A carta na manga e a rasteira em Mauro Carvalho
Eduardo Gomes
@andradeeduardogomes
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Politicamente o PRD de Mato Grosso é um zero à esquerda. Mas, como rota de abrigo para uma eventual debandada do grupo liderado pelo governador Mauro Mendes (União-Progressista) seria um ninho acolhedor e confiável. Por isso, vejo a degola de Mauro Carvalho além do fato em si. Avalio que alguém mirou em Mauro Mendes e também acertou outro Mauro, o Mauro Carvalho.
Rasteira política é o que mais acontece. Mauro Carvalho, primeiro suplente do senador Wellington Fagundes (PL), ex-chefe da Casa Civil de Mato Grosso e braço direito de Mauro Mendes é político do baixo clero. Seu partido está entre os nanicos. Porém, a sua ligação com o governador – creio – teria acendido luzes de alerta nos meios políticos, pois de uma hora para outra o pequeno PRD poderia ser ‘invadido’ por parte do União Brasil (não confundir com União Progressista), o que nesse caso – continuo avaliando – seria o núcleo ligado a Mauro Mendes, se ele julgar prudente buscar outro caminho a enfrentar o senador Jayme Campos (União) numa convenção sobre candidatura ao governo. Mauro Mendes apoia o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e Jayme Campos diz que somente Deus o impedirá de disputar o Palácio Paiaguás, onde governou no quadriênio 1991-94.
O relógio corre contra Mauro Mendes e Jayme Campos. A data-limite para trocar de partidos é o próximo dia 3. Os dois precisam chegar àquele dia, com seus projetos definidos. Independentemente do vencedor na convenção, ambos sairão fragilizados, o que sugere que poderá haver uma ruptura interna, com cada um seguindo seu rumo. Mauro Mendes correr para o colo político de Mauro Carvalho seria algo natural; Mauro Mendes massacrar Jayme Campos na convenção não seria algo positivo, pois o brasileiro tem mania de chorar pelo derrotado. Portanto, se Mauro Carvalho não tivesse sido destituído da chefia do PRD, seu partido seria o caminho natural para seu xará, e sua sigla iria para a campanha eleitoral coligado com o Republicanos de Pivetta. Com Mauro Mendes se desfiliando, Jayme Campos continuaria em seu canto, mantendo a longeva fidelidade partidária que carrega desde os idos da Arena.
Com a rasteira sofrida por Mauro Carvalho, não há mais o caminho do PRD para Mauro Mendes, e se ele permanecer na União Progressista, creio que ele e Jayme Campos morrerão abraçados. Mas, todos sabemos que político quando cai diz que caiu para cima, pode ser que Mauro Mendes se socorra com Pivetta, e que seus dois grupos se abracem sob a bandeira do Republicanos, o que seria natural.
Em suma, Jayme Campos se sentirá mais confortável se não tiver que disputar convenção, pois todos os que bebem água sabem que o famoso Pedra 90 não costuma entrar em bola dividida. Agora, o que ninguém sabe – ou não quer falar nesse momento – é como está o estado de espírito de Jayme Campos depois da rasteira sofrida por Mauro Carvalho. Penso que ele está rindo de orelha a orelha por trás de seu indefecável cigarro, mas tenho certeza de que ele nunca tocará no golpe sofrido por Mauro Carvalho, coisa que deve ter sido planejada por algum político velho, matreiro, que conhece o caminho das pedras e que tem sempre uma carta na manga. Isso, a carta na manga. Foi ela quem derrubou Mauro Carvalho para que ele arrastasse consigo o governador em fim de mandato, pois a máxima da velha politica diz que a vitória começa quando se vence a resistência interna.
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Divulgação
Politicamente o PRD de Mato Grosso é um zero à esquerda. Mas, como rota de abrigo para uma eventual debandada do grupo liderado pelo governador Mauro Mendes (União-Progressista) seria um ninho acolhedor e confiável. Por isso, vejo a degola de Mauro Carvalho além do fato em si. Avalio que alguém mirou em Mauro Mendes e também acertou outro Mauro, o Mauro Carvalho.