Boa Midia

Quarto capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos

EDUARDO GOMES

@andradeeduardogomes

eduardogomes.ega@gmail.com

 

PREÂMBULO – Posto o quarto dos 10 capítulos do livro que escrevi narrando a vida pública do deputado estadual Júlio Campos (União) – que em boa parte se funde e se confunde com a própria existência dele.

Nove capítulos estão editados e revisados. O décimo e último depende do desenrolar dos fatos políticos, sobretudo quanto à pretensão do seu irmão, o senador Jayme Campos (União), em concorrer ao governo. O governador Mauro Mendes e a cúpula que verdadeiramente dá as cartas no União Brasil não apoia Jayme e defende o nome do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para o Palácio Paiaguás. Aparentemente, quanto ao sonho de Jayme, Inês é morta. Porém, para o complemento e título da obra não basta a crença de que Jayme dançou: é preciso citar o caminho que os irmãos Campos tomarão e qual será o papel político de Jayme e Júlio.

No cenário de agora não é possível concluir a obra, mas em breve teremos o fim do impasse, o que me permitirá escrever o décimo capítulo e dar o nome ao livro. Aguardem!

Sugiro que leiam os três primeiros capítulos neste blog buscando os títulos: Livro narra a vida e obra de Júlio Campos, o aniversariante de hoje (o primeiro); Segundo capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos; e Terceiro capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos.

Observo que o quarto capítulo é ilustrado por nove fotos, mas que nesta amostragem há somente cinco – e lamentavelmente sem o tratamento que lhes foi dado para a obra.

 

Quarto capítulo do livro sobre a vida pública de Júlio Campos

Elevação a município é o passo que coroa o trabalho da consolidação dos núcleos urbanos. Meu governo investiu com obras nas vilas e distritos, para emancipá-los. Para tanto, contava com firme apoio da maioria na Assembleia Legislativa e a bancada de oposição respeitava meu trabalho. Não foi difícil reunir as lideranças da Situação e Oposição, para que juntas apresentassem projetos de lei criando municípios. Com esse entendimento a Assembleia aprovou e coube a mim, governador, sancionar as leis que criaram 24 municípios que se juntaram aos 55 então existentes perfazendo 79. Minha meta era instalar cidades para facilitar a ocupação do vazio demográfico que ameaçava o amanhã e estimular a vinda de moradores de outros estados para Mato Grosso. Tive o cuidado de contemplar todas as regiões, para que nenhuma ficasse fora do processo de desenvolvimento.

Campinápolis, no Vale do Araguaia

Em 13 de maio de 1986 quando a população mato-grossense era de 1.436.219 habitantes sancionei as leis que emanciparam Sorriso, Guarantã do Norte, Marcelândia, Araguaiana, Primavera do Leste, Cocalinho, Figueirópolis D’Oeste, Nova Olímpia, Indiavaí, Comodoro, Porto Esperidião, Reserva do Cabaçal, Novo São Joaquim, Paranaíta, Alto Taquari, Campinápolis, Vila Rica, Porto Alegre do Norte, Terra Nova do Norte, Itaúba, Vera, Nova Canaã do Norte, Novo Horizonte do Norte e Peixoto de Azevedo.

Na fronteira com a Bolívia, que tem 983 km de extensão, com 730 km em solo firme, criei Comodoro e Porto Esperidião.

As divisas estaduais foram contempladas por Cocalinho, Comodoro (que além da fronteira faz divisa com Rondônia), Alto Taquari, Araguaiana, Vila Rica, Paranaíta, Peixoto de Azevedo e Guarantã do Norte.

Nas diversas regiões, mas fora da fronteira e das divisas brotaram Sorriso, Marcelândia, Primavera do Leste, Nova Olímpia, Indiavaí, Reserva do Cabaçal, Figueirópolis D’Oeste, Novo São Joaquim, Campinápolis, Porto Alegre do Norte, Terra Nova do Norte, Itaúba, Vera, Nova Canaã do Norte e Novo Horizonte do Norte.

A distribuição geográfica dos novos municípios facilitou a ocupação do vazio demográfico e se desdobrou na criação de mais cidades. Recentemente, a instalação de Boa Esperança do Norte evidenciou isso, pois parte de sua área pertencia a Sorriso.

Ao relacionar os municípios a serem emancipados incluí Figueirópolis D’Oeste, Indiavaí e Reserva do Cabaçal. Isso porque conhecia muito bem a faixa da fronteira, onde se situam, pois no início de minha atividade profissional fui engenheiro agrônomo da Codemat no projeto que resultou na criação de Salto do Céu, Rio Branco e Lambari D’Oeste, naquela região.

O mosaico fundiário quando da emancipação de Reserva do Cabaçal, Figueirópolis D’Oeste e Indiavaí era predominantemente de pequenas propriedades com áreas entre um e quatro módulos. Ou seja, os novos municípios teriam considerável população na zona rural, e o perímetro urbano não sinalizava que teria grande crescimento, mas sem prejuízo de cumprir o papel social de atender os moradores em seu entorno.

Alguns meses antes da emancipação, concedi audiência ao pecuarista José Joaquim de Azevedo Figueiredo, o Figueiredo, que colonizou Figueirópolis D’Oeste numa área de sua propriedade. Figueiredo estava animado com a perspectiva de emancipação e liderava o movimento por ela. Numa conversa franca lhe assegurei que emanciparia sua vila, que então era distrito de Jauru. Ele revelou que seria candidato a prefeito, mesmo não tendo perfil político; Figueiredo se candidatou e venceu a eleição.

Do conjunto dos emancipados no mesmo dia, 18 são sede de comarca, e dois; Porto Alegre do Norte e Vila Rica, não têm acesso pavimentado direto com Cuiabá, muito embora sejam interligados à malha rodoviária nacional pavimentada via Pará. Com os 24 novos municípios, o Estado criou mais condições sociais para receber os migrantes que deixaram sua terra em busca do amanhã.

Colonizadores em busca de apoio para seus projetos e políticos interessados na emancipação faziam romarias ao Palácio Paiaguás, repetindo o roteiro ao meu gabinete na Câmara dos Deputados, quando exerci mandato, de 1979 a 1982, período em que os acompanhava e lhes abria portas nos ministérios, Banco da Amazônia, Banco do Brasil, Incra, Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), Superintendência da Borracha (Sudhevea) e pelos labirintos do poder. Foram muitas as vezes em que recebi Ariosto da Riva, Ênio Pipino, Claudino Francio, Zé Paraná, Guilherme Meyer, Raimundo Costa Filho, Norberto Schwantes, Rubens Rezende Peres, Alair Álvares Fernandes, José Aparecido Ribeiro e outros que deixaram as marcas na ocupação do vazio demográfico.

Portanto, havia afinidade entre o governador e o empresariado que colonizava os vazios demográficos. Após minha eleição para governador, as demandas em Brasília foram delegadas aos deputados federais Jonas Pinheiro e Maçao Tadano, eleitos em 1982. Havia uma corrente de positivismo pelo desenvolvimento de Mato Grosso.

Norberto Schwantes era do PMDB, partido de oposição ao meu governo, mas isso não criava fosso entre nós. Nossa relação era respeitosa e Schwantes sabia que em Água Boa, uma das cidades por ele fundadas, meu relacionamento político era com o grupo liderado pelo meu amigo e ex-prefeito Germano Zandoná.

Numa das vezes em que recebi Ênio Pipino disse-lhe em primeira mão que emanciparia a vila de Vera, que foi o primeiro núcleo urbano de seu projeto de colonização na Gleba Celeste, que resultou naquela e nas cidades de Sinop, Santa Carmem e Cláudia. Expliquei a ele que além de justa, a elevação à município também seria uma forma de reconhecimento pelo papel de Vera na ocupação da calha do rio Teles Pires, e que de igual modo também criaria o município de Novo Horizonte do Norte, que foi a segunda povoação do Nortão, graças ao empresário José Kara José.

Com a elevação de Vera a município as áreas mais ao Norte receberam levas e mais levas de agricultores e pecuaristas, o que resultou na colonização de Feliz Natal pelo empresário visionário Antônio Domingos Debastiani, no sábado, 12 de agosto de 1989. Minha política municipalista teve efeito cascata, não somente em Vera, mas em várias outras cidades, como foi o caso de Marcelândia, que facilitou a criação de União do Sul.

Hoje, com Mato Grosso esbanjando infraestrutura, com excelente arrecadação tributária, ocupando o topo da liderança nacional na produção de commodities agrícolas, permeado por belas cidades, não causa surpresa que famílias deixem o Sul, o Sudeste e outras regiões para viverem aqui, entre nós. Porém, há mais de 40 anos, quando asfalto era praticamente utopia, a energia elétrica gerada por conjuntos estacionários, a comunicação tinha muita limitação, saúde praticamente não havia, e o Brasil estava em ebulição em busca de oportunidades na Amazônia e no Centro-Oeste, meu governo tinha um grande desafio: canalizar parte da massa migratória para nossos municípios. Mas como convencer alguém se não tínhamos quase nada a oferecer? Planejei criar cidades, pavimentar rodovias, construir conjuntos habitacionais, criar escolas e hospitais.

Visitei importantes polos regionais paranaenses, gaúchos, catarinenses, mineiros, paulistas e capixabas. Mostrei a lideranças e investidores o potencial mato-grossense e insistia que em pouco tempo Mato Grosso seria a Califórnia brasileira.

Emancipei Sorriso, maior município agrícola do mundo

O meu governo coincidiu com o período em que o cerrado deixou de ser visto como bandido e virou mocinho, por sua capacidade de produção e de produtividade. Aproveitava meus conhecimentos agronômicos para influenciar produtores a virem para nossa terra. Destacava a topografia plana, luminosidade, regularidade climática, o fato de as jazidas de calcário serem próximas às lavouras e a localização geográfica mato-grossense que facilita o escoamento regionalizado para os portos. Mesmo assim, não faltavam questionamentos sobre a distância das lavouras às cidades. Quando surgiam essas perguntas, respondia que Mato Grosso preparava o maior programa nacional de criação de municípios. Realmente eu não estava enganado. Observem que em 2025 Sorriso, o maior produtor mundial de soja tinha mais de 124 mil habitantes e Primavera do Leste, mais de 96 mil.

A beleza do Araguaia em Cocalinho

Tenham em conta que Cocalinho tem alguns dos mais belos roteiros turísticos do Brasil interior, e que Reserva do Cabaçal e Porto Estrela são roteiros do turismo de aventura; que Nova Olímpia é importante polo sucroenergético; que Alto Taquari conta com um terminal ferroviário da Rumo Logística; que Guarantã do Norte é um polo distribuidor atacadista para a região Oeste do Pará;  que Primavera do Leste tem um dos mais belos projetos urbanísticos do Centro-Oeste; que Peixoto de Azevedo se recuperou após o baque sofrido com o fim do garimpo de ouro, e que adotando práticas ambientais a aventura garimpeira foi substituída pela mineração; que Terra Nova do Norte se tornou um expressivo centro de produção de lácteos com sua industrialização garantida pela pecuária leiteira em pequenas e médias propriedades; que Porto Alegre do Norte, Marcelândia, Comodoro, Novo São Joaquim, Campinápolis, Nova Canaã do Norte, Novo Horizonte do Norte e Vera pertencem os círculo dos produtores de soja, milho e algodão; que Vila Rica, Itaúba, Araguaiana e Paranaíta têm grandes rebanhos bovinos.

 

Todos pela emancipação 

Nos municípios que cederam áreas para a criação de novas cidades, as lideranças políticas também apoiavam esse posicionamento. Para emancipar a vila de Sorriso, conversei em meu gabinete com os prefeitos José Barbosa de Moura, o Dedé (Paranatinga), Luiz Gonzaga Nogueira Barbosa (Nobres) e Geraldino Dal Maso (Sinop). Os três avalizaram a emancipação de Sorriso. O diálogo foi mantido com todos os municípios.

As emancipações em 1986 abriram caminho para a realização de eleições naquele ano para mandato-tampão de prefeito, vice-prefeito e vereador, juntamente com o pleito estadual. Os eleitos cumpriram dois anos de mandato sendo sucedidos no começo de 1989.

As eleições despertaram lideranças municipais, e um dos prefeitos, Jair Benedetti, de Comodoro, mais tarde elegeu-se deputado estadual. Elas, também, permitiram que colonizadores fossem eleitos, como aconteceu em Figueirópolis D’Oeste, com a vitória de José Joaquim Azevedo Figueiredo. Um dos pioneiros em Sorriso e da moderna agricultura mato-grossense, Alcino Manfroi, teve a felicidade de ser o primeiro prefeito daquele município.

Alguns dos prefeitos eleitos em 1986 morreram. João Rosa do Carmo, 65 anos, de Vila Rica, no Vale do Araguaia, sofreu um infarto quando proferia uma palestra no templo da Eubiose, em Nova Xavantina, no dia 19 de novembro de 2017; João Rosa era mineiro de Coromandel e veio para Mato Grosso no auge da colonização daquela região, nos anos 1970.

Transcorridos 39 anos da emancipação em massa, não somente João Rosa, mas vários outros prefeitos, vice-prefeitos e vereadores para o mandato-tampão nos deixaram. Foi assim em 23 de março de 2021, com o prefeito Júnior Pereira Neves, 75 anos, de Novo Horizonte do Norte; Júnior foi uma das vítimas da covid-19.

Dentre outros pioneiros e prefeitos eleitos em 1986, também morreram Herionaldo Couto Queiroz, Jamiro Formigoni, Benedito Ferreira da Silva, Adilvo Buffé, Lindberg Ribeiro Nunes Rocha, José Barbosa de Moura – Dedé, Laudelina Rocha de Aquino, Antônio Porfírio de Brito, Orlando Pereira, Antônio Tadeu Martim Escame, Nelson Antônio Orlato, Ana Maria Costa e Faria – Nana, Cezalpino Mendes Teixeira – Pitucha, Silvino Moreira da Silva, Roberto Ferreira da Silva, Darci Capistrano e Alcino Manfroi.

 

Nasce a AMM

Posse de Anildo Barros na AMM

Realizei um governo municipalista. Idealizei e doei o terreno para a construção da sede da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). Por aclamação o então prefeito de Cuiabá, Anildo Lima Barros, foi eleito primeiro presidente da AMM em 4 de maio de 1983, data de sua fundação.

Prefeitos e vereadores se juntaram ao governo pelo desenvolvimento mato-grossense e aquela união foi benéfica para todos, independentemente da questão partidária. Meu gabinete estava sempre aberto e transcorridos mais de 40 anos, preservo amizades com todos.

Entendo que mandato de prefeito prepara o político para o exercício de todos os cargos eletivos e reconheço da força dos prefeitos no cenário mato-grossense. Destaco que desde a redemocratização em 1982, quando fui eleito governador,  Mato Grosso teve oito ex-prefeitos no governo: Júlio Campos (Várzea Grande), Wilmar Peres de Farias (Barra do Garças), Carlos Bezerra (Rondonópolis), Jayme Campos (Várzea Grande), Dante de Oliveira (Cuiabá), Rogério Salles (Rondonópolis), Silval Barbosa (Matupá) e Mauro Mendes (Cuiabá), que exerce o cargo. Além dos mato-grossenses, o ex-prefeito de Jales, no interior paulista, Edison de Freitas, também foi governante.

Com meu irmão, o senador e à época prefeito de Várzea Grande, Jayme Campos

Compartilhei obras com os prefeitos Jayme Campos, meu irmão (Várzea Grande), José Belmiro Simões (Ponte Branca), Juarez Santos (Dom Aquino), José Leite de Barros – Zezinho (Nortelândia), Nelson Orlato (Pedra Preta), Germano Luiz Zandoná (Água Boa), Carlos Gomes Bezerra (Rondonópolis), Severino Botelho de Melo (Alto Araguaia), Roberto Ferreira da Silva (Itiquira), Ana Maria Costa e Faria – Nana (Cáceres), Darcy Capistrano (Diamantino), João Guedes (Colíder), Edson Santos (Alta Floresta), Anildo Lima Barros (Cuiabá), Geraldo Verniano (Jaciara), Joemil José Balduíno Araújo (Rosário Oeste), José Barbosa de Moura – Dedé (Paranatinga), Luiz Gonzaga Nogueira Barbosa (Nobres), Silvino Moreira da Silva (Chapada dos Guimarães), José Geraldo Riva (Juara), José Pontim (São Félix do Araguaia), Lindberg Ribeiro Nunes Rocha (Poxoréu), Laudelina Rocha de Aquino (General Carneiro), Nelson de Souza Silva (Guiratinga), Cezalpino Mendes Teixeira Júnior – Pitucha (Alto Garças), José Idalberto Cunha (Aripuanã), Jair Pereira Duarte (Porto dos Gaúchos), Leandro Alves Feitosa (Tesouro), Antônio Porfírio de Brito (Tangará da Serra), Tito Profeta (Vila Bela da Santíssima Trindade), Ataíde Pereira Leite (Mirassol D’Oeste), Alinor Luiz da Silva (Arenápolis), Justino Vicente Falcão da Silva (Poconé), José Gonçalves Filho – Zinho (Jauru), Nereu Botelho de Campos (Nossa Senhora do Livramento), Eduardo Gomes da Silva (Alto Paraguai), Orlando Pereira (Juína), Delci Garcia dos Santos (Araputanga), David José de Souza (Araguainha), Durvalino Peruchi (São José dos Quatro Marcos), Geraldino Dal Maso (Sinop), Dionir de Freitas Queiroz (Pontes e Lacerda), Antônio Tadeu Martin Escame (Santa Terezinha), Lincoln Saggin (Torixoréu), Edson Gonçalves (Santo Antônio de Leverger)¸ José Frederico Fernandes (Nova Xavantina), Francisco de Assis dos Santos (Canarana), Natalino Piovezan (Acorizal), Carolino Gomes dos Santos (Barra do Garças), Ataídes Barbosa da Silveira (Salto do Céu), Agostinho Sansão (Barra do Bugres), José Liton Luz (Luciara), Carlos Breno Pereira Hellebrandt(Rio Branco), Antônio de Lima (Nova Brasilândia), João Elizeu de Lima (Denise) e Francisco de Borja Santos (Barão de Melgaço).

Presença nos municípios

Nunca fui de gabinete. Meu governo foi marcado por minha permanente presença nos municípios, onde ouvia lideranças e a população. Esse estilo também marca minha atuação parlamentar.

Da janela do bimotor observava a região ondulada, pontilhada de branco pelo gado nas pastagens. O avião tocou o solo suavemente. Perdeu velocidade e parou ao lado da multidão que aguardava meu desembarque.

Quando surgi na escada uma Banda Municipal executou a música que toca meu coração e injeta mais energia em minhas veias.

Júlio / Júlio / Júlio /

Homem de grande valor /

Júlio / Júlio / Júlio meu governador /

 

 

A multidão fazia coro com os instrumentos musicais e reforçava a afinação com palmas, muitas palmas.

Braços e abraços me enrodilhavam. Naquele 2 de agosto de 1983, em festa, Guiratinga comemorava meio século. Estava ali, entre amigos, para modernizar seu sistema elétrico e livrá-la da dependência da energia gerada por conjunto diesel estacionário da Cemat.

Num ato simbólico acionei a chave que interligava Guiratinga ao Sistema Interligado Nacional, rompendo sua dependência da energia gerada a diesel. Comigo, no ato, o prefeito anfitrião Nelson de Souza Silva, baiano, advogado brilhante e pioneiro guiratinguense. Ao nosso lado o ex-deputado estadual Eduíno Orione e sua esposa Célia Orione, que mais tarde seria prefeita; e outras autoridades locais e regionais.

A interligação de Guiratinga somente foi possível porque meu governo investiu alto no Programa Cyborg, que construiu linhões de transmissão energética, de Cachoeira Dourada (GO) a Mato Grosso, o que assegurou energia firme na ponta, iluminou nossas cidades e permitiu a criação de nosso parque industrial.

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