Boa Midia

Herói chamuscado

Elesbão Moreno da Fonseca*

CUIABÁ

Quando veio à tona o fato de a mulher do Xandão, mais especificamente o escritório dela, estar prestando serviços para o banco Master, condenei o fato nas redes sociais e recebi a desaprovação de amigos e amigas. Mas, estava na cara que isso desembocaria em uma grande confusão. Contra o até então nosso herói. O homem que bateu de frente contra golpistas, os arruaceiros de 08/01 e os mentores da confusão. Prendeu-os. Julgou a tod@s, aplicou penas duras, mas, pertinentes.

Vem de Júlio César que teve a mulher difamada e reabilitada moralmente, a frase: “a mulher do César não pode só ser honesta, tem que parecer honesta”, dando a ela carta de divórcio. Por isso a conta de 123 milhões pagos pelo banco Master ao escritório da mulher do ministro é muito dinheiro e se configura como um campo fértil para crises.

É direito do escritório firmar contrato com quem quiser. As circunstâncias permitem, porém, levantar questões. Se o escritório não fosse da mulher do ministro, esse contrato seria firmado? Esse valor pago sobre o trabalho, que não foi exposto, é compatível? Outro escritório não estaria apto para o trabalho a preços menores? Vejam bem, estas e outras questões só podem ser e serão e estão sendo levantadas porque o escritório é da esposa do ministro Xandão.

Não tenho cá nem competência nem vontade de contestar o procedimento adotado pela senhora esposa do ministro. É direito dela.  Circunstancial? Influência poderosa, que acarreta poderosos dividendos? São tantas e muitas questões decorrentes do fato da dona do escritório ser esposa de um ministro do STF.

A partir dessa constatação o supremo enfraquecido, vai julgar contendas internas. Deprimente. Supremo Tribunal em Frangalhos. Ministro segurando informações de determinado lado político, outro querendo permanecer como vestal da justiça. Um furdunço. Muitos assuntos a serem debatidos em benefício da nação e ficamos debatendo estripulias de altos ministros. Tomara, sirva isso de lição. A não mescla de interesses públicos e privados é condição mínima de isenção. Que a paz se restabeleça(?), e encontremos caminho que seria quase que natural para a nação. O crescimento econômico e o decréscimo das desigualdades sociais, as dádivas minerais e riquezas da agricultura e da cultura popular, permite vislumbrar uma nação edênica.

A nação onde tudo funcionará perfeitamente apesar, e talvez por causa dos embates que a democracia permite. Talvez seja somente necessário que os juízes do STF, criem juízo.

*Elesbão Moreno da Fonseca – Engenheiro Civil e Músico

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