Tão grande quanto o potencial do Vale do Araguaia é a pulverização de sua classe política quando o assunto é candidatura à Assembleia Legislativa. Nos últimos dias, levantando informações sobre a janela partidária, observei um número irreal de nomes do Araguaia em busca de uma cadeira no Parlamento, ou quem sabe, até mesmo para simplesmente fazer o jogo dos poderosos somando migalhas de votos às suas legendas. O cenário é preocupante, pois a próxima legislatura estadual terá atribuições que a farão diferente das demais, já que entre 2027 e 2030, Mato Grosso passará por uma transformação jamais vista, e isso inclui o Araguaia, onde o trem a FICO apitará no trajeto entre Cocalinho e Água Boa, via Nova Nazaré, que precisará de muita ação política por investimentos e programas. Penso que o eleitorado da região não deveria abraçar os planos individuais de tantas figuras, que poderão pulverizar de tal modo a votação a ponto de colocar em risco a reeleição do representante regional, o deputado estadual Dr. Eugênio (PSB), o que seria o colapso na esfera política dessa área que precisa lutar para que sua voz continue a ecoar e ser ouvida em Cuiabá, onde o Dr. Eugênio cumpre um mandato inteiramente voltado para o Araguaia, e de tal modo que até mesmo todas as suas emendas são destinadas àquela região, onde exerce a medicina e tem domicílio em Água Boa, onde foi vereador.
O Araguaia não pode se entregar novamente ao luxo da aventura eleitoral, que é uma de suas marcas e que tanto lhe prejudicou no passado. Seria o máximo da utopia acreditar na viabilização dos projetos eleitorais de Marcelo Aquino, em General Carneiro; Adelcino Lopo, em Pontal do Araguaia; Moacir Couto, Zé Gota e Gibran Freitas, em Barra do Garças; Gustavo Bang, em Nova Xavantina; padre Sebastião Coracy de Oliveira, em Bom Jesus do Araguaia; Janailza Taveira, em São Félix do Araguaia; Abmael Borges, em Vila Rica; Daniel do Lago, em Porto Alegre do Norte; Priscila Dourado, em Alto Araguaia; Dra. Claudia Gervazoni, em Canarana; e em outros nomes. Na individualidade cada um promove a inconsequência eleitoral coletiva. Com esse dessaranjo quem lucra politicamente é o coronelato partidário, que não tem raízes no Araguaia, pois à frente dos principais partidos estão figuras que não residem na região: Max Russi (Podemos), em Jaciara; Mauro Mendes (União), em Cuiabá; Nilson Leitão (PP), em Sinop; Adilton Sachetti (Republicanos), em Rondonópolis; Carlos Avallone (PSDB), em Cuiabá; Rosa Neide (PT), em Cuiabá; Carlos Fávaro (PSD), em Cuiabá; Ananias Filho (PL), em Cuiabá; Janaína Riva (MDB), em Cuiabá; Mauro Carvalho (PRD), em Cuiabá; e Pedro Taques (PSB), em Cuiabá. Ou seja, a aventura eleitoral no Araguaia alimentará legendas que elegerão cidadãos de outras regiões.
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Dr. Eugênio em plenário na Assembleia
Evidentemente que todos os que atendem às exigências eleitorais podem se candidatar. Porém, é preciso discernimento. A candidatura não deve ser do candidato para o candidato, mas em nome da atuação em defesa do cidadão e de sua região. Acompanho bem a movimentação e as manifestações políticas. Nunca vi nenhuma defesa do Araguaia feita pelo nomes que citei, quando a região precisou de voz em sua defesa. Quem se lembra da luta travada na Assembleia pelo Dr. Eugênio, em nome do Araguaia, e por Valmir Moretto, defendendo o Vale do Guaporé, quando as duas regiões sofriam ataques ambientalistas, que tentavam oficializá-las como áreas úmidas, num coro que partia da Sema e de ongs, com a conivência do secretário de Planejamento e Gestão, Basílio Bezerra? Quem se recorda sabe muito bem que os nomes agora rotulados pré-candidatos botaram cadeado na boca, não vestiram a camisa da terra que agora querem representar. Em outras – incontáveis vezes – ocasiões os pré-candidatos ficaram calados. Não os vi defendendo a construção da ponte sobre o rio das Mortes na MT-326 entre Nova Nazaré e Cocalinho. Não os vi brigando pela pavimentação para Santa Terezinha, por construção e reforma de escolas, por energia nas aldeias indígenas, pelo Hospital Regional do Araguaia (em Confresa), pelo centro de hemodiálise de Água Boa, por escolas cívico-militar, pela ampliação da saúde básica e dos serviços prestados pelo Hospital Paulo Alemão (em Água Boa), pela conlusão da pavimentação da MT-020. Nunca os vi em defesa do Araguaia.
Claro, que uma região precisa oferecer opção de escolha pelo voto. Porém, não deve fazê-lo com tamanho descompromisso como acontece agora no Araguaia. Porém, não devemos esperar por recuo. Os interesses são muitos. As lideranças que decidem a formação das chapas não pertencem à região e, dela, querem, sobretudo, o voto. Por ser assim, cabe a quem vota não se deixar levar pelo caminho que não aponta para o Araguaia do amanhã, mas para a trilha da insensatez.
Infelizmente, povo desunido não sabe o que quer. Cada um olha para seu próprio bolso.