Boa Midia

MT: Verso e reverso (134) – Odílio Balbinotti quer ministério que o pai não assumiu

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 134 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca Odílio Balbinotti Filho (PL), pré-candidato a primeiro suplente de senador na chapa que será encabeçada pelo deputado federal José Medeiros (PL) e que ainda não definiu a segunda suplência.

Com a mão direita aberta na posição horizontal formando uma imaginária aba de boné sobre os olhos, ele dava uma rápida pausa na colheita manual para mirar a lavoura algodoeira do nonno Guido Domingos Balbinotti. Para o adolescente aquilo era um mar branco. O avô, atento a tudo, observava a atitude do neto, que dividia o tempo entre a escola e o trabalho pesado no sítio de 15 hectares da família, em Barbosa Ferraz, no Noroeste paranaense, caracterizado pela colonização europeia, na qual se destacavam os italianos da terra ancestral dos Balbinotti. Adulto, o piá que trabalhava na agricultura familiar decidiu que viria para Mato Grosso em busca de oportunidade, mas há 42 anos quando ele fez essa opção, a política não povoava sua mente. Porém, no dia a dia de sua atividade que há décadas o faz percorrer os municípios mato-grossenses, Balbinotti, o jovem catador de algodão na pequena propriedade do avô despertou interesse político e com apoio de bolsonaristas articula mais que sua eleição para suplente no Senado: sonha acordado em ser ministro da Agricultura.

Antes do sonho com o Ministério da Agricultura, Balbinotti esteve no centro do noticiário político; em 2022 seu nome despontou entre os prováveis candidatos ao governo pelo bolsonarismo, mas ele recuou.

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O sonho político de Balbinotti é ancorado num acordo de cúpula e na sua vontade de ocupar o cargo do qual seu pai esteve perto, mas que foi impedido de assumir por conta sua situação de réu em duas ações no Supremo Tribunal Federal (STF), que tiravam sua legitimidade para o exercício ministerial.

ELE – Odílio Balbinotti Filho nasceu no dia 10 de setembro de 1964 em Santo Antônio da Platina (PR). É filho do casal Ivaine Paiola Balbinoti e Odílio Balbinotti. O pai aposentou-se, mas foi político e engenheiro agrônomo pela Universidade Estadual do Paraná. 

Em 1978 Odílio Balbinotti, o pai, comprou uma área em Alto Garças e pela altitude da região, viu que poderia passar a produzir sementes. Com um pé no Paraná e outro em Brasília, ele administrava sua propriedade mato-grossense, enquanto o filho cursava Agronomia. Com o diploma debaixo do braço, Balbinotti assumiu a administração dos negócios da família em Mato Grosso e escolheu Rondonópolis para morar.

O começo da produção de sementes coincidiu com o auge do mercado da semente chamada de bolsa branca – aquela que ninguém sabe a origem e sem certificação, e que foi muito combatida pelo agronegócio. A marca de Balbinotti ganhou o mercado estadual, de outros estados do Centro-Oeste e avançou pelos polos da soja no Nordeste.

Balbinotti não se fechou em seus negócios. Ao longo de seis anos presidiu a Cooperativa Agroindustrial do Centro-Oeste do Brasil (Coabra), em Cuiabá; e foi presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), com sede em Rondonópolis e uma das referências na pesquisa agronômica nos trópicos; também foi diretor da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), sediada e com laboratório em Rondonópolis.

Balbinotti preside o Conselho Consultivo criado para colaborar com a administração do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL). A mulher de Balbinotti, a empresária e farmacêutica Tânia Balbinotti, também participa do conselho. Tânia foi secretária municipal de Saúde de Rondonópolis nos primeiros meses da administração de Cláudio.

Principal doador individual no pleito eleitoral de 2024 em Mato Grosso, Balbinotti participou das campanhas para prefeito de Cláudio Ferreira (seu afilhado político), Abílio Brunini (Cuiabá) e Flávia Moretti (Várzea Grande), todos do PL. Sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro é grande, e com seus filhos, também, e o líder nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, mantém contato permanente com ele.

A Imprensa chama Balbinotti de bilionário, fala sobre suas doações, mas os repórteres não o questionam sobre propostas legislativas nem mostram seu histórico; José Medeiros o apresenta como uma espécie de fiador – em todos os sentidos – de seu projeto para voltar ao Senado, onde esteve por quatro anos, ao assumir a cadeira que era de Pedro Taques no final de 2014; Taques deixou o cargo ao ser eleito governador naquele ano.

‘MINIDOR’ – A palavra minidor é a fusão de ministro e senador. Balbinotti não fala, e seu partido, o PL, também, não. Porém, o que se ouve nos meios políticos é que Balbinotti e Flávio Bolsonaro firmaram um acordo: se ambos forem eleitos, Bolsonaro o nomeará ministro da Agricultura, e embora nenhum diga, todos os que bebem água em Mato Grosso acreditam que antes da nomeação e mais exatamente na campanha, Balbinotti abrirá seu generoso cofre para seu padrinho presidenciável.

Balbinotti tem perfil para ministro da Agricultura. É um dos reis da semente no Brasil, dirigente ruralista e agrônomo. Sua nomeação, caso o bolsonarismo eleja Bolsonaro e José Medeiros, seria a coisa mais natural do mundo. Porém – creio – além disso ele deve carregar no fundo do peito uma mágoa pelo que aconteceu ao seu pai.

Pai de Balbinotti quase foi ministro da Agricultura:

Odílio Balbinotti era gaúcho de Gaurama, nascido em 8 de junho de 1941 e migrou para o Paraná. Morreu em Rondonópolis, aos 84 anos, em 4 de fevereiro deste ano de 2026, vítima de Alzheimer; seu corpo foi sepultado em Rondonópolis, onde residia com sua mulher Ivaine Paiola Balbinotti.

No município de Barbosa Ferraz, onde cultivava, foi vereador em 1972, pela Arena, e por aquele partido, prefeito em 1976; quatro anos depois, filiado ao PFL novamente se elegeu prefeito.

Em 1994 Odílio Balbinotti foi deputado federal pelo PDT de Leonel Brizola; em 1998 e 2002 foi reeleito pelo PSDB de Mário Covas; em 2006 filiado ao PMDB de Michel Temer conquistou mais um mandato na Câmara; em 2010 tentou mais um mandato, mas ficou na suplência, porém em março de 2012 chegou ao plenário com a morte do deputado Moacir Micheletto (PMDB); a derrota de Balbinotti em 2010 foi consequência de sua indicação para ministro, o que virou escândalo nacional.

Em janeiro de 2007 Lula (PT) tomou posse para o segundo mandato. O PMDB era aliado do PT e indicou o deputado Odílio Balbinotti para ministro da Agricultura. Os governadores Blairo Maggi e Roberto Requião (PMDB), do Paraná, reforçaram a indicação. Lula aceitou a nomeação e a recebeu de braços abertos, porém a Imprensa – sempre a Imprensa independente – abriu manchetes sobre o ministro indicado informando que ele era réu em duas ações no STF; uma das ações por supostamente utilizar ex-funcionários como laranjas para obtenção de empréstimos junto ao Banco do Brasil, e outra, por suposto crime ambiental em Alto Garças. Odílio Balbinotti negou tais acusações.

Mesmo negando, Odílio Balbinotti perdeu sustentação e fez uma carta aberta ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB/SP) e ao líder de seu partido Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN) renunciando à indicação e pedindo a ambos que informassem ao presidente Lula sobre sua decisão.

Em suma, pela direita o filho quer o cargo de ministro da Agricultura, que seu pai, pela esquerda – não teve condições de assumir. O resto é campanha política em Mato Grosso onde a amnésia seletiva dita comportamentos.

PS – Continuem lendo a série. Na segunda-feira (27), o capítulo 135.

Em capítulos anteriores a série focalizou:

Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)

Neri Geller (Podemos)

Nilson Leitão (UP)

Dilmar Dal Bosco (UP)

Procurador Mauro (PSD)

Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)

Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)

Gisela Simona (UP)

Moisés Franz (PSOL)

Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)

Natasha Slhessarenko (PSD)

Gilberto Cattani (PL)

Victorio Galli (Podemos)

Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB)

Wellington Fagundes (PL)

Carlos Fávaro (PSD)

Rosana Martinelli (MDB)

Thiago Silva (MDB)

José Medeiros (PL)

Dr. Eugênio (Republicanos)

Mauro Mendes (UP)

Janailza Taveira (Podemos), Abmael Borges (PL) e Daniel do Lago (PSDB) 

Max Russi (Podemos)

 

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