Presidente do Paraguai renuncia
Lucas Pordeus León – Agência Brasil
BRASÍLIA
Enquanto a Câmara dos Deputados do Paraguai discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, nesta quinta-feira (5), o mandatário do país, Santiago Peña, anunciou a renúncia ao cargo, em meio a uma crise financeira causada pela intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank.
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Abandonado pelo próprio partido, que passou a cobrar sua renúncia, Peña justificou a decisão em nome da estabilidade do país e da necessidade de “preservar nossas instituições”. O vice-presidente Pedro Allana assumirá o cargo.
“Me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, disse o presidente, em pronunciamento nas redes sociais.
“A história se encarregará de julgar e colocar na sua devida dimensão os acontecimentos que hoje nos cabe vivenciar. Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República”, acrescentou.
Mesmo com a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o processo de impeachment contra Peña. Agora, o Senado deve decidir se o processo de destituição continua ou se perde efeito em função da renúncia.
A continuidade do processo é importante porque, no Paraguai, todo ex-presidente tem direito ao cargo de senador vitalício, com direito a voz no Parlamento, mas não a voto. A exceção é para os presidentes cassados, que perdem direito ao cargo e ao foro privilegiado.
Crise
A crise financeira que sacudiu o Paraguai começou na terça-feira (3) e se transformou em crise política.
Na manhã de hoje, a Câmara iniciou o debate para abertura de um processo de impeachment que contava com o apoio até mesmo da legenda do mandatário, o Partido Colorado.
O terremoto político no país vizinho é consequência da liquidação do Ueno Bank, que tinha 2,9 milhões de correntistas, cerca de 60% da população adulta do país. Essas pessoas tiveram seus depósitos congelados.
Após a liquidação do banco, o presidente do BC paraguaio, Carlos Carvallo, renunciou ao cargo. Ele foi dirigente do banco digital até 2023, antes de assumir a chefia do Banco Central do país.
Protestos de rua cobram que os responsáveis pela crise sejam punidos. O Ministério Público do Paraguai pediu a prisão de oito pessoas, incluindo o presidente do Ueno, Juan Manuel Gustale.
Presidência
A crise atingiu o presidente Santiago Peña porque ele foi acionista, até março de 2025, do Grupo Vázquez, que controla o banco.
Eleito em 2023, o Santiago Peña é um político da direita conservadora do Partido Colorado que há sete décadas controla o poder no Paraguai, exceto por cinco anos (2008-2013).
A oposição acusa o governo pelos investimentos realizados pelo Instituto de Seguridade Social (PIS), que é estatal, no Ueno Bank.

O banco digital ainda administra o pagamento de pensões de milhares de aposentados e tem cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos, estimados em US$ 850 milhões.
A oposição responsabiliza Peña pela crise por ele ter nomeado para presidente do BC um ex-dirigente do Ueno. Ao anunciar a renúncia, o presidente pediu desculpas ao povo paraguaio.
“Também quero pedir desculpas ao povo, caso em algum momento eu tenha falhado. Nunca foi minha intenção trair a confiança que depositaram em mim. A cada dia, assumi esta responsabilidade com a vontade de trabalhar pelo Paraguai”, afirmou Peña.
Partido Colorado
O presidente do Partido Colorado e ex-presidente do país, Horácio Cartes, afirmou que a legenda não estará ao lado “do latrocínio de fundos públicos, privados e dos aposentados”.
O presidente do Congresso paraguaio, Bachi Nunéz, dois dias antes de pedir a renúncia de Peña, avaliava à imprensa que o presidente não poderia ser responsabilizado porque o Banco Central tinha autonomia institucional.
A oposição acusa o Partido Colorado de querer se afastar do escândalo que teria ajudado a construir. A deputada do Partido País Solidário (PPS), Johanna Ortega, destacou, durante a sessão da Câmara, que os recursos dos aposentados estavam sendo depositados em um banco próximo ao presidente Peña.
“Temos alertado sobre conflitos de interesses, sobre a utilização de instituições públicas para favorecer negócios privados de uns poucos, e sobre o crime de gestão em proveito próprio — prática na qual este Presidente da República tem incorrido sistematicamente”, afirmou.
Enquanto a Câmara dos Deputados do Paraguai discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, nesta quinta-feira (5), o mandatário do país, Santiago Peña, anunciou a renúncia ao cargo, em meio a uma crise financeira causada pela intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no banco digital Ueno Bank.
“Me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida, com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que a nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, disse o presidente, em pronunciamento nas redes sociais.