Boa Midia

A esperteza de José Riva

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com 

Sem fraude e usando apenas a esperteza política, eleições foram decididas longe da vontade de maioria, sem que a legislação fosse violentada. Foi assim, em 1982, em Juara, quando o contador José Riva foi eleito prefeito derrotando seu sogro, Juraci Ribeiro, o seo Jura.

Em 1982, ninguém pensava na possibilidade da criação da urna eletrônica e a cédula impressa pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recebia o voto.

Em Juara, Riva sabia que seo Jura seria o mais votado, pelo apoio que tinha da maioria dos pioneiros. Articulado, o adversário de seo Jura bolou uma tática. Na véspera da eleição, Riva reuniu um grupo de eleitores fieis a ele, e deu a ordem: todos deveriam chegar ao locais de votação pela madrugada, e ao votar, que pedissem aos mesários o cancelamento de sua cédula, com sua consequente substituição.

A jogada era para  desabastecer o quantitativo de cédulas disponíveis, de modo a impedir que retardatários votassem, por falta de cédulas.

Assim, entre o cancelamento de uma cédula e outra, o eleitorado de Riva votou, e não permitiu que parte do eleitorado de seo Jura votasse, por falta de cédulas.

O TRE não teve como solucionar o impasse com a falta de cédulas, pois a única saída seria a impressão de novas cédulas, o que a exiguidade do tempo não permitia. A esperteza prevaleceu sobre a Justiça Eleitoral.

O resultado foi o esperado por Riva: sua eleição, que o levou para o cenário político mato-grossense, onde por 20 anos foi o mandachuva na Assembleia Legislativam, até ser alcançado pela Lei Ficha Limpa que o retirou da vida pública em 2014.

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