Polícia confronta indígenas que buscam retomar território no MS
Flávia Albuquerque – Agência Brasil
SÃO PAULO
Depois de retomarem a Fazenda Limoeiro, propriedade sobreposta ao Tekoha Tapy Kora, parte da Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá II, no município de Amambai (MS), famílias Kaiowá e Guarani relataram que, entre 15h e 16h de ontem, batalhões da Polícia Militar (PM) foram ao território para realizar um despejo.
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Segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), mais de dez viaturas policiais estavam nas proximidades, incluindo o Batalhão de Choque, e houve invasão das autoridades, o que provocou correria, disparo de bombas e tiros contra as famílias.
Vídeos disponibilizados nas redes sociais mostram a perseguição policial em território indígena.
Segundo o Cimi, as famílias permanecem no local e a Força Nacional atua como mediadora do diálogo entre indígenas, produtores rurais e a polícia.
O Tekoha é um território limítrofe à Reserva Limão Verde. Situação semelhante já havia acontecido em 26 de abril deste ano, quando um grupo de cinco indígenas foi preso após confronto com as autoridades.
Reservas
O Cimi informa que o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID), referente à Fazenda Limoeiro, estabelecido pela Portaria 790 da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), está em estudo para remarcação desde 2008.
Já a Reserva Limão Verde, uma das oito existentes em Mato Grosso do Sul, foi criada por um decreto estadual, em 1928, após solicitação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), com 2 mil hectares. Fazendas invadiram esta área reservada e os Kaiowá e Guarani ocupam, hoje em dia, 668 hectares.
A TI Iguatemipeguá 2 está inserida no Compromisso de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) e a Funai em fevereiro de 2007.
“O acordo surgiu como resposta à morosidade da Funai na demarcação, à violência crescente na região e à grave situação humanitária vivida pelos indígenas, muitos vivendo em acampamentos na beira de rodovias”, explica o Cimi.
Nota de repúdio
Em postagem em uma rede social da Abid (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), a Aty Guasu Guarani e Kaiowá disse repudiar a ação da Polícia Militar durante a retomada.
“Mais uma vez, o povo Guarani e Kaiowá foi alvo de violência, intimidação e violação de direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal, por tratados internacionais de direitos humanos e pela legislação que assegura os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios tradicionais”.
A Aty Guasu pede ainda que as autoridades apurem as denúncias de violência, garantam a proteção das comunidades indígenas e adotem medidas concretas para assegurar os direitos territoriais do povo Guarani e Kaiowá.
Força Nacional
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou a ampliação do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) na região nesta quarta-feira (17).
Paralelamente, equipes da Funai foram designadas para acompanhar o caso in loco, prestando assistência direta aos indígenas detidos e monitorando o cumprimento dos parâmetros legais estabelecidos pelas instâncias superiores.
Segundo o MPI, como resposta imediata para mediar a situação e garantir a segurança jurídica e física dos envolvidos, a pasta realizou uma reunião de emergência com representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República, do Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
“No encontro, os órgãos destacaram a necessidade de observância rigorosa da legalidade e do cumprimento dos protocolos estabelecidos pelo judiciário na atuação das forças de segurança na realização de reintegrações de posse que envolvam direitos coletivos constitucionalmente assegurados”, diz a nota.
Decisão judicial
Depois de retomarem a Fazenda Limoeiro, propriedade sobreposta ao Tekoha Tapy Kora, parte da Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá II, no município de Amambai (MS), famílias Kaiowá e Guarani relataram que, entre 15h e 16h de ontem, batalhões da Polícia Militar (PM) foram ao território para realizar um despejo.