Em todas as eleições publico artigo revelando meus votos. Nesta não seria diferente, mas escrevo um artigo para cada voto, aleatoriamente. A primeira publicação foi sobre uma das vagas ao Senado; na segunda focalizei a disputa para a Câmara dos Deputados; na sequência minha escolha para a Presidência da República, e agora pondero sobre o segundo voto para o Senado. Em outras publicações abordarei os votos para o governo e a Assembleia Legislativa.
Mauro Mendes e Janaína Riva
O Senado é a principal tribuna de debates no Brasil e a casa legislativa com poder para definir as composições dos tribunais superiores e os principais órgãos públicos. Quem busca mandato de senador ou senadora e foge de debate ao longo da campanha não merece voto, pois quem corre da luta no campo das ideias é fraco ou tem algo a esconder. Sob este prisma digo não ao voto para Mauro Mendes (UP) e Janaína Riva (MDB), que embora tenham confirmado que participariam, não compareceram ao debate promovido na quinta-feira (3) pela TV Centro América por meio de suas páginas nas redes sociais. Margareth Buzetti (UP) candidata ao cargo, também não marcou presença, mas embora sua candidatura mereça respeito, ela não figura entre os que apresentam as mínimas possibilidades de eleição a julgar pelas pesquisas de intenção de voto. Creio que Margareth foi aconselhada por Mauro Mendes para não comparecer, de modo a esvaziar a fala de seus adversários, pois ela é afilhada política dele e sem cometer nenhum crime faz seu jogo político, o que é natural.
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As redes sociais e o horário eleitoral nos exibem candidaturas produzidas em estúdio, sendo que algumas mais parecem figuras em desfile de modas, ao estilo Fashion Week, tamanha produção visual, do que alguém que se apresente em nome de propostas políticas a serem levadas a sério. Também nos mostram figuras que nos jogam na cara saldo de sua atuação na área política, como se fossem donos da verdade e do mundo. Este cenário é artificial, pois as candidaturas dizem somente aquilo que não lhes compromete e o que a população espera ouvir. O debate democrático despe a roupa da hipocrisia uma vez que permite ao oponente ser contraditório. A máxima popular política nos ensina que se deve correr de quem corre de debate.
Ao fugir do debate Mauro Mendes ofendeu a sabedoria popular, que pede explicação sobre a grave denúncia formulada pelo candidato ao Senado Pedro Taques (PSB) sobre a operação que resultou no pagamento pelo governo a um preposto da operadora OI, de 308,1 milhões de reais; trata-se de um rumoroso caso, onde Taques insiste que a dinheirama foi parar em fundos controlados por figuras ligadas a Mauro Mendes e ao deputado federal e candidato à reeleição Fábio Garcia (UP). Em suas falas nas redes, Mauro Mendes nega as acusações, se diz vítima de perseguição e não toca na operação da Polícia Federal que cumpriu mandados em sua mansão. No debate, olho no olho, ele e Taques poderiam se contrapor em tom democrático.
Um homem público com a dimensão de Mauro Mendes não pode tratar um assunto de tamanha gravidade como se fosse algo tão natural como o ranger de uma porta. Ninguém está acima da lei e todos são passíveis de investigação diante de evidências como é o caso Oi. Permanecer calado sobre ele ou argumentar que se trata de perseguição é demonstração de prepotência, desrespeito com o eleitor ao qual ele procura em busca de voto.
De minha parte seria leviano não reconhecer a boa administração de Mauro Mendes, mas nem por isso concordo com seu silêncio sobre os casos Oi, consignados e a CPI da Saúde que não o cita, mas aponta para Gilberto Figueiredo que foi seu secretário de Saúde – o cipoal de fatos sobre Figueiredo é extremamente grave e dificilmente alguém acreditaria que ele agiria sem conhecimento do governante.
A cadeira vazia de Mauro Mendes no debate foi cúmplice de seu silêncio estratégico. As investigações avançam, mas a Justiça é lenta e o desfecho será após as eleições que serão definidas pelo eleitorado ao qual é negado o direito de saber com detalhes sobre o que se passou entre quatro paredes no governo Mauro Mendes, de 2019 até o começo deste ano. Nos resta o deboche do ‘panhô’ ou ‘não panhô’.
Dentre as candidaturas em Mato Grosso a de Janaína Riva é a que melhor utiliza as redes sociais, onde ela se apresenta como Onça, defensora da mulher, combatente contra o feminicídio e defensora do servidor público. A propaganda eleitoral é superficial. O raio-x dos candidatos é feito nos debates, mas ela simplesmente não compareceu para debater.
Avalio que não podemos votar em alguém somente por sua fala, como é o caso de Janaína Riva, que deve satisfação a Mato Grosso. Se ela tivesse participado do debate certamente seria questionada sobre seu posicionamento sobre feminicídio, a Operação Lava Jato e o escândalo das emendas para compra de kits para a agricultura familiar. O debate seria a oportunidade para que ele se manifestasse, porém sua ausência mantém uma densa nuvem sobre tais casos.
Carlinhos Bezerra, filho do ex-governador Carlos Bezerra, matou a ex-mulher e seu namorado. Janaína Riva constantemente ocupa as redes sociais citando nomes de vítimas e de autores de feminicídio pedindo duras penas para tais crimes. No entanto, ela ficou em silêncio sobre o duplo homicídio praticado em Cuiabá por Carlinhos Bezerra, que foi condenado a 36 anos. Esse combate seletivo ao feminicídio seguramente seria abordado no debate. Não creio em quem age desta forma e espero que o leitor avalie esta questão.
O doleiro Lúcio Bolonha Funaro em depoimento na Operação Lava Jato ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, revelou que a empresa Floresta Viva Exportadora de Madeira e Terraplanagem, de Janaína Riva, lavou dinheiro para José Riva – seu pai – e Silval Barbosa; segundo ele, tratava-se de pagamento de propina pelos irmãos Joesley e Wesley Batista (JBS) aos dois, e com esse dinheiro eles compraram a fazenda Bauru, em Colniza. Janaína Riva retrucou afirmando que a empresa estava em nome dela e de seu irmão, José Geraldo Riva Júnior, mas era do pai e que ele a administrava. Na fazenda de Riva e Silval, em Colniza, no sábado, 5 de janeiro de 2019, o posseiro Elizeu Queres de Jesus, 38 anos, foi morto a tiros e nove posseiros foram feridos a bala, numa ação praticada por seguranças da propriedade. Os feridos foram atendidos em um hospital na cidade de Colniza.
Além da acusação de Funaro, Janot revelou que a Floresta Viva, de Janaína Riva, teria recebido um depósito de R$ 300 mil, feito pela Viscaya Holding Participações, que foi uma das principais empresas utilizadas pelo doleiro Lúcio Funaro para lavar o dinheiro ilícito arrecadado pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), em seus esquemas. Janaína Riva não retrucou Janot pela Imprensa e não há informação sobre eventual defesa judicial feita por ela.
Janaína Riva defende o servidor, mas não cita que em parte do período em que seu pai controlou a Assembleia Legislativa, todos os servidores eram obrigados a contraírem CDC no Banco do Brasil para receberem seus salários, porque havia descontrole na gestão financeira do Legislativo então impregnado de escândalos. Este fato, gravíssimo, nunca foi esmiuçado pelo Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado, para se saber se o servidor além de humilhado pagava os juros do empréstimo. Ela não fala sobre isto e em assim sendo, não a vejo defendendo o servidor.
Em 24 de setembro de 2024, a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil deflagrou a Operação Suserano, com alvo na Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), cumprindo 50 ordens judiciais, das quais 28 mandados de busca e apreensão, e decretou o bloqueio de bens dos investigados até o montante de 28 milhões. O escândalo resultou na demissão do secretário da Seaf, Luluca Ribeiro, e de sua equipe, pelo então governador Mauro Mendes (UPB). Luluca foi indicado ao cargo pela deputada estadual Janaína Riva (MDB), trabalha em seu gabinete, e sua mulher, Kézia Limoeiro, é chefe do gabinete da deputada. Este escândalo está abafado. Luluca e os demais demitidos voltaram para a Assembleia, onde são lotados. Janaína Riva que nomeou Luluca e seus assessores nunca se manifestou sobre o caso.
Janaína Riva com Gilmar Mendes
Quem defende impeachment de ministros do STF e deseja sua oxigenação, não terá Janaína Riva defendendo esse posicionamento, caso seja eleita. Isso, em razão de seus laços de amizade com o ministro Gilmar Mendes, ao qual prestigia participando em Lisboa do Gilmarpalooza e divulgando fotos com ele nas redes sociais.
RESUMO – Diante da ausência de Mauro Mendes e Janaína Riva no debate, não tive oportunidade de ouvir suas defesas com olho no olho diante dos questionamentos. Não me iludo com as propagandas nas redes sociais. Portanto, não votarei neles para o Senado, pois ambos devem explicações e fugiram delas não comparecendo para debater. Em artigo anterior citei um de meus votos e agora o faço sobre o outro.
Votarei em Zé Medeiros (PL), pois ele nunca foi acusado de escândalo na esfera financeira. Não comungo o pensamento bolsonarista dele, mas respeito essa opinião que é majoritária em Mato Grosso. Pelo Eduardo Gomes que assina este texto meu voto jamais seria dele, pois há 15 anos nós não nos falamos em razão de uma matéria que publiquei – e meu texto estava correto. Porém, entre o autor e Mato Grosso ficou com esta terra abençoada e ensolarada que precisará se fazer ouvir com altivez e independência no Senado.
Impressionante resumo.