Boa Midia

MT: Verso e reverso (167) – Gabriel Novis, o primeiro reitor da UFMT

Eduardo Gomes

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 167 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto destaca o médico e primeiro reitor da UFMT, Gabriel Novis Neves. 

Gabriel Novis Neves nasceu na casa de seus pais, situada na antiga Rua de Baixo, hoje chamada Galdino Pimentel, em Cuiabá, no dia 6 de julho de 1935, num parto prematuro de dona Irene Novis Neves, casada com seo Olinto Neves, que foi dono do Bar do Bugre, à época o mais famoso da cidade. Menino entre os meninos ou guri entre os guris, Gabriel Novis ganhou o carinhoso apelido de Bié. Aprendeu o abecedário na Escola Modelo Barão de Melgaço. Avançou com estudos nos colégios São Gonçalo e Estadual. Cresceu abençoado por seu padrinho de crisma, o arcebispo Francisco de Aquino Correia, o Dom Aquino, do qual foi coroinha.

Um passo à frente de seus colegas etários, na infância Bié aprendeu jogar xadrez; ficou craque no tabuleiro, “Com o xadrez, eu aprendi a compreender como funciona a vida, que se assemelha a um jogo. Aprendi a ter disciplina, a raciocinar, a planejar, a perder e a ganhar”, disse certa vez numa entrevista.

O Rio de Janeiro, capital do país, era o destino dos cuiabanos que sonhavam com a faculdade. Gabriel Novis foi para lá. Voltou cinco anos após sua formatura no curso de medicina da Faculdade Nacional de Medicina, embrião da UFRJ, com especialização em ginecologia e obstetrícia. Trouxe o diploma debaixo do braço e o coração tomado por uma argentina torcedora do Boca Juniors, Regina Pia Padilha de Bourbon e Bourbon, que depois do “sim” no altar acrescentou Novis Neves ao seu sobrenome. O casal Novis Neves tem três filhos: Mônica, Ricardo e Fernando, e netos.

Na sexta-feira, 7 de abril de 2006 um câncer separou o casal após a senhora Pia fechar os olhos pela última vez.

Enxadrista que é enxadrista não dá bote errado. Gabriel Novis voltou para Cuiabá, onde havia vaga para psiquiatra. Não deu outra! Fez pós-graduação nessa área e o governador Pedro Pedrossian o nomeou diretor do hospital “Colônia de Alienados do Coxipó da Ponte”, em Cuiabá, que era uma espécie de lazareto mental. No primeiro dia no cargo, Gabriel Novis promoveu uma limpeza nas dependências no sentido mais amplo da palavra e tratou de humanizar o nome da instituição para Hospital Adauto Botelho.

Cuiabá vibrava com a administração de Gabriel Novis no Adauto Botelho. Em 1968 Pedrossian o arrancou do cargo e entregou-lhe a Secretaria de Estado de Educação. Secretário, Gabriel Novis mergulhou na cabeça na luta pela criação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o que aconteceu em 10 de dezembro de 1970, data em que o presidente Emílio Garrastazu Médici e o ministro da Educação Jarbas Passarinho criaram a UFMT.

A luta de Gabriel Novis pela criação da UFMT e seu desempenho enquanto secretário de Estado desaguaram na sua nomeação para ser o primeiro reitor da UFMT, cargo onde permaneceu até 1982. Gabriel Novis soube exercer a reitoria da UFMT mantendo-a acima do questionamento ideológico dos grupos de esquerda tão presentes nos meios universitários e a força ditatorial dos donos do poder. Sua lisura na função tem o reconhecimento da comunidade acadêmica e o campus da UFMT em Cuiabá leva seu nome.

Paralelamente à UFMT Gabriel Novis dava plantões no Hospital Geral em Cuiabá e ao longo do exercício da medicina fez mais de 10 mil partos, incluindo o período em que atendeu na Clínica Femina, também na capital.

Da reitoria Gabriel Novis partiu para novas funções. Em 1997 participou da criação do curso de medicina na Universidade de Cuiabá (Unic), foi seu diretor e professor.

Depois da UFMT continuando na vida pública foi chefe da Casa Civil do governo e secretário de Saúde e Educação de Mato Grosso.

Gabriel Novis é botafoguense desde seu período universitário e gosta de escrever artigos e colabora com jornais e sites. Essa paixão o leva a editar o blog Bar do Bugre (http://bar-do-bugre.blogspot.com/

LUTO – Na sexta-feira, 7 de abril de 2006 um câncer separou o casal após a senhora Pia fechar os olhos pela última vez.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (3 de setembro), o capítulo 168.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

5 + 8 =

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia Mais

Política de privacidade e cookies