Boa Midia

Manobra por cadeira no TCE ressuscita a memória de Walter Rabello

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com 

Júlio Campos (União) é deputado estadual, não se reelegeu, mas deverá ser empossado junto com a próxima legislatura. Isso porque o deputado reeleito Dilmar Dal Bosco (União) deverá renunciar para assumir a cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) na vaga de Waldir Teis, por indicação da Assembleia Legislativa. Júlio Campos é o primeiro suplente da federação União Progressista e poderá repetir o que fez Gilmar Fabris em 2014 ao ocupar a cadeira do reeleito Walter Rabello, que morreu antes da posse.

Não há labirinto para Júlio Campos ganhar a titularidade na próxima legislatura. O que ocorre é o seguinte:

Waldir Teis manifestou interesse em se aposentar, depois recuou, e agora, longe dos olhos da população teria retomado o desejo de deixar o TCE e voltar para Santa Catarina, sua terra. A próxima vaga no TCE será indicada pela Assembleia, e três deputados a querem: Dilmar, Sebastião Rezende (União) e Eduardo Botelho (MDB). O alto clero parlamentar e uma força político-empresarial teriam decidido que a vaga seria de Dilmar. Botelho sofreu resistência no chamado ‘fogo-amigo’ e Sebastião Rezende foi desqualificado por sua forte vinculação evangélica em detrimento de sua doutrina política.

Portanto, após o feriadão do final de semana, o tema TCE deverá ser sacramentado na Assembleia. Caso isso efetivamente ocorra, Júlio Campos permaneceria deputado titular a partir de 2027, ao invés de primeiro suplente, como o cenário projetado.

Com Júlio Campos ficando com a vaga de Dilmar, a substituição relâmpago aconteceria pela segunda vez após a divisão territorial que criou Mato Grosso do Sul em 1977, com um suplente ganhando a titularidade no primeiro dia de uma nova legislatura. A primeira vez que isso ocorreu foi em 2015, pois o deputado reeleito Walter Rabello morreu em 1o de dezembro de 2014, aos 48 anos, vítima de um infarto, e o primeiro suplente Gilmar Fabris ocupou sua cadeira.

Waldir Teis, Júlio Campos e Dilmar não falam sobre o caso, mas essa manobra ressuscita a memória de Walter Rabello, apagada pela volatilização do tempo implacável.

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