Além da canetada de Pivetta
EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
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Cidade caracterizada pelo emprego público para os filhos das classes política, média e alta, Cuiabá recebeu hoje (3) a informação de que o governador Otaviano Pivetta exonerou 115 servidores comissionados lotados na chamada área meio – aquela que não bota a mão na massa, não planeja nem executa. Claro que a consternação é geral, mas em nome da sobrevivência muitos permanecem calados – e inclusive com as barbas de molho. Sou pelo emprego e lamento muito quando algém é demitido, pois o empregado ou servidor normalmente vive exclusivamente do salário e sem plano para investir em algo. Porém, entendo que em nome da modernização do Estado tanto essas quanto outras demissões são necessárias.
Ao assumir o governo substituindo Mauro Mendes, Pivetta deixou claro que sua meta era realizar um governo empreendedor com enfoque social, mas sem confundir enfoque social com paternalismo funcional. Lamento pelos que perdem os cargos, mas não podemos vê-lo iguais ao aluno que é reprovado e diz que a professora o reprovou – precisamos enxergá-los com mais amplitude: foram afortunados que durante bom tempo receberam do Estado, sem que tivessem sido submetidos a concurso público, e todos, sem exceção, chegaram ao cargo nas asas apadrinhadoras de algum político – o chamado jabuti em cima de árvore é enchente ou mão de gente.
Mato Grosso tem boa gordura orçamentária, mas a partir de 2027 seus compromissos financeiros serão maiores. Observem que no próximo ano entrarão efetivamente em funcionamento os hospitais regionais em fase de conclusão ou parcialmente entregues, como é o caso do Hospital Regional do Alto Tapajós, em Alta Floresta. O governo precisará enxugar ao limite para permitir o funcionamento da máquina administrativa. A redução de 115 comissionados é um bom passo para a estabilidade orçamentária. Imaginemos que o salário médio deles seja três mínimos, ou 4.863 reais com os penduricalhos de alimentação, transporte, plano de saúde etc. etc. Esse montante vezes 13 resulta em 63.219 anualmente. No universo de 115 servidores a folha alcança 559.245 reais mensais ou 7.270.185 anuais, considerando-se o 13º salário.
Lamento pelos 115 e por cada um. Mas entendo que a evolução de um povo passa por sua qualidade de vida, que é onde o Estado mais se faz presente. Acredito que mesmo com a canetada de agora e outras que poderão acontecer, Pivetta terá que contratar figuras estratégicas em várias áreas, pois governo se faz com bons servidores.

Fiquemos preparados. As demissões no governo não serão as únicas. A Inteligência Artificial cada vez mais ocupará lugar no contexto laboral e econômico. Muitas funções deixarão de existir. O ser humano terá que buscar na criatividade seu meio de sustento. É inevitável.
Quanto a objeções políticas creio que Pivetta as sofrerá, inclusive de Mauro Mendes e de sua mulher Virginia Mendes, pois os demitidos foram nomeados por ele em parte a pedido dela. Os dois, porém, são amigos, homens públicos e conhecem a realidade para saber que devem manter a fraternidade e a união.
Que os 115 reflitam. Olhem Mato Grosso além do umbigo e entendam que existe um conjunto à espera de ações do governo, que não podem ser reduzidas e atrasadas em nome de alguns.
Cidade caracterizada pelo emprego público para os filhos das classes política, média e alta, Cuiabá recebeu hoje (3) a informação de que o governador Otaviano Pivetta exonerou 115 servidores comissionados lotados na chamada área meio – aquela que não bota a mão na massa, não planeja nem executa. Claro que a consternação é geral, mas em nome da sobrevivência muitos permanecem calados – e inclusive com as barbas de molho. Sou pelo emprego e lamento muito quando algém é demitido, pois o empregado ou servidor normalmente vive exclusivamente do salário e sem plano para investir em algo. Porém, entendo que em nome da modernização do Estado tanto essas quanto outras demissões são necessárias.