Alto Tapajós ganha saúde e integração
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Uma região com potencial para se transformar em Eldorado, mas travada pela precariedade da saúde pública e o engessamento no transporte rodoviário. Este foi o dilema do Alto Tapajós, que é parte do Nortão. Porém, a sensibilidade e a visão administrativa do governador Mauro Mendes (União) acionaram a chave para a arrancada em busca de um giro de 180 graus, ao investir nos setores hospitalar e rodoviário. Conclusão: Alta Floresta, Carlinda, Paranaíta, Apiacás, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes começam a sair da dura realidade do ontem, entram em nova era e alguns dos gargalos do passado ganham espaço na memória e viram causos a serem relembrados nas rodas familiares e de amigos. A virada de página será concluída em breve, quando a maior ponte de Mato Grosso for inaugurada, o que permitirá a ligação de Porto Velho (RO) a Santarém (PA) pelo Corredor Leste-Oeste, que com suas pontes se constitui na maior obra rodoviária em execução no Brasil.
O giro de 180 graus começou em 2019, quando Mauro Mendes assumiu o governo. Parte das mudanças foram concluídas, mas o coroamento virá com a conclusão da ponte com 1.360 metros sobre o rio Juruena, no Corredor Leste-Oeste, que ligará Colniza a Guarantã do Norte, e mais ampliado, de Porto Velho a Santarém. Porém, a cereja do bolo, que é o Hospital Regional de Alta Floresta Deputado Romoaldo Júnior, também chamado de Hospital Regional do Alto Tapajós, foi entregue pelo governante e está em funcionamento.

Obra de hospital e de rodovias dispensam justificativas, mas é preciso conhecer a realidade do Alto Tapajós para se entender melhor o significado delas para a região. Alto Tapajós é a área com 51.376 km² formada por Alta Floresta, Carlinda, Paranaíta, Apiacás, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes, que faz divisa com o Pará e o Amazonas, na calha dos rios Juruena e Teles Pires, que se juntam para formar o Tapajós. A título comparativo ela é maior do que a soma de Sergipe e Alagoas, que perfaz 49.768 km².
Os projetos de colonização da região começaram na década 1970, mas nos primeiros anos, com a descoberta do ouro, a atividade agropecuária entrou em descompasso por falta de mão-de-obra pela concorrência predadora do garimpo para extração manual em todos os municípios do Alto Tapajós e adjacências, inclusive no Pará, e permaneceu em alta até 1995, ano em que a população dos seis municípios somou 118.213 habitantes, segundo o Censo precário do IBGE, pelas dificuldades de recensear nas áreas garimpeiras que concentravam os maiores grupos populacionais. Naquele ano, injunções políticas e a pressão ambiental reduziram a extração manual do ouro e houve êxodo da comunidade garimpeira. O impacto com o esvaziamento populacional pode ser dimensionado pela população de hoje, de 105.740 residentes. À época, Alta Floresta chegou a 79.591 habitantes, e agora soma 62.158.

No ciclo do garimpo, o isolamento e a falta de saúde pública ditavam o tom social na região. À época, a ‘balária’ – mistura de bala e malária – respondia pela maioria da ocupação dos poucos leitos na região. Os endereços certos para quem buscava médico era o Dr. Mário Nishikawa, pioneiro da medicina em Alta Floresta; o ‘Dr. Ambulância’, que removia para Cuiabá; e os aviões dos lendários Irmãos Metralha, que além dos garimpos também voavam como unidades de saúde de transporte aéreo. Na sequência a saúde ganhou o acanhado Hospital Regional Albert Sabin, em Alta Floresta.
Em janeiro de 2019, Mauro Mendes tomou posse para seu primeiro mandato de governador e mal esquentou a cadeira concedeu uma audiência ampliada aos prefeitos Carmem Martines (Carlinda), Asiel Bezerra (Alta Floresta), Tony Rufatto (Paranaíta), Adalto Zago (Apiacás), Bia Sueck (Nova Monte Verde) e Valdir Rio Branco (Nova Bandeirantes), da qual participaram o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo. Todos pediam saúde pública para a região. O governador ouviu e os tranquilizou afirmando que construiria um grande hospital regional em Alta Floresta, e não somente naquela cidade, mas nos outros polos regionais.
Transcorridos sete anos do encontro com os prefeitos, Mauro Mendes inaugurou, na semana passada, o hospital prometido. A obra tem 162 leitos, dos quais 30 UTIs adulto e pediátrica, além de 10 Unidades de Cuidados Intermediários (UCIs) pediátricas. A construção exigiu investimentos de R$ 205 milhões. Com o novo hospital a saúde regional supera a crônica falta de leitos e de atendimento médico, além de consolidar a prestação de serviço de medicina de alta complexidade em oncologia, cardiologia e outras. Na inauguração, o prefeito anfitrião, Chico Gamba, destacou que seu município e região ganharam uma unidade de saúde que oferecerá a mesma qualidade de atendimento do Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, em Cuiabá, que recentemente entrou em funcionamento.
Com o novo hospital os moradores da região têm ganho logístico no transporte do domicílio ao médico. Antes, o paciente de Nova Bandeirantes em muitos casos era transportado em ambulância por 1.020 km até Cuiabá. Agora, o trajeto é de 210 km, de sua cidade a Alta Floresta.
Pará e Rondônia passam por aqui
Mato Grosso por sua localização no centro do continente, tem saídas regionalizadas, o que reduz o chamado índice de continentalidade – a distância da lavoura ao porto. O acesso natural ao porto para a exportação das commodities produzidas no Alto Tapajós são os portos paraenses de Miritituba (de Itaituba) e Santarém, no rio Tapajós. Essa rota muito interessa tanto aos portos quanto a Rondônia, mas ela ainda é inviável por conta de uma balsa no percurso, e pela falta de pavimentação em alguns trechos, mas essas barreiras estão próximas de serem derrubadas.
A região tem um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil, produz soja e milho em escala, tem plantas frigoríficas bovinas, é uma das grandes reservas de ouro do país, além de outros minerais; é prestadora de serviços e distribuidora de itens para supermercados; Alta Floresta é polo universitário e do turismo de pesca e contemplação no rio São Benedito. A maior usina hidrelétrica (UHE) de Mato Grosso é a Teles Pires, na divisa com o Pará; com cinco turbinas sua capacidade de geração na ponta é de 1.820 MW, energia suficiente para a demanda residencial de 5 milhões de consumidores – seu reservatório tem 95 km² e o rio sofre represamento em 70 quilômetros.
A economia da região tem foco para o comércio exterior, e independentemente do local de embarque da produção do Alto Tapajós nos portos de Miritituba e Santarém, a redução do trajeto é de 160 km no comparativo com a rota via Colíder. Para a ligação de Porto Velho com Guarantã do Norte, via Comodoro, Cáceres, Cuiabá e Sinop, a distância é de 2.150 km, e pelo Corredor Leste-Oeste o trajeto é encurtado em 880 km.

A consolidação do Corredor Leste-Oeste exigiu obras que para alguns são vistas como visionárias. O governo constrói uma ponte com 1.360 metros sobre o rio Juruena, no limite de Cotriguaçu com Nova Bandeirantes e investe R$ 252,8 milhões em sua concretização; não é uma mera ponte, mas a maior de Mato Grosso e substituirá as balsas que fazem a travessia do rio, mas não em linha reta de uma para outra margem, pois as características topográficas as levam a navegar 3.800 metros em cada sentido. Ainda no trajeto foi construída uma ponte com 692 metros sobre o rio Teles Pires, no limite de Carlinda com Novo Mundo, na qual foram investidos R$ 48,3 milhões.
O Corredor Leste-Oeste além de atender à demanda de transporte do Alto Tapajós faz daquela região uma área atrativa para investidores e desloca para ela, um tráfego interestadual, que será incrementada por seu ganho logístico. Porém, no setor de transporte, o governo foi além: pavimentou a rodovia MT-206, no trecho de 124 km entre Paranaíta e Apiacás propiciando melhores condições na interligação entre as duas cidades que são polos do agronegócio e que também foram áreas de garimpo de ouro; essa obra, de R$ 160 milhões, exigiu a construção de uma ponte de concreto sobre o rio Apiacás, com 240 metros de extensão ao lado da cidade do mesmo nome.
Os investimentos em saúde e transporte podem ser considerados os pilares administrativos do governo de Mauro Mendes, que termina, pois no dia 31 ele deixará o cargo para concorrer ao Senado. Porém não foram os únicos. O governo atuou na educação, inclusive fortalecendo o campus da Universidade do Estado (Unemat) em Alta Floresta; na segurança pública; no campo e na regularização fundiária; no lazer e no esporte; na pavimentação urbana; e mantém todos os municípios inseridos ao planejamento estratégico para o programa estadual SER Família, que injetou recursos para os mutuários do sistema habitacional adquirirem suas moradias. O SER Família é coordenado pela primeira-dama Virgínia Mendes e em todos os municípios recebe apoio por seu alcance social e a presença de uma mulher à sua frente. O universo feminino é muito forte e influente no Alto Tapajós, onde o programa tem o maior reconhecimento possível; região com uma curta história institucional iniciada há menos de meio século; cinco das suas prefeituras foram administradas por mulheres: Maria Izaura, duas vezes (Alta Floresta), Carmem Martines, duas vezes (Carlinda), Silda Kochemborger, duas vezes (Apiacás), Bia Sueck, duas vezes (Nova Monte Verde) e Solange Kreidloro, (Nova Bandeirantes).
A um passo de concluir a virada da chave, o Alto Tapajós sabe que em breve será uma das regiões mais atrativas do Brasil para investimento rural e da agroindústria. Estrutura para receber os investidores não falta: em Alta Floresta o Aeroporto Piloto Oswaldo Marques opera uma pista com 2.500 metros de extensão, a maior de Mato Grosso e alternativa para os voos da rota Manaus-Brasília. Alta Floresta, Paranaíta e Apiacás têm modernos traçados urbanos que nasceram da prancheta do topógrafo Antônio Severo Gomes, que prestava serviços para o colonizador Ariosto da Riva, que fundou as três cidades.
Em breve, o turismo de saúde do Alto Tapajós para Cuiabá deixará de existir, pois sua demanda em alta complexidade será canalizada para o Hospital Regional do Alto Tapajós. Também em breve as commodities agrícolas e minerais da região estarão mais próximas dos portos rumo ao mercado mundial. Por isso e pelo conjunto das obras realizadas no governo de Mauro Mendes, o governador foi aplaudido pelos prefeitos Chico Gamba (Alta Floresta), Pastor Fernando (Carlinda), Osmar Mandacaru (Paranaíta), Edmilson Marino (Nova Monte Verde), Júlio Cesar (Apiacás) e Rogério de Souza (Nova Bandeirantes) e os demais presentes, quando do corte da fita simbólica inaugurando o hospital que a região precisava, merecia e que agora está de portas abertas à população.
Fotos:
Governo de Mato Grosso