Boa Midia

MEU VOTO – MDB descarta a chapa de Rosana Martinelli

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

Em todas as eleições publico artigo revelando meus votos. Nesta não seria diferente, mas escrevo um artigo para cada voto,  aleatoriamente. A primeira publicação foi sobre uma das vagas ao Senado, e esta será sobre o voto para a Câmara dos Deputados.

Bonita, charmosa e discreta. Mulher de verdade, tão paranaense quanto a maioria da população de Sinop, a futura capital de Mato Grosso do Norte, que é porta-voz do sonho de emancipação do Nortão, a região mais próspera do Brasil e um dos pilares da política de segurança alimentar mundial. Sinop teve apenas uma prefeita: ela – Rosana Martinelli.

Rosana Tereza Martinelli é de Palotina, no Oeste paranaense, mas chegou a Sinop ainda criança, no feriado nacional de 21 de abril de 1974, enfrentando uma carroceria do caminhão que levou sua família para a aventura de colonizar uma cidade embrionária na Floresta Amazônica, na calha do rio Teles Pires, cujo acesso era por estrada sem pavimentação, a energia gerada por conjunto estacionário e telefonia não havia nem em sonho.

Menina bonita e ousada, Rosana morou na zona rural com os país, mas na adolescência migrou para a cidade. Foi aluna da tradicional Escola Nilza Pipino, concluiu o curso de Técnica Contábil, bancária do Bradesco, instrumentista em fanfarra escolar e Miss do Carnaval de 1984 que teve ninguém menos do que o pioneiro e primeiro vereador de Sinop (que à época do mandato pertencia a Chapada dos Guimarães) Plínio Callegaro no papel de Rei Momo.

Rosana nunca rejeitou serviço. Foi babá e diz isso com orgulho. Trabalhou no comércio. Sempre se virou. A moça que teve a primeira bicicleta e a primeira moto em Sinop foi ela; por onde passava a rapaziada vibrava. Na agência bancária conheceu o galã e agrônomo Osmar Martinelli, que a levou ao altar e a fez trocar o sobrenome familiar Dallastra pelo dele, Martinelli. O casal Martinelli montou uma indústria madeireira. Osmar foi vereador e após complicações de saúde morreu em 25 de janeiro de 2021, quando não tinha mobilidade, não falava e permanecia preso a uma cama.

Rosana foi secretária de Indústria e Comércio e Turismo de Sinop, quando Nilson Leitão exercia mandato de prefeito. Em 2012, pelo PSB, Rosana se elegeu vice-prefeita de Juarez Costa (PMDB). Sua grande vitória eleitoral aconteceu em 2016, pelo PR, quando foi eleita prefeita com 23.981 votos, superando Roberto Dorner (PSD),  com 20.593 votos e Dalton Martini (PP), com 16.057 votos. Seu vice-prefeito foi Gilson de Oliveira. Em 2022, pelo PL, Rosana foi eleita segunda suplente de Wellington Fagundes (PL) no Senado.

VOTO – Li que Rosana era pré-candidata a deputada federal pelo MDB. A nota era curta e ao término da leitura  ela ganhou mais um eleitor: eu. Pouco depois soube que a chapa do MDB para a Câmara foi implodida e que a presidente do partido, a deputada estadual Janaína Riva alegando falta de recurso decidiu priorizar sua candidatura ao Senado e as candidaturas à Assembleia. Assim, outubro chegará sem Rosana concorrendo para deputada federal.

Sem a candidatura de Rosana refleti que a melhor decisão quanto ao voto seria anulá-lo, o que pode parecer radicalismo. Vejamos:

Não me sentiria confortável votando pela reeleição à Câmara, pelo fraco desempenho da bancada, ao qual acrescento Abílio Brunini e Amália Barros, que morreu. Sem Rosana teria duas opções, mas em ambas estaria votando nos puxadores de votos. Avaliei votar no Professor Sivirino (PSD) e em Juliana Kolankiewicz (Podemos), mas recuei.

Explico: Juliana terá votação razoável, mas Juarez Costa deverá ser reeleito e puxador de votos de seu partido; outros nomes poderão superá-la em razão do pequeno eleitorado de Água Boa, sua cidade, e do Vale do Araguaia, onde aquele município se situa, o que se torna mais difícil ainda pela pulverização de candidaturas. O Professor Sivirino – creio – dentre todos os candidatos ao cargo é o que tem mais trabalho prestado a Mato Grosso no campo social e esportivo. O Professor Sivirino, no entanto, concorre numa chapa composta pelo deputado federal Emanuel Pinheiro, o suplente Valtenir Pereira e o advogado Irajá Lacerda – afilhado político de Carlos Fávaro. Lamentável, mas o Professor Sivirino não será eleito, porém ele terá votação expressiva em Barra do Garças, onde é vice-prefeito, e nos municípios do entorno. Meu voto para ele não resultaria em nada e, ainda, somaria mais um para a chapa controlada por Fávaro.

GOLPE – Deixando de lançar uma chapa à Câmara o MDB joga por terra a tradição de eleger deputados federais a exemplo de Carlos Bezerra, Gilson de Barros, Osvaldo Sobrinho, Milton Figueiredo, Teté Bezerra, Dante de Oliveira, Márcio Lacerda, Wilson Santos e outros nomes. Janaíva Riva assumiu a presidência do partido, e desde então a legenda perdeu nomes expressivos: os deputados federais Juarez Costa e Emanuel Pinheiro; os suplentes de deputado federal Valtenir Pereira e Juliana Kolankiewicz; o deputado estadual e candidato à reeleição Juca do Guaraná (que se filiou ao PSDB); o  ex-prefeito de Pontal do Araguaia, Adelcino Lopo, que é candidato a deputado estadual pelo Podemos; e os candidatos a deputado estadual Damiani da TV e a Coronel Vânia – vice-prefeita de Cuiabá – que retiraram suas candidaturas. Em sentido oposto o MDB ganhou a filiação do deputado estadual Eduardo Botelho, que foi eleito pelo União Brasil e se sentia desconfortável naquela sigla.

Ao descartar a chapa para a Câmara, Janaína violentou o histórico de Rosana e a levou a apoiar Otaviano Pivetta (Podemos) para o governo, ao invés do senador Wellington Fagundes (PL), do qual é segunda suplente no Senado. Com o rearranjo, o MDB corre para eleger Janaína Riva senadora tendo na primeira suplência Aluizio Lima, que foi braço direito na Assembleia de José Riva, seu pai; Wellington Fagundes, seu sogro, governador; Jéssica Riva, sua irmã, deputada estadual; e conquistar uma ou duas cadeiras além da Jéssica Riva na Assembleia, cujos nomes mais prováveis são os dos deputados estaduais Dr. João, Eduardo Botelho e Thiago Silva, do suplente de deputado estadual Silvano Amaral e do presidente da AMM, Léo Bortolin.

REALIDADE – Não se prega voto em branco nem que se deve anulá-lo, mas o desmonte da chapa do MDB criou um fato novo. Fiquei sem a candidata em quem votaria e não escolherei outro nome.

 

 

 

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