Boa Midia

MT: Verso e reverso (143) – Claudino Francio

 

 

EDUARDO GOMES
@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

Capítulo 143 da série Verso e reverso de Mato Grosso, com postagem de segunda a sábado, abordando aleatoriamente fatos dos municípios mato-grossenses e figuras da nossa história recente. O texto focaliza o colonizador Claudino Francio.

Em 2 de fevereiro de 1977, Claudino Francio simplesmente fundou o maior município agrícola do mundo: Sorriso.

Catarinense de Caçador, nascido em 2 de janeiro de 1936, Claudino Francio voltou o olhar para o vazio demográfico do Nortão em 1975, quando comprou uma área próxima a uma gleba do norte-americano Edmund Augustus Zanini, na calha do rio Teles Pires. Mais tarde destinou parte dessa propriedade para a criação de uma vila, à margem da rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163).

Na chuvosa quarta-feira, 2 de fevereiro de 1977, Claudino Francio considerou que o amontoado de casas de tábuas no lugar era o embrião da cidade por ele sonhada. Sem festa nem pompa, mas como simples registro, o colonizador disse a um grupo de moradores e caminhoneiros estacionados no cruzamento da BR-163 com a BR-242, que a sorte estava lançada. Assim começou Sorriso. A então vila agora é a Capital Mundial da Soja.

Os negócios imobiliários de Claudino Francio inicialmente patinavam, mas após fundar a Colonizadora Feliz, em 1º de setembro de 1982, os ventos sopraram a seu favor.

À época da colonização de Sorriso havia grande movimentação de sulistas para Mato Grosso. A localização à margem da BR-163 foi decisiva para atrair os primeiros moradores, mas o fato de a (agora) BR-242 desembocar na BR-163 no perímetro urbano foi importante, pois aquela via era o principal acesso a um grupo de fazendas formadas e em formação na calha do rio Ferro. O vaivém dos viajantes dava vida a Sorriso.

Claudino Francio sofreu um acidente na BR-163 e foi removido para tratamento no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde fechou os olhos para sempre em 30 de julho de 1999. Seu corpo foi sepultado em Sorriso, a sua cidade. Sua memória é perpetuada por um parque ecológico, uma avenida e uma fundação educacional.

Nos primórdios de sua colonização Sorriso somente cultivava arroz de sequeiro, lavoura que lhe empresta o nome. Claudino Frâncio disse que a denominação nasceu da irreverência. Agricultores gaúchos descendentes de italianos visitavam a região. De regresso ao Rio Grande do Sul, seus parentes, vizinhos e amigos queriam saber quais as culturas que teriam visto por lá. A resposta era invariável: só rizzo (em italiano, arroz se pronuncia rizzo). O colonizador gostou e batizou a cidade de Sorriso, bem à brasileira e com a palavra tendo outro sentido.

PS – Continuem lendo a série. Amanhã (6 de agosto), o capitulo 144.

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