Boa Midia

Fabris entra em cena e atropela candidaturas à reeleição

Eduardo Gomes

@andradeeduardo gomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Gilmar Fabris está de volta ao cenário político. Candidato a deputado estadual pelo PSD, Fabris mexe no tabuleiro da eleição para a Assembleia Legislativa, e sua candidatura poderá matar duas tentativas de reeleição ao cargo. Wilson Santos (PSD) e Júlio Campos (UP) são as vítimas em potencial. De temperamento forte, Fabris talvez seja o único entre os quase 300 candidatos, que tenha firmeza para enfrentar o próximo governador, independentemente de que vença a eleição.

Fabris é temperamental. Foi vereador em Rondonópolis e algumas vezes deputado estadual tendo presidido a Assembleia; quando presidente, o governador Dante de Oliveira deixou de repassar o duodécimo no prazo legal e ele fechou a Assembleia administrativamente.

Liderado  por José Riva, Fabris sempre esteve ao seu lado e costuma dizer que quando Riva morrer a Nasa precisará analisar seu cérebro, pois ele acredita que Riva seja de outro planeta.

 

 

Coveiro

 

A chapa de Fabris no PSD é fraca e quem puxa votos é a jornalista Rafaela Fávaro, filha do senador e candidato à reeleição, Carlos Fávaro, e cujo nome foi costurado pelo papai ao longo dos últimos quatro anos.

Pelas projeções, Fabris será o segundo mais votado, e seu partido não conquistará três cadeiras. Em suma, Wilson Santos ficaria com o terceiro lugar e o padre Sebastião Coracy, de Bom Jesus do Araguaia, em quarto.

De modo prático, Fabris sepulta a tentativa de reeleição de Wilson Santos, que em 2022 foi eleito com 23.446, a penúltima votação entre os eleitos.

Ao longo de sua vida pública, Fabris sempre foi aliado de primeira hora de Júlio Campos, mas em outubro os dois estarão em campos – sem trocadilho – opostos. A candidatura de Fabris representa a perda do maior cabo eleitoral de Júlio Campos, e de uma figura que conhece os bastidores de suas bases eleitorais.

Júlio Campos tenta permanecer na Assembleia disputando pela chapa da Federação União-Progressistas, com nove nomes, com alguns completamente estranhos para o eleitorado. O principal nome é Dilmar Dal Bosco, que tenta a reeleição; o segundo é Sebastião Rezende, deputado que cumpre o sexto mandato consecutivo. Analistas avaliam que essa chapa elegerá, no máximo, dois nomes, e que Júlio Campos brigará pela terceira colocação com a jornalistas e vereadora por Cuiabá, Michelly Alencar.

Se Fabris ao invés de ser candidato fosse cabo eleitoral de Júlio Campos, em tese sua cadeira estaria assegurada. Porém, com a divisão de votos entre os dois, o decano da Assembleia está fadado a cruzar a ponte sobre o rio Cuiabá e voltar para sua cidade, Várzea Grande, sem mandato, na condição de cidadão do povo.

MEMÓRIA – Em 15 de setembro de 2017 Fabris foi preso pela Polícia Federal sob a acusação de obstrução da Justiça na Operação Malebolge que cumpriu mandados expedidos pelo ministro Luiz Fux (STF), o mesmo que ordenou a prisão de Fabris. À época Fabris era deputado estadual e sua soltura foi decidida em plenário na Assembleia, com os 19 parlamentares presentes votando por sua soltura, o que foi ratificado pela Justiça. Ele foi acusado de reclamar com o então governador (da época dos fatos), Silval Barbosa, por receber propina a menos do que o combinado entre eles, para fazer vistas grossas nos escândalos no governo na era Silval e José Riva.  Fabris nega.

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