Boa Midia

Descanse em paz, Zé da Kibon!

Eduardo Gomes

@andradeeduardo gomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Superlativa, Rondonópolis é cada vez mais uma metrópole regional enquanto se despede dos vultos que ajudaram a esculpir sua têmpera e definir sua trajetória. No domingo (20), em Cuiabá,  a Terra de Rondon viu partir mais um de seus filhos queridos, de ontem. José Caetano Filho, que nem mesmo ele o conhecia por aquele nome, uma vez que para a população rondonopolitana ele era o Zé da Kibon, figura do povo, respeitada e admirada. Aos 84 anos  Zé da Kibon subiu para junto de Deus. Descanse em paz, Zé da Kibon!

Zé da Kibon cumpriu seu ciclo na Terra. Nesta segunda-feira, 21, seu corpo baixou sepultura no Cemitério de Vila Aurora, onde foi velado pelos rondonopolitanos. Descanse em paz, Zé da Kibon.

Figura simples, de fala mansa, baixa e pausada, Zé da Kibon tocou um bar sobre a calçada na avenida Amazonas, na praça Brasil. Sua batalha pela sobrevivência no local durou 14 anos. Começou em 1966. Revendedor dos sorvetes Kibon, a população incorporou aquela marca à forma popular de seu prenome e ele virou Zé da Kibon.

O prefeito Walter Ulysséa modernizou a praça Brasil e por questão urbanística todos os que comercializavam no local foram removidos. O Bar do Zé da Kibon migrou para a praça dos Carreiros, onde atravessou décadas noite adentro e virou referência para um bom bate-papo na calçada da rua Barão do Rio Branco no trecho daquela praça. Descanse em paz, Zé da Kibon!

O adeus de Zé da Kibon nos chama a atenção para o contexto de sua existência em Rondonópolis. A modernização da praça Brasil aconteceu simultâneamente com a urbanização da praça dos Carreiros e a construção do Cemitério de Vila Aurora – que substituiu o antigo cemitério na avenida dos Bandeirantes, local onde foi criada a praça da Saudade. Descanse em paz, Zé da Kibon!

Zé da Kibon, praça Brasil, praça dos Carreiros, praça da Saudade, Cemitério da Bandeirantes, Cemitério de Vila Aurora e prefeito Walter Ulysséa – que também partiu – são peças da engrenagem rondonopolitana que fez de um pequeno vilarejo no solo vermelho na margem direita do rio Poguba uma grande cidade, que outro destino não poderia ter, a julgar pelas figuras e obras que lhe deram o sopro de crescimento, que mais dia menos dia a farão à altura de sua gente. Descanse em paz, Zé da Kibon!

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