Boa Midia

MEU VOTO – Pivetta governador

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Em todas as eleições publico artigo revelando meus votos. Nesta não seria diferente, mas escrevo um artigo para cada voto,  aleatoriamente. A primeira publicação foi sobre uma das vagas ao Senado; na segunda focalizei a disputa para a Câmara dos Deputados; na sequência minha escolha para a Presidência da República; depois ponderei sobre o segundo voto para o Senado; e nesta publicação falo sobre o voto para o governo. No próximo artigo tratarei sobre a eleição para a Assembleia Legislativa.

Em termos comparativos, o desenvolvimento de Mato Grosso em algumas áreas, nas últimas décadas, foi californiano ao passo que o Brasil manteve o ritmo haitiano.  Isso graças ao empresariado e a ações de governo, mas temos gargalos desafiadores em paralelo ao boom econômico que se espera. Este cenário requer que à frente do governo esteja alguém com sensibilidade social, visão empresarial  e capacitação para administrar, e por entender essa realidade, votarei em Otaviano Pivetta (Republicanos).

A disputa está praticamente polarizada entre Pivetta e Wellington Fagundes (PL), com a Dra. Natasha  (PSD) está muito distante, segundo as pesquisas de opinião pública. Antes de fundamentar meu voto para Pivetta falo sobre Wellington e a Dra. Natasha.

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Wellington é congressista desde 1991. Em 1990, 94, 98, 2002, 2006 e 2010 ele se elegeu deputado federal. Em 2014 e 22 foi eleito para o Senado. Está em plenário há 39 anos e seu saldo parlamentar é pífio se considerada sua longevidade em Brasília. Nesse período, seu grande feito foi lançar o embrião do Estatuto do Idoso, mas fora disso permaneceu no Baixo Clero, repassando emendas e dando das cartas no Dnit em Mato Grosso nos governos de Lula e Dilma. Wellington é um parlamentar fraco e adota o rótulo de municipalista, por conta de suas emendas; essa condição – de municipalista – no entanto não repercute entre os prefeitos, incluindo dos de seu partido, que em quase sua totalidade não o apoiam ao governo.

Pivetta

Além disso, caso Wellington seja eleito governador ele terá que levar para sua equipe o ex-deputado estadual José Riva ou nomes indicados por ele. Isso, por conta de sua aliança com o MDB, que é presidido pela deputada estadual Janaína Riva, sua nora e filha de José Riva.  Alguém pode até questionar alegando que José Riva está afastado da vida pública desde que foi alcançado pela Lei Ficha Limpa em 2014, mas na verdade ele está em cena defendendo Janaína Riva para o Senado e Jéssica Riva (MDB) – também sua filha – para a Assembleia. Ninguém em sã consciência pode desconsiderar esse fato político.

A Dra. Natasha demonstra boa intenção, mas não conhece Mato Grosso e ao longo de sua carreira de empresária médica nunca participou das lutas mato-grossenses. Ela levaria tempo para tomar pé da situação, o que travaria seu governo, pela pressa administrativa mato-grossense . Além disso, ela não demonstra sensibilidade política, sem a qual não se governa nem se legisla bem. Observem que ela adota o nome político de Dra. Natasha, sem alusão ao sobrenome Slhessarenko que foi uma das marcas de sua mãe, Serys Slhessarenko que cumpriu três mandatos de deputada estadual e um de senadora. Além disso, em sua propaganda, ela isola Lula adotando uma postura de candidata sem vínculo com o presidente que busca a reeleição. A tática de querer ser mais real que o rei, não funciona em política, o que a mantém com baixo índice de intenção de votos.

Sou Pivetta por sua sensibilidade social, visão empresarial  e capacitação para administrar, e mesmo assim, avalio que ele terá que se desdobrar com seu bordão de fazimento, para atuar com a desenvoltura que será necessária, pois nos próximos quatro anos o protagonismo econômico mato-grossense na área de produção de alimentos terá uma dimensão inimaginável.

A maioria sequer sabe da existência do distrito de Espigão do Leste, que chamamos de Baianos, no município de São Félix do Araguaia, distante 220 km daquela cidade. Quando o próximo governo estiver em curso, Baianos alcançará uma produção agrícola que o deixará à frente de alguns estados nordestinos. Baianos é carente de quase tudo e precisará de alguém que governe ao estilo da administração de Pivetta em Lucas do Rio Verde, onde foi prefeito por três mandatos.

O novo Hospital Universitário Júlio Müller, da UFMT, precisará de apoio do governo estadual; os hospitais regionais em construção passarão a atender e novos terão que ser criados. O déficit habitacional terá que ser zerado. Não sonhem com uma superindustrialização, porque o mercado internacional, sobretudo o chinês, quer o produto in natura para gerar emprego aos seus, mas apostem que o parque industrial será aumentado, que gerará empregos e reduzirá o desnível social. O  trem da Fico apitará em Cocalinho, Nova Nazaré e Água Boa. De Sinop o trem da Ferrogrão partirá para Itaituba. Os trilhos da Rumo avançarão de Campo Verde para Nova Mutum e Lucas do Rio Verde. Mato Grosso será sacudido. Rondolândia, onde pasta um dos maiores rebanhos bovinos brasileiros, cobra sua ligação asfáltica com Aripuanã. Os 983 km de fronteira precisarão de uma política de ocupação civil, que é o primeiro passo para a retomada daquele território ora tão infernizado pelo crime transnacional. A ligação bioceânica via Vila Bela da Santíssima Trindade e San Ignacio de Velasco tem que ser concluída. Isso resultará no crescimento das cidades, na melhoria da qualidade de vida e exigirá que Pivetta se supere.

Avançamos muito, mas estamos longe de alcançarmos a qualidade de vida num patamar menos injusto, onde o topo da pirâmide não seja uma distância inalcançável aos olhos de quem está na base.

Saímos do isolamento de cidades, que era uma das características mato-grossenses para o acesso em pista dupla, muito embora a falta de pavimentação ainda atormenta algumas localidades, a exemplo de São Félix do Araguaia. Trocamos as balsas por pontes de concreto, mas a balsa na travessia do Xingu, na MT-322 permanece desafiadora. Houve interiorização e capilarização do ensino técnico e Rondonópolis ganhou sua universidade federal.  A saúde pública melhorou, mas ainda é precária e depende muito do Dr. Ambulância. O número de famílias abaixo da linha de pobreza ainda é assustador e a dependência dos programas de transferência de renda é enorme.

Deus sempre prepara um filho para guiar seu povo quando dos grandes desafios. A missão de governar Mato Grosso nos próximos quatro anos é desafiadora, e para tanto ninguém melhor que Pivetta. Eu o conheci administrando a então pequena Lucas, que nasceu de um acampamento do 9º BEC à margem da BR-163; seus poucos habitantes, em sua maioria chegaram em 1981 para um projeto de reforma agrária que assentou 203 famílias oriundas do acampamento da Encruzilhada Natalino, em Ronda Alta, no Rio Grande do Sul. A poeira era infernal e a população acreditava que seu prefeito, apelidado Gordo Pivetta transformasse a pequena cidade com seus casebres de madeira numa metrópole regional. Não erraram. Lucas é exemplo de cidade para qualquer parte do mundo, e o Gordo Pivetta é o governador de Mato Grosso, que pede voto para permanecer mais quatro anos no cargo e repetir a dose nos 142 municípios.

Líder tem que ser forte, pois sua força reflete sobre os liderados. Pivetta era prefeito de Lucas quando o linhão de energia cruzou aquela cidade ligando Cuiabá a Alta Floresta. As cidades do percurso foram contempladas, mas por pirraça política o governador não permitiu o rebaixamento da energia em Lucas. Por duas vezes as torres de transmissão foram dinamitadas e a cidade dormiu às claras. O episódio das torres mostrou a força de Lucas, sem necessidade que alguém assumisse a autoria.

Os Pivetta: pai e filho

ELE – Otaviano Olavo Pivetta nasceu em Caiçara (RS) no dia 10 de maio de 1959. É filho do casal Margarida – ela falecida – e Tilidio Pivetta; seu pai foi vereador e por duas vezes prefeito de Caiçara, e nunca se envolveu em escândalos. Pivetta chegou em Lucas ao volante de um possante, quando a cidade dava seus primeiros passos, e nunca mais saiu de lá.

Pivetta é produtor rural e empresário. Foi prefeito de Lucas por três mandatos, deputado estadual, secretário estadual de Desenvolvimento Rural e duas vezes vice-governador de Mauro Mendes.

O grande passo que deu para se tornar milionário foi a compra de uma fazenda do colonizador de Nova Mutum, o advogado paulista José Aparecido Ribeiro, o Dr. Ribeiro. A negociação entre eles avançava, mas Pivetta temia o montante do endividamento, porém o vendedor o animou e ele topou. Ao fechar o negócio a fazenda mudou de dono e ganhou o nome de Ribeiro do Céu, pois Pivetta dizia quando da negociação: “Ribeiro do céu, estou preocupado”.

Adversários de Pivetta lançam duas pechas sobre ele: Cooperlucas e uma briga de casal. O escândalo da Cooperlucas, nos anos 1990, não teve sua participação, conforme ele diz e a Justiça atestou; ele nunca foi presidente nem diretor da cooperativa Cooperlucas. A briga de Pivetta com uma advogada que foi sua mulher aconteceu em Santa Catarina, teve desdobramento policial  e ele recebeu voz de prisão numa delegacia, onde sempre prevalece a versão feminina, mas ele foi absolvido tanto pela Justiça catarinense quanto pela mato-grossense.

Pivetta e Gisela

GISELA – A candidata a vice na chapa de Pivetta é Gisela Simona, servidora pública estadual de carreira, advogada, cuiabana e negra. Gisela é suplente de deputada federal pelo União Brasil e seu nome é referência quando se fala em Procon, órgão que dirigiu durante anos.

Voto assim para o governo.

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