A mulher perfeita não existe, e talvez seja a hora de parar de persegui-la
Isolda Risso*
CUIABÁ
Há uma mulher perfeita por aí. Ela acorda cedo, trabalha, cuida da casa, dos filhos, do relacionamento, mantém uma vida social ativa, pratica exercícios, alimenta-se bem, está sempre bonita, responde às mensagens, acompanha as tendências, é emocionalmente madura, financeiramente organizada e ainda encontra tempo para cuidar de si.
Quando está no trabalho, ela não pode deixar que a vida pessoal atrapalhe, e quando está em casa, não pode deixar que o trabalho ocupe espaço demais. Quando é mãe, precisa estar presente, mas quando não é mãe, precisa justificar a escolha. Quando está solteira, deveria estar aberta ao amor, só que quando está em um relacionamento, é ela que precisa fazê-lo funcionar.
E, em algum momento do dia, ela deve descansar, tirar um breve cochilo da tarde, ou ter um tempo para desenvolver um desejo pessoal. O que, em retrospecto, parece irreal, certo? Porque é. Essa mulher é uma invenção, mas a cobrança para que sejamos como ela é bastante real.
Talvez uma das maiores armadilhas impostas às mulheres nas últimas décadas tenha sido transformar a ideia de independência em uma obrigação de autossuficiência. Conquistamos o direito de ocupar espaços, construir carreiras, escolher se queremos ou não uma família, administrar nosso próprio dinheiro e tomar decisões sobre nossas vidas, e tudo isso é visto e comemorado como conquista.

Há uma mulher perfeita por aí. Ela acorda cedo, trabalha, cuida da casa, dos filhos, do relacionamento, mantém uma vida social ativa, pratica exercícios, alimenta-se bem, está sempre bonita, responde às mensagens, acompanha as tendências, é emocionalmente madura, financeiramente organizada e ainda encontra tempo para cuidar de si.