mato-grossense e poderá exercer um mandato produtivo.
Sou grato a ele. Em 1997 ele foi autor do pedido de um Título de Cidadão Rondonopolitano que a Câmara me concedeu.
Em 2012, quando faltavam seis meses para o término de seu mandato de prefeito, a Justiça Eleitoral cassou seu mandato e o de sua vice Marilía Salles, pelo crime de abuso de poder econômico: na campanha o juiz eleitoral permitiu que cada candidato confeccionasse 500 camisetas temáticas para seus fiscais; Zé do Pátio confeccionou 538 e, por essa diferença foi cassado. Após o término do período que seria de sua administração ele foi absolvido.
Rafael Machado (Podemos) é mais bolsonarista do que o próprio Bolsonaro. Prefeito de Campo Novo do Parecis e vice-presidente da regional Centro-Oeste da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o publicitário gaúcho Rafael Machado quer representar o agronegócio na Assembleia. Seu município é um dos polos nacionais da produção de soja, algodão e milho, e referência no Chapadão do Parecis, a maior extensão de área agrícola contínua no mundo, com 22 milhões de hectares em Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.
Na Assembleia, Rafael Machado pode ser a voz que falta em defesa do agronegócio, com serenidade e sem o radicalismo que afasta a opinião pública da cadeia produtiva do agro, como faz Gilberto Cattani (PL) – que tenta a reeleição – que respeita mais a prenhez de suas vacas do que a gravidez.
Samantha Iris (PL) é a mais pura expressão da familiocracia. Casada com o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, Samantha se elegeu vereadora em 2024 c0m a maior votação para o cargo na capital mato-grossense.
Samantha Iris Belarmino Cristóvão Brunini Moumer, que registrou na Justiça Eleitoral de Samantha do Abílio, é design de interiores, nasceu em São Paulo, capital. Na Câmara é um zero à esquerda, mas sua eleição contempla a área do bolsonarismo raiz, radical – que tem peso eleitoral – sendo que ela é a mais serena nesse segmento.
Eleita, Samantha será uma cadeira a mais para Cuiabá, ora carente de lideranças fortes. Sua condição de paulistana de berço não a afasta da cuiabania. Na Assembleia, os dois principais nomes que vestem a camisa cuiabana são os deputados e candidatos à reeleição Wilson Santos (PSD) e Carlos Avallone (PSDB), ambos nascidos em Dracena, no interior paulista.
Carlos Avallone (Federação PSDB/Cidadania). Avallon cumpre o segundo mandato na Assembleia, onde foi suplente. Dirigiu entidades classistas e foi secretário de Estado. Empresário e engenheiro civil, Avallone é uma voz lúcida nos meios políticos, conhece Mato Grosso como poucos e tem habilidade e maturidade para representar os interesses mato-grossenses nos plano nacional e internacional. É estudioso da legislação em sua abrangência.
Dentre as funções que exerceu Avallone foi secretário de Indústria, Comércio e Mineração no governo de Dante de Oliveira. O Proalmat e o Facual, que impulsionaram a lavoura algodeira levam suas impressões digitais.
O paulista Carlos Avalone Júnior representa bem Cuiabá mesmo não sendo cuiabano de berço. Seus laços com a sociedade cuiabana são sólidos. Ele é um dos exemplos dos que vieram de outras regiões e se destacaram na capital mato-grossense a exemplo do poeta Moisés Martins (MS), cantor Pescuma (SP), artista plástico Adir Sodré (de Rondonópolis), jogador Bife (MS), ex-prefeito Chico Galindo (SP), empresário Sango Kuramoti (SP), desembargadora Shelma Lombardi de Kato (SP), advogado e escritor Eduardo Mahon (RJ), vereadora Maria Avalone (AC), vice-prefeita coronel Vânia Garcia Rosa (de Guiratinga), Paula Calil presidente da Câmara Municipal (RS), presidente do TJ desembargador José Zuquim Nogueira (SP), vereadora Katiuscia Manteli (RO), jornalista Luzimar Collares (de Rondonópolis), cantor e pesquisador musical Guapo (de Cáceres), procurador-geral de Justiça Rodrigo Fonseca Costa (MG), conselheiro presidente do TCE Sérgio Ricardo (SC), jornalista Enock Cavalcanti (RJ), ex-senadora Serys Slhessarenko (RS), ex-prefeito e ex-governador Garcia Neto (SE), humorista Lioniê Vitório – Nico, ex-vice-governadora Iraci França, deputados estaduais Faissal/ (RS) e Beto Dois a Um /Podemos (RS), ex-vice-governador Osvaldo Sobrinho (SP), ex-deputado estadual Walter Rabello, radialista e ex-deputado estadual Clóvis Roberto (SP).
O modelo econômico mato-grossense voltado para a produção agropecuária em escala e direcionada aos mercados e internacional requer conhecimento por parte da Assembleia para discutir políticas e práticas ambientais. Na legislatura em curso e dentre os que querem mandato nenhum supera Avallone no quesito conhecimento sobre a área.
Nelson Paim (Federação PSDB/Cidadania) é o nome que representa Poxoréu e Primavera do Leste, além da aviação agrícola. Piloto e dono de uma empresa do segmento, o gaúcho Nelson Antônio Paim foi prefeito de Poxoréu por dois mandatos consecutivos. Articulado, Nelson Paim conseguiu um feito inédito: uniu Poxoréu e Primavera; residente e com investimento na segunda, foi para a antiga Capital dos Diamantes e conquistou a prefeitura em duas eleições que podem ser consideradas tranquilas. Bom administrador, melhorou o visual da cidade e investiu na zona rural levando a administração para Alto Coité, Paraíso do Leste e por todas as regiões do município.
Primavera pertenceu a Poxoréu e por sua localização geográfica à margem da BR-070 alcançou um grande desenvolvimento que se reflete no crescimento populacional, enquanto Poxoréu permaneceu praticamente estagnada, afastada da malha rodoviária federal, e convivendo com a herança do ciclo do diamante que marcou suas primeiras décadas. Nelson Paim minimizou a rivalidade e fez ambas populações entenderem que formam um povo irmão, separado por 40 km pela MT-130.
Nelson Paim é líder classista. Presidiu o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) por três mandatos e o modernizou. Primavera, a sede da empresa de Nelson Paim tem a maior frota aeroagrícola do Brasil e mantém permanente contato com seus colegas empresários e com os pilotos. Seu nome é o mais citado nos hangares e oficinas de aviões em Mato Grosso. Sua eleição para a Assembleia seria importante para a cadeia do agronegócio, que é umbilicalmente dependente dos aviões agrícolas.
Nininho (Republicanos) deputado que exerce mandato municipalista, ligado aos municípios, o empresário paranaense Ondanir Bortolini, o Nininho, cumpre a quarta legislatura consecutiva na Assembleia, por três vezes foi prefeito de Itiquira, mas seu domicílio eleitoral é em Rondonópolis.
Nininho tem pouca participação na tribuna e sua linha de atuação é junto às prefeituras e entidades municipais, destinando emendas e as defendendo junto ao governo em busca de benefícios e obras. Esse estilo foi uma característica generalizada no Legislativo, mas eleição após eleição encolhe, principalmente em Mato Grosso, que tem dimensão quase continental. Pelo modo de legislar Nininho é considerado puxador de votos e deverá figurar entre os mais votados, por sua base eleitoral capilarizada e o apoio que recebe em Itiquira, onde sua família domina os meios políticos, e em Rondonópolis, sua residência.
Pastorello (Fé Brasil-PT) cumpre o terceiro mandato consecutivo de vereador por Cáceres, um dos maiores municípios mato-grossenses e que não elegeu deputado estadual para a legislatura em curso. A cidade, bicentenária, é sede da Universidade do Estado (Unemat), tem uma zona de processamento de exportação (ZPE) e o primeiro free shop de Mato Grosso.
Pastorello quer ser a voz de Cáceres e de seu polo de influência na fronteira com a Bolívia e no Alto Pantanal. Fluminense que veio para Mato Grosso em busca de oportunidade, Cezare Pastrolello Marques de Paiva é formado em Computação e servidor de carreira do Tribunal Regional do Trabalho, lotado em Cáceres.
Cáceres é um município onde há muito equilíbrio político entre as forças que apoiam o bolsonarismo e o presidente Lula. Pastorello tem consciência do peso eleitoral de alguns nomes de sua federação, mas aposta no regionalismo para conquistar uma cadeira para seu município e região.
Sebastião Rezende (União-União Progressista) engenheiro civil e advogado nascido e domiciliado em Rondonópolis, Sebastião Machado Rezende cumpre o sexto mandato consecutivo. Deputado avesso ao microfone na tribuna, Sebastião Rezende atua mais nos bastidores, sobretudo em defesa da comunidade evangélica, com destaque para os membros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que eleição após eleição o apoia. Em todas as eleições Sebastião Rezende disputou votos com membros de igrejas evangélicas e sempre foi o mais votado.
Além da atuação ao lado dos evangélicos, Sebastião Rezende defende bandeiras em defesa da família, educação, saúde e segurança pública. Sempre foi governista, mas em determinados temas se mostra independente. Seu nome nunca foi associado aos escândalos nos meios político
Alessandra Ferreira (Podemos) é estreante em candidatura. Foi lançada pelo marido, o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL). Antes, cuidava da casa e trabalhava na empresa do casal Ferreira. Por um curto período foi secretária de Ação Social na administração do marido, mas deixou o cargo para disputar a eleição.
Rondonópolis tradicionalmente elege significativa bancada estadual, mas Cláudio Ferreira reclama que os deputados não apoiam seu município. Em razão disso e em nome dessa argumentação sua mulher é candidata a deputada. Caso seja eleita Alessandra terá oportunidade de demonstrar na prática, o apoio que Cláudio busca e diz não receber na Assembleia.
A empresária Alessandra Ferreira Croco de Souza nasceu em Rondonópolis, que também é a terra de seu marido Cláudio.
Um dos poucos estrangeiros na função política em Mato Grosso é o Dr. João (MDB), que cumpre o segundo mandato consecutivo na Assembleia. Ele representa Tangará da Serra, o sexto maior município, com 116.837 habitantes e um raio de influência bem grande no Chapadão do Parecis e entorno.
Tangará teve um importante líder político: Saturnino Masson. Alguns políticos daquele município protagonizaram escândalos e ainda houve um fato muito triste: o assassinato do vereador Daniel do Indea. Em meio a isso o médico nefrologista português João José de Matos entrou no cenário político. Além dele, havia outro nome cotado para a Assembleia: o engenheiro, vice-prefeito e ex-vereador Carlos Eduardo Silva Sanchez Roman (União-União Progressista), mas um acordo entre lideranças locais lançou Eduardo Sanchez para deputado federal.
O Dr. João é o primeiro secretário da mesa diretora da Assembleia, tem discreta presença em plenário e defende sua base eleitoral.
Max Russi (Podemos) preside a Assembleia e regionalmente seu partido. Cumpre o terceiro mandato consecutivo de deputado, por duas vezes foi prefeito de Jaciara, onde presidiu a Câmara Municipal. Foi chefe da Casa Civil e secretário de Assistência Social no governo de Pedro Taques.
Aliado do ex-governador Mauro Mendes (UP), que deixou o governo para concorrer ao Senado, Max Russi defendeu pautas impopulares atendendo Mauro Mendes, mas sem deixar de fazer a defesa institucional da Assembleia e de ficar ao lado dos deputados. Mesmo na presidência ele apresenta projetos e discute os assuntos mais relevantes.
O empresário paranaense Max Joel Russi é uma das lideranças políticas mato-grossenses. No Vale do São Lourenço, onde se situa Jaciara, ele é quase unanimidade. Sua mulher, Andreia Wagner, é prefeita reeleita de Jaciara; seu irmão Alexandre Russi é prefeito de Juscimeira; e Eduardo Português, prefeito de São Pedro da Cipa é seu aliado em todas as horas.
Analistas avaliam que Max receberá a maior votação para o cargo, seguido pelos deputados estaduais Lúdio Cabral (PT) e Beto Dois a Um (Podemos).
Diego Guimarães (Republicanos) é o cérebro jurídico da Assembleia quando as comissões se reúnem. Ético, discreto e firme em seus posicionamentos, Diego Guimarães é parlamentar que presta serviço a Mato Grosso, sem aparecer, o que no futebol seria o chamado carregador de piano.
Cuiabano, o advogado Diego Arruda Vaz Guimarães foi vereador por Cuiabá e cumpre o primeiro mandato de deputado. É governista, mas sem a deslavada submissão que caracteriza alguns deputados. De berço político, o deputado é filho de Vandir Osmar Vaz Guimarães, que foi prefeito de Guarantã do Norte.
Chico Guarnieri (Federação PSDB/Cidadania) conquistou suplência na Assembleia em 2022 e chegou ao cargo com a renúncia de Cláudio Ferreira, que se elegeu prefeito de Rondonópolis.
Produtor rural, Francisco Guarnieri de Lima, o Chico Guarnieri, nasceu em Barra do Bugres, onde reside e disputou a prefeitura. Sem travar debates ele cumpre o mandato discretamente, mas sempre atuando em defesa de seu município e região.
Barra do Bugres é um polo regional que abrange Nova Olímpia, Porto Estrela, Denise, Arenápolis, Nortelândia, Alto Paraguai, Diamantino e Santo Afonso. Ele é o único deputado estadual domiciliado naquela área e quer continuar a fazê-lo.
Irmão Geremias (PL). É com este nome político que se apresenta o vice-prefeito de Juína, Geremias da Silva Lima, paranaense e bolsonarista naquele município com 48.897 habitantes e o principal do Chapadão do Parecis.
O bolsonarismo nos meios rurais quase sempre é agressivo. Em Juína não é diferente e o Irmão Geremias o representa bem. Contra ele não pesa escândalo na vida pública, onde foi secretário municipal. Avalio que o melhor nome – e com mais chance de eleição – é o de Altir Peruzzo (PT – Fé Brasil), mas os caciques petistas o empurraram para uma candidatura inglória para deputado federal, de modo a não incomodá-los em sua sede de poder. Altir foi prefeito e deputado estadual.
Por sua formação evangelizadora o Padre Sebastião Coracy (PSD) acredita em milagre. Tanto crê que é candidato (apostando na vitória) numa chapa considerada ‘da morte’ e sendo domiciliado em Bom Jesus do Araguaia, município com 8.091 habitantes, no Vale do Araguaia, onde em cada esquina há um candidato a deputado estadual.
Padre Coracy disputa a segunda eleição. Em 2024, pelo Novo, foi candidato a prefeito de Querência, também no Vale do Araguaia. Mineiro, o sacerdote Coracy Sebastião de Oliveira testará a capacidade da Igreja Católica em transferir votos para seus membros sendo que historicamente, desde 1977 quando da divisão territorial que criou Mato Grosso do Sul, a Santa Madre se manteve distante das eleições – salvo em uma ocasião – mas sempre defendendo posicionamento de cunho ideológico. A exceção aconteceu em 2000, quando o padre Antonino Cândido da Paixão (PSDB) se elegeu prefeito de São José do Povo, mas entrou em conflito com a população e a Câmara, de tal modo, que sequer disputou a reeleição, deixou a batina e assumiu sua profissão de professor, em Chapada dos Guimarães, sua cidade. Não creio na eleição do Padre Sebastião Coracy e vejo sua candidatura como mais um ato para a pulverização dos votos no Araguaia, mas gostaria que ele elegesse deputado para ver como agiria a Igreja Católica no contexto social e nos conflitos ambientais em Mato Grosso.
Em Rondonópolis a Dra. Luciana Horta (PL) é vereadora em primeiro mandato e bolsonarista. Sua trajetória política é recente, pois antes de se eleger para a Câmara atuava somente enquanto médica do Município e no Samu. Na Câmara rompeu com o prefeito Cláudio Ferreira (PL) e mantém postura independente em plenário. Paulista, profissional da saúde, Luciana Abreu Horta tem fortes vínculos com o agronegócio, pois seu pai, o produtor rural Hernandes da Silva Horta foi quem primeiro fez experimentos para o cultivo da soja em Mato Grosso; em 1973, seo Hernandes revolucionou Alto Araguaia, numa área hoje pertencente a Alto Taquari, ao semear cultivares de soja. Posteriormente seo Hernandes cultivou em Guiratinga, e mais tarde passou a se dedicar à pecuária em Guarantã do Norte. Enquanto o pai tocava a lavoura, a mãe de Luciana Horta, a professora Maria Cecília Abreu Horta, cuidava da perradinha.
A representação parlamentar mato-grossense é muito masculinizada, com pouca presença feminina. Ao longo da história Rondonópolis teve somente uma deputada estadual: a professora e ex-vereadora Vilma Moreira, que era suplente e assumiu a cadeira de Chico Galindo, que trocou a Assembleia para ser vice-prefeito de Cuiabá. Luciana Horta não tem vínculos com a familiocracia política e assume posicionamentos com firmeza.
Nunca fui ao seu gabinete, mas uma vez, por meio de mensagem, pedi que ela apresentasse um projeto dando o nome de Lauro Mendes a alguma rua. Ela disse que falaria com sua assessoria sobre o caso, mas não mais a procurei. Pioneiro em Rondonópolis, Lauro Mendes foi vice-prefeito e assumiu a prefeitura com o destempero da renúncia do prefeito engenheiro Luthero Lopes. Quem lamentou a falta de reverência à memória de Lauro Mendes foi seu filho, o professor aposentado da UFMT, Laurinho Mendes.
Infelizmente a Câmara de Rondonópolis menospreza a memória e o trabalho de autoridades, personalidades e figuras rondonopolitanas, ao passo que é generosa em reverenciar Marielle Franco, Dom Oscar Romero e tantos outros que nunca souberam sequer de sua existência. Episódio Lauro Mendes à parte, pois a vereadora é da leva mais nova de migrantes e não amassou barro nem enfrentou o isolamento e a poeira para chegar à nossa Rondonópolis de ontem, gostaria de vê-la na Assembleia.
Alcino Barcelos (PL) é um maratonista atrás de mandato de deputado estadual. Nas eleições em 2006, 2010 e 2014 ele tentou sem sucesso. Em 2016 e 2020, no entanto, Alcino foi eleito prefeito de Pontes e Lacerda, município com 56.720 habitantes e o segundo mais importante na faixa de fronteira.
Avesso aos jornalistas, Alcino é sul-mato-grossense, produtor rural e tenta se mostrar bolsonarista raiz, mas se pesquisado, seu currículo o mostrará filiado ao PDT de Leonel Brizola. Sua candidatura é uma opção para a representação da região do Vale do Guaporé na Assembleia. Sua cidade dista 230 km de Cáceres pela rodovia BR-174, e pela mesma estrada, 200 km de Comodoro, na divisa com Rondônia; essa área elegeu Valmir Moretto (Republicanos) em 2022 e Moretto tenta a reeleição para a Assembleia.
Maior e mais abandonada região mato-grossense. Assim era o Vale do Araguaia, mas este cenário mudou desde 2019, quando o Dr. Eugênio (Republicanos) assumiu seu primeiro mandato na Assembleia. Criando uma informal, mas prática e objetiva representação distrital, o Dr. Eugênio conseguiu exorcizar a pecha de Vale dos Esquecidos, graças ao seu trabalho parlamentar e atuação nos bastidores.
Acompanho a atuação do Dr. Eugênio. Poderia citar vários exemplos, mas sintetizo no sono tranquilo de milhares de produtores rurais na calha dos rios Araguaia e das Mortes, após as ameaças de engessamento da atividade econômica rural naquela área. A tranquilidade no sono somente foi possível depois que o Dr. Eugênio sufocou as ameaças devolvendo tranquilidade aos seus representados na Assembleia.
O excesso de zelo ambiental queria transformar aquela região em bioma Pantanal. Houve uma dura batalha política, científica e jurídica para impedir tamanha insanidade. Enquanto enfrentava a resistência do secretário de Planejamento e Gestão do governo, Basílio Bezerra, ao qual derrotou, o Dr. Eugênio travava outros enfrentamentos por pontes, rodovias pavimentadas, escolas, saúde indígena e a construção do Hospital Regional do Norte-Araguaia, em Confresa.
Candidato à reeleição, o Dr. Eugênio enfrenta concorrência predadora de mais de uma dezenas de candidaturas na região, que foram lançadas atendendo interesses que não são os regionais. Domiciliado em Água Boa, onde foi vereador e há mais de 30 anos atua na medicina, o anestesiologista mineiro José Eugênio de Paiva percorre a região em busca de apoio para levar adiante seu projeto, que na próxima legislatura terá que superar grandes desafios, a exemplo dos gargalos que surgirão na obra da ferrovia FICO, a construção do Hospital Regional de Barra do Garças, a operacionalização do Hospital Regional do Norte-Araguaia, o fortalecimento do Hospital Regional Paulo Alemão em Água Boa, o estímulo à industrialização para verticalizar a produção agropecuária, execução da pavimentação em trechos ainda encascalhados, saneamento, regularização fundiária e outras demandas.
Citei 24 nomes para a Assembleia, mas meu voto será para o Dr. Eugênio, a exemplo do que fiz em 2022, para que ele continue levando adiante seu trabalho que transforma o Vale do Araguaia que tanto abandono sofreu quando não tinha sua voz na tribuna do Parlamento.