Boa Midia

MT: Verso e reverso (126) – Max Russi

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes
eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 126 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o deputado estadual Max Russi, pré-candidato à reeleição.

Para todos, Max (PSB) pode não ser o fiel da balança para a eleição ao governo, mas sem ele todos sabem que fica mais difícil vencer o pleito. Esse conceito é generalizado em relação à disputa pelo Palácio Paiaguás que já pega fogo entre correligionários, muito antes da abertura da temporada de caça ao voto a partir das convenções.

Presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato à reeleição, Max tem em mãos o Podemos, que é uma das principais forças políticas mato-grossenses, desde sua recente filiação. Os nomes que querem o governo e o Senado não tiram um olho de seus objetivos e o outro, dele, pois seu partido até agora trabalha somente para fortalecer as chapas proporcionais já definidas, mas não descarta a possibilidade de indicar alguém para compor uma chapa para o Paiaguás: quanto a isso Max cita os nomes das vereadoras Katiuscia Mantelli e Dra. Mara, ambas de Cuiabá; Gisa Barros, de Várzea Grande; e Kalynka Meirelles, de Rondonópolis, que poderiam dobrar com um dos três pré-candidatos citados como sendo de direita: Wellington Fagundes (PL), Otaviano Pivetta (Republicanos) e Jayme Campos (UP); quanto ao Senado ele adota postura de aparente neutralidade e não cogita suplência para as suas ‘meninas’ citadas para vice.

Max consegue a proeza de liderar sem gritar. Seus pronunciamentos são moderados, a voz é pausada, mas ele tem obstinação e não abre mão de sua convicção. A Imprensa, regiamente remunerada pelos gordos cofres da Assembleia, o bajula, e Mato Grosso, de resto, também, porque o ritmo na Terra de Rondon é ficar ao lado do poder independentemente de quem o exerça.

Três vezes eleito deputado estadual pelo PSB – em 2014, 2018 e 2022 – Max migrou para o Podemos para não sofrer resistência por parte do eleitorado bolsonarista que deverá apoiar sua reeleição. Saiu do partido de Geraldo Alckmin, que nomeou Pedro Taques para presidir sua executiva estadual e levou para o Podemos um considerável grupo de políticos das diversas regiões, mas com poucos puxadores de votos. Sua reeleição é considerada tranquila, devendo ser o mais votado para o cargo, secundado por Dilmar Dal Bosco (UP), Gilberto Cattani (PL), Beto Dois a Um (Podemos), Nininho (Republicanos), Zé Carlos do Pátio (PV), Rafaela Fávaro (PSD), Samantha Brunini (PL), Lúdio Cabral (PT), Jéssica Riva (MDB), Dr. Eugênio (Republicanos), Moacir Couto (PSDB), Eduardo Botelho (MDB), Carlos Avallone (PSDB), Sebastião Rezende (UP), Barranco (PT), Gilmar Fabris (PSD), Henrique Lopes (PT) e outros, não necessariamente nesta ordem. Ele acredita que seu partido terá uma bancada expressiva e que conquistará cadeiras na Câmara.

ARTICULADO – A BR-163 que povoou a mente de tantos sulistas, também o levou a sonhar quando jovem. Quilômetro a quilômetro percorreu aquela rodovia, do Paraná, onde nasceu com o nome civil de Max Joel Russi, em Salto do Lontra, no dia 21 de março de 1976,  até Jaciara, onde apeou e nunca mais saiu.

Max vereador

Trabalhador, Max conseguiu emprego em um posto de combustível, mas enxergava muito além do bico da bomba que abastecia os possantes. Hábil na oratória, em 2000, pelo PL, com as bênçãos do então deputado federal Wellington Fagundes, foi campeão de votos para vereador em Jaciara e em 2002 assumiu a presidência da Câmara. Nas eleições de 2004 e 2008, pelo PL e pelo PR, respectivamente, foi prefeito de Jaciara.

Administrando e fazendo política em sua região, 25 horas por dia, com a paciência que adquiriu quando seminarista no Paraná, Max ganhou a confiança do eleitorado de Jaciara, São Pedro da Cipa, Juscimeira e Dom Aquino, no Vale do São Lourenço, onde Jaciara é a cidade-polo. Com uma sólida base regional, pelo PSB, ele se elegeu deputado estadual com 20.690 votos; repetiu a dose quatro anos depois, pelo mesmo partido, com 35.042 votos; e garantiu o terceiro mandato em 2022, com 70.328 sempre pelo mesmo partido.

2017 – A entrevista sobre o Pró-Família

Da Assembleia o então governador Pedro Taques o levou para o secretariado. Foi titular da Secretaria de Trabalho e chefe da Casa Civil. Na secretaria criou o programa complementar de transferência de renda Pró-Família, que contemplou 22 mil famílias abaixo da linha da pobreza. Na Casa Civil enxugou gelo pela insistência de Taques em não repassar pontualmente as transferências constitucionais para os municípios. Em 15 de março de 2017 o entrevistei na redação do Diário de Cuiabá sobre o Pró-Família, cuja lei seria sancionada dois dias depois por Taques.

Max foi eleito presidente da Assembleia por unanimidade. Em seu mandato ocorreu um escândalo no Legislativo, mas sem seu envolvimento. Em 24 de setembro de 2024, a Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR) da Polícia Civil, deflagrou a Operação Suserano, com alvo na Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), cumprindo 50 ordens judiciais, das quais 28 mandados de busca e apreensão, e decretou o bloqueio de bens dos investigados até o montante de 28 milhões. O escândalo resultou na demissão do secretário da Seaf, Luluca Ribeiro, e de sua equipe, pelo governador Mauro Mendes (UP). Luluca foi indicado ao cargo pela deputada estadual Janaína Riva (MDB), trabalha em seu gabinete, e sua mulher, Kézia Limoeiro, é chefe do gabinete da deputada. O caso ficou restrito à esfera policial, onde está abafado e nenhum deputado toca nesse assunto.

 

O casal Russi

CLÃ – Max lidera um clã familiar no Vale do São Lourenço. Ele é casado com a prefeita reeleita de Jaciara, Andréia Wagner (PL), e irmão do prefeito de Juscimeira, Alexandre Russi (PL); Alexandre foi prefeito de São Pedro da Cipa por dois mandatos consecutivos, e seu então vice, Eduardo Português (PL) é prefeito reeleito daquele município.

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AMANHÃ – O nome de Max sempre é lembrado para disputar o governo, mas ele se faz de desentendido. Com paciência beneditina costura seu caminho para o Paiaguás, sem pressa. À frente da Assembleia soma a experiência política com o saber acadêmico que o curso de Gestão Pública lhe confere e leva adiante o poder político mais efervescente.

Aos 50 anos, idade considerada ainda de noviciado político ele vê o tempo passar. Sabe que em 2030, aos 54 anos continuará jovem e ainda mais apto para responder pela administração de uma área territorial com 903 mil km² e 142 municípios, onde hoje ele responde pela legislação e a fiscalização dos atos do governo.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (17), o capítulo 127.

Em capítulos anteriores a série focalizou:

Zé do Pátio (PV federado com o PT e o PCdoB)

Neri Geller (Podemos)

Nilson Leitão (UP)

Dilmar Dal Bosco (UP)

Procurador Mauro (PSD)

Lúdio Cabral (PT federado com o PCdoB e o PV)

Valdir Barranco (PT federado com o PCdoB e o PV)

Gisela Simona (UP)

Moisés Franz (PSOL)

Cezare Pastorello (PT federado com o PCdoB e o PV)

Natasha Slhessarenko (PSD)

Gilberto Cattani (PL)

Victorio Galli (Podemos)

Carlos Ernesto Augustin, o Teti (PSB)

Wellington Fagundes (PL)

Carlos Fávaro (PSD)

Rosana Martinelli (MDB)

Thiago Silva (MDB)

José Medeiros (PL)

Dr. Eugênio (Republicanos)

Mauro Mendes (UP)

Janailza Taveira (Podemos), Abmael Borges (PL) e Daniel do Lago (PSDB)  

 

 

 

 

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