Oitavo capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos

EDUARDO GOMES
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PREÂMBULO – Posto o sétimo dos 10 capítulos do livro que escrevi narrando a vida pública do deputado estadual Júlio Campos (União) – que em boa parte se funde e se confunde com a própria existência dele.

Nove capítulos estão editados e revisados. O décimo e último depende do desenrolar dos fatos políticos, sobretudo quanto à pretensão do seu irmão, o senador Jayme Campos (União), em concorrer ao governo. O governador Mauro Mendes que lidera a cúpula que verdadeiramente dá as cartas no União Brasil não apoia Jayme e defende o nome do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para o Palácio Paiaguás. Aparentemente, quanto ao sonho de Jayme, Inês é morta. Porém, para o complemento e título da obra não basta a crença de que Jayme dançou: é preciso citar o caminho que os irmãos Campos tomarão e qual será o papel político de Jayme e Júlio.

No cenário de agora não é possível concluir a obra, mas em breve teremos o fim do impasse, o que me permitirá escrever o décimo capítulo e dar o nome ao livro. Aguardem! Observo que o oitavo capítulo é ilustrado por sete fotos, mas que nesta amostragem há somente três – e lamentavelmente sem o tratamento que lhes foi dado para a obra.

Sugiro que leiam os seis primeiros capítulos neste blog buscando os títulos: Livro narra a vida e obra de Júlio Campos, o aniversariante de hoje (o primeiro)Segundo capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio CamposTerceiro capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos;Quarto capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos; Quinto capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos; Sexto capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos; e o Sétimo capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos.

Oitavo capítulo sobre a vida pública de Júlio Campos

O ano de 2014 marcou a saída da vida pública de duas figuras mais expressivas dos meios políticos mato-grossenses. Júlio Campos, cassado por compra de votos; e José Riva, pela Lei Ficha Limpa que o alcançou após 20 anos à frente da Assembleia, onde liderou um esquema de roubalheira que resultou – segundo ele em delação premiada – num desvio de 175 milhões dos cofres públicos.

As derrotas não abalaram Júlio Campos, que voltou à cena política em 2010, quando Mato Grosso fervilhava sonhando com a possibilidade da realização de jogos da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá. “Senti que poderia ser útil à minha terra, também em defesa da conquista de uma sede do Mundial, com minha atuação na Câmara”, revelou. José Riva permanece fora do cenário político; a delação reduziu sua pena, ele cumpriu dois anos de prisão domiciliar e devolveu 92 milhões pela dinheirama roubada dos cofres públicos.

Sem muito planejamento e até mesmo sem articulação política, Júlio Campos voltou ao palanque em 2010. Foi eleito e compôs a bancada mato-grossense na Câmara com Homero Pereira e Wellington Fagundes (ambos do PR), Valtenir Pereira (PSB), Carlos Bezerra (PMDB), Ságuas Moraes (PT), Nilson Leitão (PSDB) e Eliene Lima (PP). “Nossa bancada no todo, incluindo os três senadores, foi a que mais canalizou recursos para Mato Grosso e sua atuação foi importante para a modernização de Cuiabá e Várzea Grande”, citou. O quê da eleição foi uma denúncia de compra de votos, que resultou em apreensões pela Polícia Federal e a cassação de seu mandato pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) a pedido do procurador regional eleitoral, Thiago Lemos de Andrade.

Blairo Maggi (PR) e Pedro Taques (PDT) foram eleitos ao Senado em 2010, na eleição para renovação de dois terços; Jayme Campos (DEM) era senador e chegou ao cargo no pleito de 2006.

Campo Grande (MS) e Cuiabá brigavam pelo direito da realização de jogos do Mundial em 2014. Nenhuma das duas cidades tinha infraestrutura para tanto, como exige a Fifa. A carência cuiabana acendeu o espírito de luta mato-grossense. Graças aos parlamentares da bancada federal os recursos necessários para as obras do chamado Caderno de Encargos da Fifa foram conquistados pelos congressistas, porém, sua aplicação não passou pelos deputados federais e senadores.

Viadutos, trincheiras, elevados e a duplicação de vias modernizaram Cuiabá e Várzea Grande. Sem eles as duas cidades ficariam atadas por um nó no trânsito. Além disso, Mato Grosso ganhou a Arena Pantanal, que é uma das mais modernas do continente.

Mato Grosso conhece os fatos sobre a realização das obras em Cuiabá e Várzea Grande antes da Copa do Mundo de 2014. A história detalha bem o que aconteceu e em nenhum momento aparece nome de congressista envolvido nos escândalos que inviabilizaram o cumprimento de todos os itens do Caderno de Encargos da Fifa. No baixo clero, sem apresentar projeto relevante e sem nenhuma atuação importante em defesa de sua terra, Júlio Campos cumpriu um mandato apagado e sob fogo cerrado da Justiça Eleitoral.

Logo após as eleições Júlio Campos foi acusado pelo Ministério Público de ter comprado votos distribuindo vales-compra e vales-abastecimento. A prática teria ocorrido por meio da empresa Empreendimentos Santa Laura, da qual ele é sócio majoritário, e ao menos 207,5 mil teriam sido movimentados para a chamada captação ilícita de votos.  Os tíquetes teriam sido distribuídos pelo filho do deputado, Júlio Campos Neto e trocados junto ao supermercado Bom Gosto, em Várzea Grande, e ao posto de combustíveis América, em Cuiabá. A Polícia Federal apreendeu tíquetes, colheu depoimentos, rastreou a operação conduzida por Júlio Campos Neto. Chegou-se ao que se chama batom na cueca. Em julho de 2014, a lenta Justiça Eleitoral em Mato Grosso cassou os direitos políticos de Júlio Campos por crimes de caixa 2 na campanha em 2010.

A injustificável morosidade da Justiça Eleitoral e recursos protelatórios empurraram a ação até julho de 2014, o último ano do mandato de Júlio Campos. Por quatro votos favoráveis e um divergente, o TRE cassou seu mandato; o relator foi o juiz José Luiz Blaszak, que pediu a cabeça do deputado e foi acompanhado pelos juízes Agamenon Moreno de Alcântar Júnior e Pedro Francisco da Silva, e pela desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas; a divergência ficou por conta do juiz Samuel Franco Dalia Júnior.

A suplente de Júlio Campos era Thelma de Oliveira (PSDB), que não assumiu sua cadeira porque ele recorreu e conseguiu continuar no plenário. Em dezembr0 de 2015, portanto um ano após o término de seu mandato, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, do TSE, o absolveu monocraticamente.

Filho e pai réus na mesma ação

O suposto esquema da compra de votos para Júlio Campos teria sido operado por seu filho Júlio Domingos de Campos Neto por uma ação que se arrastou até novembro de 2023, quando o juiz da 51ª Zona Eleitoral, Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto o absolveu.

Júlio Domingos de Campos Neto disputou as eleições em 2014. Foi candidato a deputado estadual pelo Democratas e recebeu 10.600 votos ficando numa distante suplência.

Júlo Campos no hospital após o transplante

Júlio Campos disse que independentemente da cassação, não tentaria a reeleição por conta de seu delicado quadro de saúde. Ele cumpriu o mandato enfrentando grave problema com a hepatite, que durante 25 anos minou seu fígado. Vale ressaltar que ele nunca reclamou e não fez da doença uma bandeira para se mostrar vítima. Atravessou em silêncio a longa enfermidade, sempre demonstrando otimismo e sem perder o humor que é uma de suas caracteristicas.

Em busca da cura, Júlio Campos entrou na fila do Registro de Cadastro de Transplantes em 2015. Finalmente, em 13 de março de 2017, no Hospital São Carlos, em Fortaleza, Júlio Campos recebeu um fígado doado por um jovem de 24 anos.

“A operação foi um sucesso, graças a Deus. Estou são e fazendo o que mais gosto: a política que corre em minhas veias”, comemora.

Em 2018 Júlio Campos se recuperava do transplante de fígado, não disputou eleição e praticamente não participou da campanha de seus aliados. Porém, dois anos depois, aconteceu em Mato Grosso a primeira eleição suplementar para o Senado e ele voltou ao palanque.

Leitão com Júlio Campos e Zé Márcio, em campanha

Não havia espaço para Júlio Campos ser candidato ao Senado, mas numa composição de força suprapartidária, o União Brasil o homologou candidato a primeiro suplente de senador na chapa encabeçada pelo tucano Nilson Leitão, com o segundo suplente José Márcio Guedes (PL), que é servidor do gabinete do senador Wellington Fagundes (PL).

A eleição suplementar ao Senado foi realizada em plena pandemia da covid-19, por conta da cassação da chapa da juíza aposentada Selma Rosane Arruda. Júlio Campos participou do pleito disputando pelo Democratas a primeira suplência do tucano Nilson Leitão, numa chapa que se completava com Zé Márcio Guedes (PL) na segunda suplência. O vencedor foi Carlos Fávaro (PDS). Os suplentes vencedores com Fávaro foram: Margareth Buzetti (PP) e José Lacerda (MDB). Fávaro  recebeu  371.857 votos. Em segundo lugar ficou a Coronel Fernanda (Patriota), com 293.342 votos. Nilson Leitão com Júlio Campos é José Márcio Guedes somaram 157.504 votos. Em ordem decrescente: o deputado federal José Medeiros/Podemos (138.922 votos), o deputado estadual Valdir Barranco/PT (117.933), Procurador Mauro/PSOL (97.573), Pedro Taques/SD (71.368), deputado estadual Elizeu Nascimento/DC (66.966), Euclides Ribeiro/Avante (58.455), Reinaldo Morais/PSD (36.545) e Feliciano Azuaga/Novo (21.214).

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